As chamadas ilhas dos gatos no Japão atraem viajantes pela cena inusitada de felinos caminhando perto do porto, descansando nos muros e dividindo espaço com vilarejos pequenos. O nome nekojima [猫島] é uma forma popular de falar dessas ilhas, mas não descreve um parque temático: são comunidades reais, com moradores, rotina própria e regras que merecem respeito.
Entre os destinos mais conhecidos estão Tashirojima, na província de Miyagi, e Aoshima, em Ehime. As duas ficaram famosas pela grande presença de gatos, porém oferecem experiências bem diferentes. Antes de montar o roteiro, vale entender como chegar, o que existe em cada ilha e por que não se deve tratar os animais como atração sem contexto.
Se a curiosidade começou pelo significado de neko, leia também Neko: gatos no Japão.

Sumário 6
Por que algumas ilhas japonesas têm tantos gatos?
Não existe uma única explicação para todas as ilhas. Em comunidades ligadas à pesca, gatos foram valorizados por ajudarem a afastar roedores e passaram a fazer parte do cotidiano local. Em Tashirojima, por exemplo, a relação entre pescadores e gatos virou tradição: os animais são associados à boa sorte e há até um pequeno santuário dedicado a eles.
Com o passar dos anos, a redução da população humana em algumas ilhas e a reprodução dos gatos deixaram esse contraste mais visível. Ainda assim, números de moradores, gatos, barcos e serviços mudam. Por isso, prefira confirmar horários e orientações com os canais locais antes de sair.
Tashirojima, a ilha dos gatos em Miyagi
Tashirojima fica diante de Ishinomaki, na província de Miyagi. É a ilha mais lembrada quando alguém procura uma nekojima no Japão, tanto pela quantidade de gatos quanto pela paisagem de vilas pesqueiras, trilhas curtas e mar aberto. A chegada costuma ser feita por balsa a partir de Ishinomaki; confira o horário atualizado antes de viajar, porque as saídas são limitadas.
Um dos pontos simbólicos é o Neko-jinja, pequeno santuário ligado a uma antiga história de pescadores. Outro detalhe curioso é Manga Island, área conhecida por hospedagens e construções com referências a gatos e mangá. A fama não muda o ritmo do lugar: restaurantes, lojas, banheiros e opções de compra podem ser escassos. Leve o necessário, preserve o silêncio e recolha todo o lixo.

Aoshima, uma visita mais simples em Ehime
Aoshima fica em Ōzu, na província de Ehime, no mar Interior de Seto. A ilha também é conhecida pelos gatos que circulam livremente perto do vilarejo. A experiência é mais rústica: o acesso depende de balsa regular e não há a estrutura de uma cidade turística. Não conte com restaurantes, lojas de conveniência ou máquinas de venda para resolver necessidades básicas.
Esse cenário pede planejamento. Consulte a operação da balsa no dia da visita, leve água e alimentos quando necessário e não deixe resíduos na ilha. A parte interessante de Aoshima não é disputar uma fotografia com os gatos, mas observar uma comunidade pequena onde eles fazem parte da paisagem e da rotina.
Outras ilhas associadas a gatos
Tashirojima e Aoshima são as referências mais populares, mas não são as únicas. Em diferentes regiões do Japão, visitantes também encontram gatos em ilhas como Ainoshima, Sanagishima, Manabeshima e Sakushima. A presença dos animais, as regras de alimentação e as condições de acesso variam bastante de um lugar para outro.
Enoshima, em Kanagawa, é uma alternativa para quem quer incluir gatos em um roteiro com mais infraestrutura. Ela não tem o mesmo perfil isolado de Tashirojima ou Aoshima, mas combina praias, santuários, cavernas e ruas onde os gatos aparecem com frequência. Veja o guia sobre a ilha de Enoshima e os cadeados do amor.
Outra ilha conhecida por animais é Okunoshima, a ilha dos coelhos. Os dois destinos podem despertar a mesma curiosidade, mas cada comunidade tem história, regras e desafios próprios.

Como visitar uma ilha dos gatos com respeito
- Confirme a balsa: horários, frequência e operação podem mudar com clima, temporada ou manutenção.
- Não alimente os gatos por conta própria: siga os avisos locais. A alimentação sem regra pode prejudicar a saúde dos animais e o trabalho de quem cuida deles.
- Não force contato: deixe o gato se aproximar, evite persegui-lo e não o tire do lugar onde está descansando.
- Respeite as casas: moradores não vivem em um cenário turístico. Evite barulho, entradas em áreas privadas e fotos invasivas.
- Leve seu lixo embora: ilhas pequenas nem sempre têm coleta ou estrutura para visitantes.
Tashirojima ou Aoshima: qual escolher?
Tashirojima costuma ser a melhor escolha para quem busca um roteiro mais organizado, com paisagem, trilhas, santuário e opções de hospedagem em períodos específicos. Aoshima faz mais sentido para quem aceita uma visita curta e simples, com pouca infraestrutura e planejamento mais cuidadoso.
Em ambos os casos, o melhor momento não é quando aparece o maior número de gatos na câmera. É quando a visita respeita o ritmo da ilha, dos moradores e dos próprios animais. Esse cuidado transforma uma curiosidade de viagem em uma experiência mais interessante e responsável.
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