11 tipos de japoneses que você encontra no Japão

As pessoas sempre tiveram o costume de definir nações inteiras com um único rótulo. Alguns acham os japoneses educados, humildes e bondosos, enquanto outros os consideram preconceituosos, tímidos e antissociais.

A realidade é bem mais variada. O Japão é um país com uma enorme diversidade de personalidades e comportamentos, e não dá para reduzir os japoneses a uma única etiqueta. Neste artigo, vamos explorar onze tipos diferentes que é fácil encontrar em terras nipônicas — dos mais extrovertidos e sociais até os mais reservados e introspectivos. Cada um contribui, à sua maneira, para um retrato mais completo e realista do povo japonês.

Sumário 11

O japonês prestativo — "Helpful Hito"

No mundo anglófono, esse tipo é chamado de Helpful Hitohito (人) significa apenas "pessoa". Esse japonês faz de tudo para ajudar estrangeiros, principalmente turistas, e garantir que a primeira impressão sobre o país seja a melhor possível.

Se você mora no Japão há algum tempo, certamente já notou que parecer perdido em público atrai rapidamente um japonês solícito. Ele pergunta se você está desorientado ou precisa de um endereço, e os mais atenciosos acompanham você até a estação, o ponto de ônibus ou ainda ajudam a entender o cardápio do restaurante.

11 tipos de japoneses

O rei do tempo livre

É comum ouvir que os japoneses se matam de trabalhar. A realidade é que também há japoneses preguiçosos, tranquilos e despreocupados em todo lugar — às vezes com cabelo desarrumado ou tingido, falando de um jeito diferente, andando sem rumo pela rua. Alguns trabalham em negócios que não exigem muito esforço, outros não trabalham e poucos ganham bem sem fazer quase nada.

Vivem viajando pelo Japão e pelo mundo. Dê um passeio em pleno dia útil e você vai encontrar toneladas de pessoas que deveriam estar trabalhando, mas estão curtindo parques e pontos turísticos. Some a isso os estudantes que matam aula — alguns até dormem na sala — e quem se isola por medo da sociedade, os famosos hikikomori.

Cotidiano dos japoneses

O caçador de estrangeiros — Gaijin Hunter

O "Gaijin Hunter" aparece em várias versões. Alguns parecem generosos e atenciosos, mas sempre têm um interesse por trás. É difícil identificá-los, porque os japoneses são naturalmente gentis e educados.

Muitos Gaijin Hunters são mulheres que procuram um parceiro estrangeiro para exibir como troféu, ou para se casar e deixar o país. Pelo simples fato de você ser estrangeiro, você se torna especial, e isso dificulta distinguir interesse genuíno de uma atração passageira.

Não há nada de errado em querer se casar com um estrangeiro — muitos leitores do nosso site buscam exatamente isso, com a vantagem do visto de cônjuge. Às vezes, o caçador termina virando a presa.

O problema é que o caçador quase nunca se interessa pela sua cultura, seus gostos ou sua personalidade. O interesse pode sumir de uma hora para outra se a relação não for cultivada. Quem mora no Japão há tempo reconhece esse tipo com facilidade — basta um faro de aranha.

Encontros do dia a dia

O tarado

Por natureza, os japoneses evitam gírias com conotação sexual e temas quentes em público, muito mais do que no Brasil. Ainda assim, basta caminhar por certas ruas para encontrar coisas inesperadas: pôsteres de desenhos animados sugestivos, lojas de produtos eróticos, e todo tipo de pista sobre o lado mais cru da natureza humana.

Alguns se empolgam com personagens de anime e compram bonecas e travesseiros colecionáveis; outros roubam roupas íntimas, perseguem alunas pelas ruas para tirar fotos, ou espiam por frestas de provadores. Mulheres não ficam de fora — há casos de exibicionismo no trem.

Há ainda os famosos "tios", conhecidos como ero oyaji (velho tarado), que praticam stalking. Geralmente desleixados, abordam moças na rua com todo tipo de proposta. Quando não conseguem, partem para encontros arranjados, hostess bars, ou pior.

Cartazes no Japão

Tímido e antissocial

Esse é um tipo extremamente comum: a maioria dos japoneses tem um quê de timidez. Talvez seja por isso que tanta gente esteja solteira e recorra a aplicativos de namoro. Muitos têm dificuldade até para dizer uma palavra gentil ou agradecer a alguém que mal conhecem.

Outros parecem pessoas normais, mas evitam qualquer contato por medo de errar ou de não conseguir ajudar. É também por isso que muitos japoneses se afastam dos estrangeiros no trem — às vezes por receio de uma conversa em uma língua que não dominam.

Da timidez à antisocialidade, o passo é curto, e isso atrapalha a adaptação na escola e no trabalho. Alguns sofrem bullying, e em casos extremos, tiram a própria vida.

Máscaras no dia a dia

O "robô suicida"

Alguns japoneses não têm opinião própria, obedecem ordens e fazem hora extra para ganhar dinheiro que nunca vão conseguir gastar. Alguns trabalham tanto que chegam ao pior desfecho — daí o apelido duro de "robô suicida".

