Sobre os Psicólogos Japoneses e a Psicologia no Japão

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No Japão, a Psicologia (心理学) é uma área de estudo que ainda recebe muita influência da religião e da filosofia oriental. Por ser um país no qual a população não tem tanto o hábito de frequentar psicoterapias tradicionais e consagradas no ocidente (como a Psicanálise, a Terapia Cognitiva, a ACP, entre outras) os japoneses acabam lidando com suas frustrações e problemas psíquicos utilizando outras ferramentas.

Neste artigo, veremos alguns Psicólogos (e Psiquiatras) Japoneses importantes no ramo e que possuem certo destaque internacional. Além disso, veremos também como a Psicologia Japonesa recebeu influências da Filosofia Chinesa, do Zen-Budismo e da Logoterapia.

Kimura Bin: Fenomenologia e Esquizofrenia

Kimura Bin (1931–) é um psiquiatria japonês muito popular dentro da abordagem psicológica e filosófica conhecida como Fenomenologia. Seus trabalhos tiveram grande influência em todo o mundo. No Brasil, apesar de ser um pensador bastante conhecido entre os fenomenólogos, sua obra não foi traduzida em grandes quantidades, tendo em vista a dificuldade de traduzir os termos japoneses (muitos até mesmo intraduzíveis) ou adaptar os textos de maneira fiel.

Dentro de sua obra é possível identificar inúmeras influências advindas da tradicional Escola de Kyoto. O conceito de 間 (あいだ; que significa entre, intervalo) é um conceito bastante interessante elaborado por Kimura que diz que o espaço e a pessoa estão inseridos em um intervalo, ou, em outras palavras, numa experiência entre duas pessoas.

Assim, o espaço e o tempo fazem a ponte e contribuem para continuar ou descontinuar uma ação no mundo real. Ou seja, para Kimura, o “aida” seria o intervalo no qual duas pessoas se encontram e no qual a atenção reflexiva passa a ser direcionada para um determinado objeto.

Na esquizofrenia, por exemplo, existiria um distúrbio no “aida”, ou, melhor dizendo, na relação do sujeito com o tempo (o futuro), o espaço e as outras pessoas.

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Ichiro Kishimi: A Psicologia Adleriana

Ichiro Kishimi é um pensador, filósofo e psicólogo japonês nascido em Kyoto. Teve seu pensamento baseado na psicologia de Alfred Adler (1870-1937) e no Brasil alguns de seus livros foram traduzidos e publicados. Uma das mais recentes obras do autor foi traduzida para o português com o título de “A coragem de não agradar”, lançada no Brasil em 2013, em parceria com Fumitake Koga.

Em “A coragem de não agradar” é possível vermos um diálogo entre um filósofo e um aluno que deseja ter uma vida melhor. Durante o diálogo, nos são apresentados os conceitos de “Complexo de Inferioridade” e “Complexo de Superioridade” (advindos da Psicologia Individual Adleriana). O Complexo de Inferioridade seria a tendência no homem de se autodepreciar e se sentir inferior perante um indivíduo ou um grupo social.

Em alguns animes é possível vermos esse tema sendo abordado “sem querer” (ou querendo, nunca se sabe) pelos autores. Em Inuyasha, um Youkai se sente inferior por não ter muitos cabelos (os carecas se identificam). Já em Fullmetal Alchemist, vemos o protagonista Edward Elric ser chamado de baixinho por todos e ficando extremamente bravo com essa situação.

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Last updated on 28 de outubro de 2020 10:00 PM

A influência do Zen-Budismo, da Filosofia Chinesa e da Logoterapia

O modo de compreender a mente (気) no Japão tende a ser recheado de espiritualidade, religiosidade, filosofia e superstições. O Zen-Budismo influenciou consideravelmente os ramos da Psicologia e da Medicina no Japão, tendo em vista que a cultura japonesa recebeu, durante muito tempo, influências espirituais e religiosas arraigadas em todos os setores da sociedade e, inclusive, no governo.

As práticas Budistas, Xintoístas, Confucionistas e doutrinais do império sempre enfatizaram a importância de ideias como: equilíbrio, cooperação, sacrifício, valorização da natureza, autoridade, comportamento adequado, desapego, compaixão, transcendência, meditação, harmonia com os seres e com o mundo, lealdade e trabalho.

Confúcio (孔子) exerceu forte influência no pensamento japonês durante o Xogunato Tokugawa e até os dias de hoje ainda é presente, de maneira implícita muitas vezes, nos ideais e nos costumes tradicionais da família japonesa e na política nacional.

