Uma casa japonesa tradicional combina divisórias móveis, piso de tatami, entrada rebaixada e ambientes pensados para mudar de função. Nem toda residência atual reúne esses elementos, mas eles ajudam a entender a arquitetura doméstica do Japão.
Sumário 11
Shoji, fusuma e ranma: divisórias de correr
Portas e divisórias deslizantes permitem abrir um ambiente para outro ou separá-lo quando a casa precisa de mais privacidade. Essa flexibilidade é uma das características mais marcantes dos interiores tradicionais.

Shoji são painéis de madeira preenchidos com papel translúcido. Eles filtram a luz e podem funcionar como portas ou divisórias entre ambientes. O papel não é uma parede externa resistente: em uma casa tradicional, o shoji costuma aparecer dentro de uma composição arquitetônica mais ampla.
Fusuma são painéis opacos revestidos de papel ou tecido. Ao contrário do shoji, não foram feitos para deixar a luz atravessar; servem principalmente para dividir cômodos e esconder armários embutidos.
Ranma é o painel decorativo ou vazado instalado acima de portas e divisórias. Sua abertura pode favorecer a passagem de luz e ar, além de criar um detalhe ornamental.

Genkan: a entrada onde os sapatos ficam
Genkan é a área de entrada em que os moradores e visitantes tiram os sapatos antes de subir para o piso interno. Ela costuma ficar em nível mais baixo que o restante da casa, criando uma separação prática entre a rua e os ambientes domésticos.

Depois de tirar os calçados, é comum deixá-los alinhados no genkan, com a frente voltada para a saída. Dentro da casa podem ser usados chinelos, mas eles não substituem os calçados próprios para o banheiro. O costume também aparece em escolas, templos, hospedarias e outros edifícios no Japão.
Leia também: 10 calçados tradicionais japoneses
Engawa: corredor entre a casa e o jardim
O engawa é uma faixa de circulação geralmente posicionada junto à parte externa da casa. Em residências tradicionais, ele funciona como uma transição entre os cômodos e o jardim, protegendo as aberturas e oferecendo um lugar para observar o exterior.

Tokonoma: nicho decorativo da sala
O tokonoma é um nicho elevado encontrado principalmente na sala de recepção de casas tradicionais. Nele podem ser exibidos um pergaminho, uma composição floral, uma peça de cerâmica ou outro objeto escolhido de acordo com a estação e a ocasião.
O espaço não é uma prateleira para guardar objetos do dia a dia. Sua função é destacar uma composição e dar um ponto de atenção ao ambiente. Bonsai, ikebana e shodo aparecem associados a esse tipo de decoração, embora não sejam obrigatórios.

Veja também:
- Bonsai – A arte japonesa de árvores em miniatura
- Ikebana – A arte japonesa dos arranjos florais
- Shodo – A arte da caligrafia japonesa
Wagoya: estruturas de madeira encaixada
Wagoya se refere a técnicas de carpintaria que usam encaixes e junções de madeira. A construção tradicional japonesa desenvolveu soluções complexas para unir peças sem depender apenas de pregos ou parafusos.
Isso não significa que toda casa japonesa seja construída sem metal, nem que uma estrutura desse tipo seja automaticamente resistente a terremotos. Desempenho estrutural depende do projeto, dos materiais, da manutenção e das normas da construção.

Tatami: o piso que também mede o ambiente
Tatami é uma esteira revestida por uma camada trançada de junco e usada como piso em muitos cômodos tradicionais. O tamanho varia conforme a região e o tipo de tatami, mas a dimensão da esteira influenciou a maneira de planejar os ambientes.
Quartos, salas e casas podem ser descritos pela quantidade de tatami que comportam. Como o piso é delicado, recomenda-se não entrar sobre ele com sapatos e evitar arrastar móveis pesados.

Saiba mais sobre o tatami e sua presença na arquitetura japonesa.
Kotatsu, chabudai e zabuton: móveis baixos
O kotatsu é uma mesa baixa com uma fonte de calor sob o tampo e um cobertor que retém o ar quente. No inverno, ele pode ser usado para descansar, estudar ou fazer uma refeição.

Chabudai é uma mesa baixa usada quando as pessoas se sentam no chão. O zabuton é uma almofada fina colocada sobre o tatami ou outro piso. Esses objetos combinam com ambientes de pouca mobília, mas também podem aparecer em casas modernas.
Entenda como funciona o kotatsu e veja também o uso do futon.

Ofurô: banho separado da higiene diária
Ofurô é a banheira usada para um banho quente. Na casa japonesa, o banho costuma seguir uma ordem diferente da que muitos visitantes conhecem: a pessoa se lava fora da banheira e entra nela depois, com o corpo limpo, para relaxar.
Por isso, o espaço de banho normalmente separa a área do chuveiro da banheira. O modelo, o tamanho e o material mudam conforme a casa; banheiras de madeira são associadas a alguns ambientes tradicionais e hospedagens, mas não representam todos os lares japoneses.

Leia também:
- História do Japão Imperial – Restauração Meiji e Guerras
- Onsen – Fontes termais naturais do Japão
- Ryokan – As charmosas hospedarias japonesas
Irori: lareira embutida no piso
O irori é uma lareira aberta instalada no piso, tradicionalmente usada para aquecer o ambiente e preparar alimentos. Um gancho regulável, chamado jizaikagi, pode sustentar uma panela sobre o fogo.
O irori se tornou raro em residências modernas. Hoje, é mais provável encontrá-lo em casas preservadas, museus, restaurantes rurais e algumas hospedarias que mantêm elementos de construções antigas.

Sudare: cortinas de bambu e outros materiais
Sudare são persianas ou cortinas feitas com tiras de bambu, junco ou outros materiais naturais. Elas reduzem a incidência direta do sol e permitem a circulação de ar, sendo especialmente associadas às estações mais quentes.
Há modelos simples para uso cotidiano e peças ornamentadas para interiores tradicionais. O material, a trama e o acabamento variam conforme o lugar e a finalidade.

Como esses elementos se combinam?
O ponto em comum não é uma aparência única, mas a relação entre espaço, luz, circulação e uso cotidiano. Shoji e fusuma mudam a divisão dos cômodos; o tatami organiza o piso; o genkan marca a passagem da rua para a casa; e o engawa cria uma transição para o jardim.
Em uma residência contemporânea, alguns desses elementos podem aparecer isolados ou em versões adaptadas. Conhecer seus nomes ajuda a interpretar casas históricas, ryokan, templos, museus e cenas de filmes e séries ambientados no Japão.
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