Não são "robôs" porque trabalham em fábrica, mas porque seguem ordens na escola, no escritório e até em casa. Não sabem dizer não, e se dedicam demais a tarefas que não precisariam desse esforço. Há quem se mate de estudar para o vestibular, falhe, e desmorone.

A maioria dos "robôs" japoneses tem aparência normal, discreta e pálida. Pessoas comuns que passam o dia trabalhando, comem ramen instantâneo e mantêm um hobby. Costumam ser ansiosos e incapazes de enfrentar adversidades, impor regras ou criar algo genuinamente novo.

Caminho da escola no Japão

O ninja internacional

Muitos japoneses são muito discretos e nunca falam sobre a vida pessoal. Trabalham com você, conversam com você, viram seus amigos, e no fim você sabe pouquíssimo sobre eles. Apesar do jeito fechado, são tão comuns no Japão quanto a sopa de missô.

Até que, um dia, eles soltam uma informação curiosa e interessante que você não fazia ideia de que existia. Às vezes, o colega japonês fala inglês ou português fluente, e você só descobre isso depois de muito tempo, quando a oportunidade finalmente surge.

Esses "ninjas" escondem seus talentos por motivos variados. Os japoneses não gostam de chamar atenção nem de se exibir. Se você não perguntar, nunca vai saber do que eles são realmente capazes. Entre eles circulam vários segredos.

Estética ninja

O aspirante a ocidental

É bonito ver japoneses interessados em outros países e culturas, especialmente quando é o nosso. Aprender uma segunda língua, viajar, alargar horizontes — tudo isso é maravilhoso e merece incentivo. Mas alguns exageram e tentam virar "ocidentais".

Esses perfis ficam insuportáveis: convictos de que o Japão é um desastre, sonham com uma vida no exterior. Frequentam bares com tema estrangeiro (onde às vezes viram Gaijin Hunters) e vivem reclamando da rigidez da sociedade japonesa. Recusam falar em japonês ou sobre o Japão, e só querem conversar sobre o lugar de onde você veio.

Alguns realmente não se encaixam na cultura em que nasceram, mas a postura se torna exaustiva. O mesmo vale para estrangeiros que idolatram o Japão e criticam o próprio país sem parar — esse jogo de espelhos cansa rápido.

Moda e tendências no Japão

O vampiro do inglês

Você falando português ou até japonês, o vampiro do inglês aparece para "sugar seu sangue". Essas pessoas só abordam estrangeiros com o objetivo de praticar inglês. Algumas se decepcionam se você não fala a língua.

Outros acham que é obrigação de todo estrangeiro ocidental saber inglês, e insistem em responder em inglês mesmo que você fale japonês. O vampiro do inglês é geralmente uma subcategoria do aspirante a ocidental, e raramente entende que nem todo mundo quer conversar em inglês.

Por sorte, você não precisa falar muito: a maioria deles tagarelam sem parar sobre a vida pessoal, idade, hobbies e experiências no exterior. Fique em silêncio e ouça. Goste ou não de inglês, prepare-se para encontrá-los na rua e nas lojas.

Cena cotidiana no Japão

O "lembrete de estrangeiro"

É inevitável: cedo ou tarde alguém vai te lembrar que você é estrangeiro. Alguns insistem em te responder em inglês, outros fofocam e te excluem da conversa, e há os que oferecem garfo e faca no restaurante achando que você não sabe usar os hashi.

Na maioria das vezes, isso acontece com a melhor das intenções. As pessoas acham que estão facilitando a vida do visitante ao oferecer alternativas aos costumes locais. Se você disser que é brasileiro, mais cedo ou mais tarde vão aparecer os nomes Neymar, futebol, samba, Rio de Janeiro — e, brincando, até capivaras.

Brasileiros no Japão

O preconceituoso

É a versão extrema do "lembrete de estrangeiro". A maioria é de velhos tradicionalistas de fábrica, que não gostam de ver o país "invadido" por estrangeiros. Alguns te insultam, fofocam nas suas costas, te excluem e não mostram o menor respeito. Soltam perguntas do tipo: "Por que você está aqui? Por que não volta para o seu país?"

Muitos brasileiros já passaram por experiências ruins com esse tipo de japonês — uma minoria, mas muito barulhenta. O melhor a fazer é manter distância, ignorar o que dizem e, principalmente, não deixar o preconceito deles virar o seu. Não se deixe contaminar.

Espero que o artigo tenha sido útil. Você já se deparou com algum desses tipos? Obrigado desde já pelos comentários e compartilhamentos.

Fontes e Links Úteis
Kevin Henrique

Sobre o Autor: Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

Comunidade

Comentários

0 comentários

Ainda não há comentários publicados neste idioma.

Enviar um comentário

Comente este artigo

Verificação anti-spam

Não envie links, embeds ou propaganda. O comentário passa por anti-spam e tradução automática antes de aparecer.