Em português, um único verbo cobre quase tudo: achar gostoso, planejar a carreira, sentir falta. No japonês, 思う (omou) e 考える (kangaeru) caem nessa mesma tradução — e é aí que o estudante se enrola.
Primeiro temos o verbo
omou (思う) que significa literalmente pensar, mas que dependendo do seu uso pode significar considerar, acreditar, julgar, avaliar, imaginar, supor, sonhar, esperar, sentir, desejar, querer, recordar e lembrar. Existe também um substantivo 思い que significa pensamento, imaginação, mente, coração, desejo, expectativa, esperança, amor, afeição, sentimentos, emoções e experiências.
Já o verbo
kangaeru (考える) significa literalmente pensar sobre algo, considerar, ponderar, refletir, chegar a uma conclusão, planejar, prever, antecipar, esperar, considerar e duvidar. É óbvio que não podemos dizer que essas palavras significam tudo isso, são apenas os sentidos e ideias que elas podem passar ao serem utilizadas em uma conversa ou texto.
Diferenças entre 思う e 考える
O
omou (思う) é mais subjetivo ou emocional, pode ser relacionado com preocupações, esperanças, carinho, suposição e imaginação. Envolve opiniões: você pensa com o coração, não com a lógica. O
kanji 思 traz 心 (coração) na parte de baixo — não é uma lei, mas combina com o uso. Já
kangaeru (考える) é um pensamento mais objetivo e lógico. Envolve examinar prós e contras, pensar com a cabeça.
Quando você acha ou pensa algo, tem determinada opinião subjetiva, você usa omou como na frase abaixo:
- おいしいと思う
- oishii to omou
- Eu acho que é gostoso
Quando o falante quer expressar uma opinião ou pensamento pessoal, ele pode usar um verbo na forma simples, um adjetivo ou uma frase nominal seguido de
と思う. Em conversa, esse と思う também amolece o que você diz: não é um decreto, é um palpite. Apesar de 考える ter o mesmo significado em alguns dicionários, ele costuma ter relação com planejamentos. Como no exemplo abaixo:
- 将来、医者になろうと考える
- shourai, isha ni narou to kangaeru
- Eu penso em (planejo) ser um médico no futuro
A mesma oposição aparece noutro par: 子どもの将来を思う é preocupar-se, imaginar o filho feliz ou inseguro. 子どもの将来を考える é sentar para olhar escola, dinheiro, caminho. Dá para dizer 今から考えよう. 今から思おう soa estranho, porque 思う não se liga tão bem a um interruptor de vontade.
Um teste rápido: se em português caberia “eu acho / eu sinto que”, quase sempre é 思う. Se caberia “estou ponderando / vou analisar”, quase sempre é 考える. Por isso existe 考えすぎる (pensar demais, ruminar o assunto) e não se fala 思うすぎる.
Existe também outra maneira de escrever
omou (思う) usando outro kanji (想う) que tem o mesmo significado de pensar. O verbo 想う é pouco usado e dá uma ideia e sensação de sentir e visualizar, como se estivesse vendo imagens na cabeça.
Existe também o verbo
zonjiru (存じる), forma humilde de “saber” e “conhecer”, que em registro formal às vezes puxa um “considerar”. Já
oboeru (覚える) significa memorizar, ter em mente e decorar: vizinho de pensar, mas outro ofício.
Essa não é a primeira vez que o japonês guarda duas palavras próximas, ou o mesmo som com ideogramas diferentes. O
verbo miru (見る, 観る, 視る, 診る e 看る) é o exemplo mais clássico.
Com o pedido, o português também aperta demais:
kudasai e onegai não são o mesmo favor.
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