Nas viagens que fiz ao Japão, a comida acabou virando parte do roteiro. Eu saía para conhecer uma cidade e, no caminho, encontrava um balcão de soba, um konbini com algo novo ou um restaurante pequeno onde o cardápio pedia coragem e curiosidade. Esta é uma seleção dos pratos, petiscos e bebidas que experimentei — não um ranking definitivo da culinária japonesa.
Quem chega ao país procurando apenas sushi perde muita coisa. Arroz em tigela, macarrão, grelhados, frituras, caldos e doces aparecem em lugares muito diferentes: restaurantes especializados, mercados, praças de alimentação, izakaya e lojas de conveniência. As fotos deste artigo foram feitas durante essas viagens e ajudam a reconhecer o que encontrei pelo caminho.
Sumário 5
Pratos que mais marcaram minhas viagens
Além de macarrão, comi bastante carne e gyudon. A tigela de arroz coberta com carne foi uma das opções mais fáceis de repetir: serve bem para uma refeição rápida e muda bastante conforme a rede, o molho e os acompanhamentos. Também provei pratos tradicionais como oden, shabu-shabu, gyoza e oyakodon.
Um dos lugares a que mais voltei foi o yakiniku. A graça está na mesa: cada pessoa assa a própria carne na grelha. Em Hokkaido, provei até carneiro. Para quem viaja em grupo, é um jeito agradável de experimentar cortes e acompanhamentos sem depender de um único prato pronto.

Outra combinação recorrente foi soba com gyudon. Soba, udon e outros macarrões aparecem em porções simples, às vezes com cebolinha, tempurá ou caldo mais leve. Quando o cardápio está todo em japonês, uma vitrine com fotos ou uma máquina de tickets costuma ajudar a escolher sem transformar o pedido em adivinhação.

No café da manhã e nos lanches, eu costumava pegar karaage, espetinhos e outros itens prontos de konbini. Também encontrei restaurantes italianos, coreanos, alemães e de outras cozinhas. Viajar pelo Japão não significa comer comida japonesa em todas as refeições; essa variedade é parte do que torna as cidades tão práticas para quem está na rua o dia inteiro.

Ramen, soba, udon e tsukemen
Na primeira viagem, eu gostei mais de soba e udon do que de ramen. Eram pratos diretos, acessíveis e fáceis de encontrar. Também experimentei somen gelado. Na segunda viagem, mudei de ideia sobre ramen: provei tigelas bem diferentes entre si e passei a procurar mais restaurantes especializados.

Uma das primeiras tigelas que fotografei tinha caldo espesso e foi comida perto de Hamamatsu. Em Izu, pedi outra com bastante chashu, a carne de porco fatiada que costuma aparecer sobre o macarrão. Não existe um único ramen para recomendar: o caldo, o macarrão e as coberturas mudam muito de uma região para outra e até de uma loja para outra.

Em Sapporo, comi um ramen apimentado. Em Akihabara, experimentei tsukemen, em que o macarrão é servido separado para ser mergulhado no molho concentrado. São dois exemplos de como a mesma vontade de comer macarrão pode levar a pratos com ritmo e sabor bem diferentes.

Uma lembrança forte foi um ramen escuro provado em um estabelecimento pequeno perto de Susukino, em Sapporo. A fila e o horário noturno fizeram parte da experiência, mas o que ficou foi a sensação de que vale a pena entrar em uma loja modesta quando ela parece cheia de moradores e não apenas de turistas.

Petiscos, doces e comida de rua
As fotos de petiscos mostram melhor do que uma lista o quanto eu saí da zona de conforto. Comi yakitori, karaage de konbini, donuts, tortas e vários doces que encontrei sem saber exatamente o que esperar. O ponto não é reconhecer tudo antes de comprar: é observar ingredientes, perguntar quando possível e dividir algo novo com quem está viajando junto.

Também experimentei onigiri, hambúrgueres e itens de feira. Em Hakone, comprei um doce em formato de peixe; no Little World, encontrei pretzels e outras comidas que não fazem parte do repertório japonês mais conhecido. As viagens também têm essas pausas menos previsíveis.

Nas outras paradas, apareceram salgadinhos com yuzu, café, chocolate, sorvete e hambúrgueres. Não consegui identificar todos os itens das fotos anos depois, então prefiro manter a memória como ela é: um registro de sabores estranhos, escolhas rápidas e refeições que salvaram dias cheios de deslocamento.

Entre os pratos reconhecíveis, há okonomiyaki, hambúrgueres e carnes defumadas. Os bolinhos que lembravam pão de queijo eram doces, com recheio cremoso, e o unagidon foi outra descoberta. Se você não come porco, peixe ou frutos do mar, vale conferir os ingredientes antes de pedir: muita coisa vem em molhos, caldos e coberturas.

Também comi tonkatsu comprado em mercado, salsichas de konbini e chocolates de sabores que eu não conhecia. Para uma refeição curta, mercados e lojas de conveniência foram aliados: não substituem sentar em um restaurante, mas resolvem bem uma noite tardia ou uma troca de trem.
Bebidas e noites em izakaya
As bebidas trouxeram algumas das maiores surpresas. Bebi Fanta de pêssego e melão, iogurtes de kiwi e de aloe, chá de jasmim, chá de yuzu, refrigerantes de ameixa e de uva, água do Monte Fuji e cafés gelados. Nem tudo virou favorito, mas experimentar uma bebida que não existe no Brasil é uma forma simples de notar como o mercado local muda de país para país.

Em restaurantes, eu muitas vezes escolhia chá ou suco. Nas máquinas e nos konbini, acabava levando café com leite e chocolate para seguir viagem. Essas escolhas não têm o prestígio de um prato tradicional, mas contam muito sobre como é comer no Japão sem planejar cada parada.

Uma das noites mais divertidas foi passar por três izakaya. Em um deles, a bebida veio em um copo colocado dentro de um recipiente quadrado de madeira e servido até transbordar. É o tipo de detalhe que fica na memória junto com a conversa, os petiscos e a conta final.

O que aprendi comendo pelo Japão
Minha melhor dica é não tentar reproduzir uma lista perfeita. Comece por algo que você reconhece, como gyudon, ramen, onigiri ou karaage, e use cada refeição para testar um ingrediente novo. Fotos no cardápio, vitrines e pratos de plástico na entrada ajudam bastante; em mercados, observe rótulos e alergênicos antes de escolher.
As comidas que mais lembro não foram necessariamente as mais famosas. Foram as que apareceram no momento certo: uma tigela quente depois de caminhar no frio, um petisco comprado antes do trem ou uma mesa de yakiniku dividida com amigos. É essa mistura de prato, lugar e companhia que fez a culinária japonesa ocupar tanto espaço nas minhas viagens.
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