O Japão é um arquipélago. Durante décadas a conta oficial falava em 6.852 ilhas; em 2023, o recenseamento digital da Autoridade de Informação Geoespacial chegou a 14.125. A maior parte disso não entra no roteiro clássico de Tóquio, Quioto e Okinawa.
Esta lista junta 11 ilhas menores — algumas com poucas dezenas de moradores, outras famosas por coelho, gato, vulcão ou ruína. O mapa completo das 14.125 ilhas do Japão é outra conversa; aqui o recorte é outro: destinos pequenos, estranhos ou simplesmente ignorados.
Sumário 12
Aogashima — a ilha do vulcão
O mais interessante é que essa ilha é um vulcão dentro de outro vulcão. Aogashima fica no sul das ilhas de Izu, cerca de 358 quilômetros ao sul de Tóquio. Tem uns 6 quilômetros quadrados e cerca de 170 moradores.
Apesar do tamanho, há hospedagem simples, camping e comida suficiente para quem chega. A caldeira dupla lembra, para muita gente, o recorte de vulcão de Kimi no Na Wa — sem ser, por isso, um “cenário oficial” do filme.

Não há voo direto até Aogashima. O caminho passa por Hachijojima: de Haneda até lá o trecho aéreo dura cerca de 50 minutos; de Hachijojima, helicóptero de uns 20 minutos (com reserva) ou barco de cerca de 2 horas e meia, sujeito a clima. Helicóptero tem poucos assentos e costuma servir também os moradores.
Okunoshima — a ilha dos coelhos
Okunoshima, na província de Hiroshima, ficou famosa pelos coelhos soltos: dá para vê-los no caminho, alimentá-los com ração vendida no local e perceber que o bicho manda no ritmo da visita. Não há censo confiável; relatos antigos falam em mais de mil, mas o número muda.
A origem mais repetida é a de oito coelhos soltos em 1971, depois de experimentos. A paz fofa convive com um passado pesado: a partir de 1929 a ilha abrigou uma fábrica de armas químicas, ativa até a Segunda Guerra. As ruínas e o pequeno museu do gás ainda estão lá.

Quem quer o passo a passo de balsa, hotel e etiqueta com os animais encontra no texto sobre a ilha dos coelhos de Okunoshima.
Hashima (Gunkanjima) — a ilha abandonada
Hashima, na costa de Nagasaki, é conhecida como Gunkanjima: “ilha encouraçado”, pelo perfil que lembra um navio de guerra. Ficou famosa no mundo depois de aparecer como referência visual da cidade morta de Skyfall, em 2012.
A mina de carvão submarina fez a ilha crescer de 1890 a 1974. No auge, em 1959, chegou a mais de cinco mil moradores num pedaço minúsculo de concreto. Quando a mina fechou, famílias deixaram prédios, escolas e apartamentos para trás. Desde 2009 há tours de desembarque, com reserva; em 2015 Hashima entrou na lista da Unesco como parte dos sítios da Revolução Industrial Meiji.

Shikinejima — uma ilha tropical perto de Tóquio
É difícil acreditar que exista ilha de praia, camping e mergulho a cerca de três horas de ferry rápido a partir de Tóquio. Shikinejima, no arquipélago de Izu, dispensa a fila de Okinawa quando o que se quer é mar e menos gente.
O detalhe que a torna diferente: onsen à beira-mar. No Jinata Onsen a água quente sobe entre as pedras; na maré baixa queima, e só fica banhável quando o mar mistura. Ashitsuki é mais manso. Quem está montando roteiro de verão pode cruzar com as melhores praias do Japão no verão.
Tashirojima — a ilha dos gatos

Tashirojima é uma ilha pequena em Ishinomaki, Miyagi, no Pacífico. Com cerca de cem moradores, os gatos ganham de lavada. Cães são tratados como inimigo: só entra cão de serviço.
Não é a única. O Japão acumula ilhas de gato, coelho, cervo e raposa — um recorte que o texto das ilhas dos gatos no Japão amplia, inclusive a outra Aoshima, em Ehime, que não deve ser confundida com a de Miyazaki mais abaixo.
Itsukushima e Miyajima
Itsukushima, também chamada Miyajima, fica em Hatsukaichi, a uns 10 quilômetros de Hiroshima. Itsukushima quer dizer o lugar onde o kami reside: o torii gigante na água e o santuário sobre a baía viraram cartão-postal do Japão. O significado do torii ajuda a ler o portal antes de chegar perto.
Na ilha há trilha, cervos soltos (no mesmo espírito de Nara), lojas, matcha, o aquário e o cume do monte Misen, com cerca de 535 metros. O mar é o Seto Naikai [瀬戸内海]. No verão a praia encosta no torii; há também onsen para quem alonga o dia.
O caminho clássico: trem até Miyajimaguchi (cerca de 30 minutos a partir de Hiroshima) e balsa de uns 10 minutos. Balsa, não bondinho. Miyajima é o nome da vila na ilha de Itsukushima; na prática os dois nomes se misturam.

