Uma conversa sobre anime pode acelerar de um “novo arco” para tankōbon, filler e tsundere antes de você perceber. Parte desse vocabulário veio do japonês; outra parte nasceu entre fãs e ganhou sentidos próprios fora do Japão.
Essas palavras não pertencem todas à mesma categoria. Algumas indicam formato de publicação, outras descrevem públicos editoriais, estilos de obra ou jeitos de falar. Entender a diferença deixa a conversa sobre anime e mangá bem menos confusa.
Sumário 5
Termos gerais
Mangá: palavra japonesa usada para histórias em quadrinhos. Fora do Japão, costuma designar quadrinhos japoneses ou feitos sob essa influência.
Anime: no português, geralmente significa animação japonesa. Em japonês, anime é uma abreviação de “animação” e pode ser usada para obras de qualquer origem.
Light novel: romance de ficção publicado em volumes, normalmente voltado a leitores jovens e acompanhado por ilustrações. Visual novel: jogo centrado em narrativa, texto, escolhas e cenas ilustradas; não precisa ser uma história de romance.
Eroge: abreviação de erotic game, ou jogo com conteúdo erótico. Uma visual novel pode ser um eroge, mas os termos não são sinônimos.
Dōjinshi: publicação independente, como revista, mangá ou livro. Pode ser obra original ou feita por círculos de fãs, sem que isso determine tema ou classificação etária.
Otaku: no Japão, pode se referir a alguém muito dedicado a um interesse específico. Em países de língua portuguesa, virou um rótulo mais associado a fãs de anime, mangá e cultura pop japonesa.
Otome: significa “moça” ou “donzela”, conforme o contexto. Em cultura pop, aparece sobretudo em otome games, jogos voltados a um público feminino; não é o feminino automático de otaku.

Mangá, anime e formatos
Mangaká: autor ou autora de mangá. Tankōbon: volume encadernado que reúne capítulos publicados separadamente; as grafias tankobon e tankohon aparecem bastante, mas tankōbon é a romanização mais próxima do japonês.
Lombada: parte lateral de um volume. One-shot: história completa e independente publicada em um capítulo ou volume curto. Às vezes serve de teste para uma série, mas não precisa virar uma.

Arco: conjunto de episódios ou capítulos que desenvolve um conflito ou fase da narrativa. Uma temporada pode reunir um ou mais arcos.
Filler: episódio ou arco criado para a adaptação e ausente do material de origem, como mangá, novel ou jogo. OVA: produção lançada diretamente em vídeo, que pode ser extra, história paralela ou obra independente. OAD: animação distribuída com edições especiais de mangás ou outros produtos.
Seiyū: profissional de voz que interpreta personagens em anime, jogos, rádio e outras mídias japonesas. Live-action: produção com atores reais; uma adaptação de mangá ou anime pode usar esse formato, mas nem todo live-action vem de uma animação.

Demografias e temas
Palavras como shōnen e shōjo indicam antes de tudo um público editorial; não dizem, sozinhas, se a obra é de luta, romance ou comédia.
Kodomo: obras voltadas a crianças. Shōnen: publicações direcionadas principalmente a garotos adolescentes. Shōjo: publicações direcionadas principalmente a garotas adolescentes. Seinen e josei têm foco editorial em homens jovens e adultos e em mulheres jovens e adultas, respectivamente.
Mecha: tema ou gênero marcado por robôs e máquinas, muitas vezes pilotados. Mahō shōjo: histórias de garotas mágicas. Harém: enredo em que uma personagem fica cercada por vários interesses amorosos.
Shōnen-ai e shōjo-ai aparecem em comunidades internacionais para diferenciar romances sem conteúdo explícito. No Japão, porém, os termos têm outras associações e podem ser imprecisos; vale observar a classificação e a apresentação da editora.

Expressões, personagens e tratamentos
Kawaii: adjetivo japonês ligado ao que é fofo, gracioso ou encantador. Bishōjo e bishōnen: “garota bonita” e “garoto bonito”, rótulos usados para personagens e obras que destacam esse tipo de figura.
Chibi: estilo que reduz e exagera proporções para efeito cômico, fofo ou expressivo. Moe: sentimento de afeição ou entusiasmo despertado por uma personagem, traço ou situação. Omake: conteúdo extra ligado a um volume, episódio, jogo ou material promocional.
Tsundere: personagem que alterna postura ríspida ou distante com demonstrações de afeto. Yandere: personagem cuja afeição se torna obsessiva e, em certas histórias, perigosa.
-san: tratamento neutro e respeitoso, comum com nomes. -sama: forma mais formal ou reverente. -kun: usado com frequência para meninos e homens jovens, mas também pode aparecer em escola e trabalho.
Senpai: pessoa mais experiente em uma escola, clube, trabalho ou grupo; o contrário é kōhai, quem chegou depois. Onii-chan e onii-sama são formas afetuosa e respeitosa de chamar o irmão mais velho. Onii-tan é uma pronúncia infantilizada usada em ficção.

Fandom, música e conteúdo adulto
Fujoshi e fudanshi: termos usados por algumas fãs e alguns fãs de obras sobre romance entre homens, hoje frequentemente reunidas sob a sigla BL, de Boys’ Love. Como nasceram como autodepreciação, o melhor uso depende de como a própria pessoa se identifica.
Cosplay: prática de vestir e interpretar uma personagem ou figura conhecida. Scanlation: digitalização, tradução e edição feita por fãs de uma obra para outro idioma; pode envolver material protegido por direitos autorais.
J-pop e J-rock são rótulos amplos para pop e rock ligados ao mercado musical japonês. K-pop e K-rock fazem referência, de modo semelhante, à música popular sul-coreana.
Ecchi: rótulo usado para humor, insinuação e fanservice sexualizado, geralmente sem descrição explícita de sexo. Hentai: fora do Japão, costuma designar animação ou quadrinho pornográfico; no japonês cotidiano, também pode significar “pervertido” ou “estranho”, conforme a frase.
Lolicon: termo associado a obras que sexualizam personagens de aparência infantil. É um assunto sensível e a presença do rótulo pede atenção à classificação etária e ao contexto da obra. Yuri reúne obras centradas em relações ou atração entre mulheres; yaoi é um termo histórico para obras sobre relações entre homens, hoje muitas vezes apresentado como BL.
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