A alga nori [海苔] é muito usada na culinária japonesa. Está presente todos os dias nos pratos do país e, sem chamar atenção, dá um sabor reconhecível às preparações que envolve. Ainda assim, fora do Japão, continua pouco conhecida.
Você a encontra em pratos populares como os enrolados de hosomaki e uramaki, nos sushis, nos onigiri (bolinhos de arroz), como cobertura em obentôs e nos temakis, muito apreciados também no Brasil.
Basicamente, o nori é uma folha fina e seca obtida pela desidratação de algas comestíveis da espécie Porphyra (algas vermelhas).
Se você quer saber algumas curiosidades sobre sushi, dá uma olhada no vídeo abaixo:
Sumário 5
Origem da Alga Nori
O termo nori, no passado, era usado de modo genérico e se referia a algas em geral, incluindo a hijiki. A alga tem uma história registrada desde o século VIII. No Código Taihō, promulgado em 701, já existiam tributos sobre a alga.
Os moradores da província de Hitachi Fudoki (721 d.C.) foram encarregados do trabalho de secagem da alga. Em outra fonte, o Fudoki de Izumo (713-733), a colheita também é citada.
Tudo isso mostra que o nori é um alimento que existe há muitos séculos. No Utsubo Monogatari, escrito por volta de 987, a alga já era reconhecida como comida comum e do dia a dia.
O nori foi consumido em forma de pasta por muito tempo, mas ganhou o formato de folha por volta de 1750, em Asakusa, graças a um método emprestado da fabricação de papel.
A palavra "nori" apareceu pela primeira vez em uma publicação em inglês nos "Travels" de C. P. Thunberg, publicados em 1796. Foi citado como "Awa nori", provavelmente se referindo ao que hoje chamamos de aonori.

Declínio do Nori
Depois da Segunda Guerra Mundial, o nori entrou em forte declínio, como diversos outros alimentos no Japão. A causa foi a perda de conhecimento dos produtores que ficaram.
A alga passa por um ciclo de três fases durante o cultivo, e o método tradicional tinha deixado de ser bem compreendido. O cenário mudou graças ao trabalho de uma bióloga britânica, Kathleen Mary Drew-Baker, que pesquisava a Porphyra umbilicalis.
Criada no País de Gales, onde também se colhiam algas como no Japão, os japoneses, ao tomarem conhecimento das pesquisas dela, aplicaram novos processos artificiais de semeadura e cultivo, e a indústria de produção de nori pôde renascer.

Kathleen Mary Drew-Baker foi homenageada no Japão com o título de "Mãe do Mar", e uma estátua foi erguida em sua memória. Ela ainda é reverenciada como a salvadora da indústria japonesa de nori.
Não existe um único ponto de origem a destacar, mas, como vimos, os japoneses usam essa alga há séculos, e ela segue fazendo parte do cotidiano deles em muitas formas diferentes.
Como é a produção do Nori?
A produção do nori utiliza uma técnica avançada de cultivo. É feita em pequenas e grandes "fazendas" no mar, com redes suspensas na superfície da água, justamente onde a alga Porphyra cresce.
É surpreendente a velocidade com que crescem: cerca de 45 dias até a primeira colheita. Um único plantio pode render muitas colheitas, em intervalos curtos de apenas 10 dias.

Além da técnica de cultivo avançada, colhedeiras mecânicas projetadas para esse processo também são usadas. Após a colheita, as algas passam por outro processo que gera folhas finas e secas, de aproximadamente 18x20 cm, com peso de apenas 3 gramas cada.
A maior parte das algas é produzida no Japão, e a China é a segunda maior produtora, com cerca de um terço da produção mundial. No Japão, a principal produção acontece na região chamada baía de Ariake, na ilha de Kyushu.
A produção de algas também é uma parte importante da economia costeira do Japão. Desde 1984, as algas representam mais de 98% da produção marinha do Japão, e o cultivo da Porphyra gera trabalho para mais de 16.800 pessoas.
Benefícios do nori na saúde
A alga traz diversos benefícios, graças às suas proteínas, ao cálcio, ao ferro e às vitaminas A, B e C, além de conter quase o dobro de proteínas em comparação com algumas carnes.
É uma boa fonte de iodo, útil para a tireoide. O nori é rico em carotenoides, que podem ter um efeito protetor contra a mutação de certas células cancerígenas.

O nori também é uma boa escolha para quem está controlando o peso, graças ao baixo teor de gordura e calorias e ao aporte de fibras, que ajudam na digestão. Esses benefícios, porém, só se ativam com consumo frequente.
Vale a pena consumi-lo com regularidade, pois o nori também ajuda no tratamento de quadros como anemia e doenças cardiovasculares. Contribui para reduzir o colesterol e pode ajudar a prevenir a arteriosclerose e a hipertensão, ao fortalecer as paredes das artérias.
Outro ponto positivo é o apoio aos sistemas endócrino e nervoso, que pode se traduzir em cabelos mais fortes, pele mais elástica e uma melhor tolerância ao estresse.

Alguns fatores definem a qualidade da alga. Um deles é que ela encontra condições ideais de crescimento em mar aberto, onde aproveita os nutrientes que o oceano oferece em abundância.
As correntes submarinas também liberam nutrientes para as algas e ajudam a eliminar resíduos vegetais. Como resultado, as algas marinhas concentram mais minerais do que se costuma encontrar em plantas terrestres.
Cuidados ao obter o Nori
No Japão, ainda há grandes quantidades de algas cultivadas e processadas com métodos inadequados. Isso pode comprometer a qualidade da alga e fazer com que se percam os nutrientes que normalmente vêm da ação natural do mar.
Para ter uma alga de boa procedência, é preciso que ela seja cultivada em seu habitat natural e colhida em oceanos profundos e limpos, livres de poluição. O cuidado no processamento antes de chegar às prateleiras também conta tanto quanto a origem: por isso, sempre se certifique de que o nori que você compra ou consome em restaurantes venha de uma fonte confiável.
Se você quiser comprar nori no Brasil, também pode conferir a loja konbini. Lá você encontra diferentes tipos de nori, incluindo yaki-nori e aonori.
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