O santuário e o torii de Miyajima
Construído sobre a baía, o santuário parece flutuar na maré alta — um recorte da arquitetura Heian. Na maré baixa dá para caminhar até o torii. A tradição local aponta fundação no século VI; a existência está documentada a partir de 811. No período Heian (794–1185) era o “santuário do país de Aki”, dedicado às kami do mar Ichikishima, Tagori e Tagitsu. Reformas grandes datam de 1168; o conjunto sofreu incêndios e foi reconstruído. As últimas reformas grandes de 1875 convivem com partes bem mais antigas.
O Santuário de Itsukushima é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1996. Vale cruzar a visita com a tábua de marés: é a maré alta que entrega a foto do portal no mar. Meio de semana costuma ser menos cheio que o fim de semana.
Tomogashima — a ilha da Segunda Guerra

Tomogashima é um grupo de ilhas na entrada da baía de Osaka, em Wakayama. No período Meiji virou fortaleza; o acesso civil ficou fechado até o fim da Segunda Guerra. Hoje integra o Parque Nacional Setonaikai. A balsa sai de Kada e leva cerca de 20 minutos até Okinoshima, a ilha que se visita: trilhas, camping e baterias de tijolo vermelho tomadas pelo mato.
Odaiba — a ilha artificial de Tóquio
Odaiba é ilha feita pelo homem na baía de Tóquio: museus, shoppings, o robô gigante que virou foto obrigatória, um onsen urbano e uma orla para caminhar. Não tem a escala “deserta” das outras desta lista, mas continua sendo ilha — e um dos pontos mais fáceis de encaixar num roteiro de capital.
O texto específico sobre Odaiba em Tóquio cobre como chegar e o que vale o dia.

Tsunoshima e a ponte Ōhashi
Tsunoshima [角島] fica em Yamaguchi. O nome significa ilha do chifre: formato da costa e criação de gado. Há colina gramada, farol, praia e vilas de pesca.
O acesso é a ponte Ōhashi, com 1.780 metros, inaugurada em 2000: uma das mais longas pontes gratuitas do Japão, em arco suave sobre o mar azul-cobalto, contornando a ilhota de Hatoshima. O texto da ponte de Tsunoshima entra no farol e no ângulo da foto.

Enoshima
Enoshima está na baía de Sagami, Kanagawa. Tem praia, vista para o Fuji em dia limpo e duas pontes: a Benten-bashi de pedestres, com 389 metros, e a Ōhashi de carros, com 324 metros. Na maré baixa aparece um tombolo de areia até o continente.
As atrações sobem a colina — escada rolante ajuda — até o jardim (Samuel Cocking) e o farol de observação Sea Candle. O texto da ilha de Enoshima cobre santuário, cavernas Iwaya e os cadeados.

Aoshima, em Miyazaki
Aoshima [青島] é uma ilha miúda ao sul das praias de Miyazaki: 4,4 hectares e uns 6 metros de altura. Uma ponte liga ao continente; no centro, selva subtropical e o santuário Aoshima Jinja. No meio do verde há um santuário menor associado a casais, onde se compram discos de barro para atirar num alvo.
Na água rasa, na maré baixa, aparece o Oni no Sentakuita — a “tábua de lavar do diabo”: linhas de rocha tão retas que parecem feitas à mão, e não são. A volta a pé na praia tem cerca de 1,5 km, com barracas de souvenir no caminho.

Esta Aoshima de Miyazaki não é a Aoshima de Ehime, a ilha dos gatos. São dois lugares com o mesmo nome e papéis diferentes no mapa.
Onze ilhas não esgotam o arquipélago. Servem para lembrar que o Japão, longe das quatro principais, ainda cabe num barco, numa ponte ou num vulcão com 170 pessoas.
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