Homestay no Japão: como é viver em casa de família

Homestay no Japão: como é viver em casa de família

Conviver, não só dormir: o que esperar ao se hospedar numa casa japonesa.

Já aconteceu de alguém vender “casa de família” no Japão e, na chegada, a chave estar numa caixinha: apartamento vazio, zero mesa compartilhada. Isso existe. Homestay, no sentido que interessa a quem quer conviver, é outra rotina — tem gente morando no mesmo teto e você tira o sapato na entrada — o genkan — antes de pisar em casa. O nome ainda mistura três situações bem diferentes: programa pago (escola ou agência), estadia voluntária e sofá de amigo. Preço, privacidade e quanto japonês você ouve no jantar mudam conforme o tipo. Vale saber qual você está reservando. Homestay é, literalmente, casa de família: moradores no Japão recebem o visitante em casa, com comida, conversa e um pedaço da rotina. Não precisa chegar falando japonês fluente. Famílias acostumadas a estudante costumam ter paciência; o ponto é tentar se comunicar, não fingir que já sabe. Família japonesa no tatami recebendo visitas e, ao lado, almoço em família à mesa Às vezes sai mais em conta do que hotel, porque o pacote pode incluir café da manhã, jantar e o conforto de uma casa. Só que “super barato, 80 reais por dia” já não descreve o mercado. Em programas de escola de japonês, a diária com café da manhã costuma ficar na casa dos 4.500 a 6.500 ienes; em plataformas de quarto em casa de família, os anúncios aparecem a partir de cerca de 2.500 ienes, conforme cidade e refeições. Meia pensão, quando existe, entra à parte.
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Homestay e minpaku não são a mesma coisa

Minpaku (民泊) é o aluguel de moradia por temporada: um quarto ou a casa inteira, muitas vezes sem a família no dia a dia. A lei de hospedagem em residência limita esse tipo de negócio a 180 dias por ano. Há minpaku registrada em plataformas conhecidas; também há anúncio sem registro, e aí o risco fica com quem dorme lá. Homestay de intercâmbio é convivência. Estadia rural (nouhaku) e fazenda — às vezes com trabalho leve em troca de teto — são outro recorte, mais interior do que centro de Tóquio. Se o que você quer é alguém te ensinando a dobrar o futon, filtrar “casa” no aplicativo de aluguel não basta.

Preparando para o homestay no Japão

A primeira coisa é escolher localização e família. Seja por escola, site, amigos ou telefone, peça o máximo de informação: estação de trem, tempo até o centro, o que a casa serve no café da manhã e no jantar. Natto, peixe cru e alguns vegetais aparecem com frequência; alergia precisa estar no combinado antes do avião. Os programas sérios descrevem a família, o quarto e as refeições. Confira o que está incluso, se o quarto é privativo, se há toque de recolher para menor de 20 anos, e se a casa aceita dieta restrita — vegetariano às vezes dá, vegano quase nunca entra no prato da família. Mulher recebe um buquê na porta; ao lado, hóspedes e anfitriões cozinham juntos Leve um presente. Já escrevemos um artigo sobre omiyage: algo do seu país, doce, lembrancinha compacta. Presentear ao chegar na casa de alguém no Japão não é frescura de guia — faz parte do primeiro cumprimento.

Na casa de família japonesa

No Japão se tira o sapato para entrar. Você pode levar chinelo próprio, só não use no tatami; no banheiro costuma haver outro calçado. O lugar de deixar o sapato fica óbvio no genkan, e a família ajuda se você travar no degrau. Não importa se você está pagando. Famílias que recebem de verdade gostam de mostrar a cidade: restaurante local, parque, caminhada fora do centro. Esteja pronto para ir e para comer o que colocarem na mesa — recusar tudo de cara fecha a conversa mais rápido do que o japonês travado. Chinelos alinhados no degrau de madeira e geta no genkan; à direita, washitsu com mesa baixa No banho, lave o corpo fora da banheira antes de entrar. A água do ofurô é compartilhada pela casa, então sabão na tina é o tipo de erro que ninguém esquece. Na hora da refeição, diga itadakimasu e use o hashi sem espetar, sem apontar e sem fincar no arroz. Tem mais regra de mesa, mas essas duas já evitam a maior parte do constrangimento. Muita casa não tem “quarto de hóspede” no sentido ocidental. Pode ser a sala de tatami e um futon no chão. Parece estranho na primeira noite; de manhã, dobre o colchão. Na despedida, algumas pessoas ficam acenando até você sumir da rua. Eu presenciei isso todo dia. Foi tão amoroso.

Minha experiência em um homestay

Durante minha viagem ao Japão em 2016 eu fiquei de forma gratuita em 5 casas de amigos. A diferença entre se hospedar na casa de alguém que cobra pelo homestay é que possivelmente eles vão estar grande parte do tempo disponível para te dar atenção. Já as famílias que me hospedaram trabalhavam, mas eu tive boas experiências em todas elas. Colagem da viagem de 2016: refeições, ruas, pratos japoneses e grupos de amigos A primeira família que me hospedou era brasileira. A casa era enorme, quebrando o paradigma de casas pequenas no Japão. Tinha 2 andares e eu dormi em uma cama de casal. Nessa casa eu fiquei apenas um dia. A família me levou para almoçar no KFC, fazer compras no Costco e jantar num restaurante chinês. Teve outro dia que fiquei em Hamamatsu na casa de um brasileiro que me levou para diversos locais, yakiniku e até mesmo onsen. Outras 2 famílias me hospedaram por quase uma semana na cidade de Osaka. Elas me levaram para passear pela cidade e proporcionaram o tipo de dia que hotel não agenda. Durante a viagem, estar hospedado na casa de família foi o que deixou o Japão menos solitário. É muito melhor estar acompanhado do que andando sozinho por aí. Homestay não é hotel com sorriso. Se você precisa de silêncio absoluto e zero regra de casa, um quarto de business hotel resolve melhor. Se o que falta na viagem é alguém do outro lado da mesa — pago, voluntário ou amigo — a casa ainda é o atalho mais curto para o Japão que não aparece na estação.
Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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