Sobre os Psicólogos Japoneses e a Psicologia no Japão

Mais recentemente (Séc.XXI) temos visto uma crescente demanda na juventude japonesa para a busca de sentido na vida. O conceito japonês de Ikigai (生き甲斐) é um conceito relacionado ao propósito de vida que todos nós devemos ter para continuarmos vivendo.

A Logoterapia desenvolvida por Viktor Frankl disserta sobre o tema do Ikigai (いきがい) e é uma abordagem filosófico-psicológica que possui certa popularidade dentro do Japão, vide a quantidade gigantesca de obras franklianas traduzidas para o idioma japonês.

Abaixo você pode ver a capa de um dos livros de Viktor Frankl traduzidos no Japão:

Na capa está escrito: 人生の意味と神
Isto pode ser traduzido como “Deus e o sentido da vida”.

  • 意味 (いみ) = Sentido, significado.
  • 神 (かみ) = Deus.
  • 人生 (じんせい) = Vida.
  • Partícula と = Geralmente traduzida como “E”: liga dois substantivos.
  • Partícula の = Liga dois substantivos atribuindo características ou pertencimento. Geralmente se traduz como “do, da, de”.

Para complementar este artigo, é possível que eu elabore uma parte 2, mas por enquanto ficamos por aqui com uma frase motivacional:

“Nada proporciona melhor capacidade de superação e resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a consciência de ter uma missão a cumprir na vida.”

Viktor Frankl
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Yujiro Motora: O pioneiro

Um dos pioneiros da Psicologia Japonesa foi Yujiro Motora (元良勇次郎) que é considerado o primeiro psicólogo japonês de destaque. Nascido em Hyogo, faleceu precocemente com apenas 54 anos vítima de Erisipela. 

Motora (1858 – 1912) contribuiu principalmente no ramo da Psicologia Experimental, tendo feito pesquisas no ramo com eminentes psicólogos norte-americanos, como Stanley Hall. 

Yujiro Motora recebeu inúmeros prêmios e honrarias acadêmicas e governamentais e sua morte foi noticiada como uma grande perda para a ciência nacional.

Hayao Kawai: O fundador da Psicologia Analítica Japonesa

Hayao Kawai (河合隼雄) foi um psicólogo japonês de vertente junguiana. Considerado o principal responsável pela divulgação da teoria junguiana no país, faleceu em 2007  e escreveu vários livros, muitos traduzidos para o português. 

Um dos seus livros foi publicado no Brasil como: “A Psique Japonesa: grandes temas dos contos de fadas do Japão”. Abaixo podemos ver uma conferência de Hayao sobre os problemas da mente e das pessoas na modernidade:  (vídeo está em japonês)

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Honne (本音) e Tatemae (建前) e a Psicologia da Harmonia em Grupo

Numa sociedade hierarquizada que preza pela paz e pela harmonia social, é fundamental que os indivíduos procurem a harmonia em seu cotidiano. Por fatores culturais e históricos, o povo japonês têm a tendência de não manifestar opiniões políticas ou relacionadas com temas polêmicos em decorrência dessa tendência a buscar sempre a harmonia da coletividade. 

Nesse sentido, temos duas palavras que descrevem exatamente esse “modo de ser” japonês. Honne (本音) se refere ao que o sujeito realmente pensa mas que geralmente não emite.

Tatemae (建前) já se refere ao ato de “manter as aparências” ou omitir as próprias opiniões (sobretudo sobre temas “espinhosos”) com o objetivo de manter as coisas “suaves”.

Caso queira saber mais sobre Honne e Tatamae, recomendamos ler nosso artigo clicando aqui.

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Vocabulário sobre psicologia em japonês

Para finalizar o artigo vamos deixar uma lista de palavras em japonês relacionado com psicologia:

  • 気 (き) = Mente, espírito, alma.
  • 心理学 (しんりがく) = Psicologia.
  • 心理学者 (しんりがくしゃ) = Psicólogo.
  • 精神 (せいしん) = Espírito, Alma, Mente.
  • 哲学 (てつがく) = Filosofia.
  • 禅 (ぜん) = Zen.
  • 仏教 (ぶっきょう) = Budismo.
  • 神道 (しんとう) = Xintoísmo.
  • 神 (かみ) = Deus.
  • 人生 (じんせい) = Vida.
  • 意味 (いみ) = Sentido, significado.
  • ヴィクトールフランクル = Viktor Frankl.
  • 生き甲斐 (いきがい) = Ikigai.
  • 孔子 (こうし) = Confúcio.

Artigo publicado por: João Victor Gadelha

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