Naita Aka Oni: o oni vermelho que chorou

Naita Aka Oni: o oni vermelho que chorou

Do cartaz na porta até a carta lida em silêncio, com o oni vermelho e o oni azul.

Histórias, contos, fábulas e lendas estão presentes em todas as partes do mundo. Algumas são só para divertimento e distração, e outras têm um significado mais profundo. As fábulas, por exemplo, quase sempre vêm com alguma lição. A que vamos contar é Naita Aka Oni, o oni vermelho que chorou.

Hamada Hirosuke publicou esse conto em 1933, na revista infantil Kashikoi Shōgaku Ninensei, da Seibunkan, a partir do número de agosto, com o título Oni no sōdan (おにのさうだん), a consulta do oni. Em 1934 ele saiu em outra revista infantil como Oni no namida, as lágrimas do oni. O livro de julho de 1935 entrou na coletânea Hirosuke hiragana dōwa, os contos em hiragana do Hirosuke, da livraria Okamura, e o nome Naita Aka Oni só ficou firme em 1937. Oni é a criatura de chifres do folclore japonês, e em português a palavra costuma sair como ogro. Como o nosso foco é o Japão, nada mais justo do que trazer uma história desse país. São dois oni, um vermelho e um azul. Quem quiser o retrato mais largo da criatura pode ler o oni na mitologia japonesa.

Pode ser uma história voltada para o público infantil, mas não deixa de ser interessante para todos os públicos. Se você gostar desta história, temos outra no site, o conto do velho que florescia árvores.

Pintura de um oni azul de chifres ao lado de dois lutadores de chifre de Dragon Ball, um azul e um vermelho, diante de um menino de roupa laranja

Você já deve ter visto essa figura em algum anime ou mangá. Eu mesmo já percebi algo relacionado em Ore Monogatari, em Darling in the Franxx e em Dragon Ball Z. No quadro acima, a pintura de um oni azul fica ao lado de dois lutadores de chifre do Dragon Ball, um azul e um vermelho, de camisa com a palavra HELL, diante de um menino de roupa laranja. Logo abaixo, a Zero Two aparece com pele vermelha e chifres.

Zero Two, de Darling in the Franxx, com pele vermelha, cabelo branco e chifres, diante de um rapaz de cabelo escuro

A casa do oni gentil

Uma vez, havia dois oni. Um era vermelho e o outro era azul. O vermelho queria ser amigo das crianças de uma aldeia próxima e colocou uma placa na frente de casa:

  • Casa de um oni de coração gentil
  • Todos são bem-vindos
  • Tem chá e bolos gostosos

Ninguém apareceu. O oni vermelho ficou intrigado, triste e zangado. "Eu sou um oni tão gentil, por que ninguém viria me ver?" No desespero, derrubou a placa: "Isso é inútil".

O amigo, o oni azul, viu o que ele sentia e disse: "Olha, eu tenho um plano." O azul iria até a aldeia e fingiria um ataque. No meio do susto, o vermelho apareceria, afastaria o amigo e protegeria as crianças. Assim todo mundo veria que o vermelho era gentil. O vermelho achou o plano injusto com o amigo, mas o azul o levou mesmo assim.

E assim foi feito. O plano deu certo. O oni vermelho virou a criatura mais querida das crianças, e elas passaram a ir brincar na casa dele.

Quatro quadros de um desenho com crianças, uma figura escura de cabelos soltos e um vulto azul de chifre curvado

Depois de um tempo nessa companhia, uma coisa não saía da cabeça do vermelho: o azul não aparecia mais. Foi até a casa do amigo para contar como a vida tinha mudado. A porta estava fechada, e ao lado havia uma carta.

Na carta que os resumos do conto trazem, o azul pede que ele viva bem com a gente da aldeia. Se os dois continuassem juntos, as pessoas podiam achar que o vermelho também era um oni mau. Por isso o azul partia numa viagem longa. Não esqueceria o amigo, pedia que ele se cuidasse e assinava que continuaria amigo onde estivesse.

O oni vermelho leu a carta em silêncio, duas ou três vezes, e chorou. As lágrimas já não desfaziam o que tinha acontecido. Os dois não se viram de novo.

O que a carta deixa

O azul aceitou o papel de vilão para a aldeia confiar no vermelho e, quando o plano deu certo, foi embora para que a aldeia não descobrisse a amizade dos dois. O choro vem quando o vermelho lê, na porta fechada, o que o amigo fez por ele.

É como dizem, “só damos valor para aquilo que temos quando perdemos”. O amigo que bolou o plano estava ao lado o tempo todo, e a casa cheia de crianças não traz de volta a visita que deixou de acontecer.

Nem todos nós temos um amigo com quem possamos contar para tudo. A carta ainda guarda essa amizade rara: o azul continua amigo, mesmo longe.

O conto também entrou na escola. No livro de moral do quarto ano da Mitsumura Tosho, Kimi ga ichiban hikaru toki, ele fica no tema de amizade e confiança. Um plano de aula de 2018 aponta esse conto na página 80 desse livro. Em 2011, o filme friends もののけ島のナキ, Naki na ilha dos mononoke, usou o conto como ponto de partida e seguiu outro enredo.

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

Comunidade

Comentários

0 comentários

Ainda não há comentários publicados neste idioma.

Enviar um comentário

Comente este artigo

Verificação anti-spam

Não envie links, embeds ou propaganda. O comentário passa por anti-spam e tradução automática antes de aparecer.