Máscara de cabeça de cavalo: como o meme viralizou

Máscara de cabeça de cavalo: como o meme viralizou

Halloween americano, anonimato no Nico Nico e o aperto de mão em Denver.

Você provavelmente já viu, em rede social, vídeo ou anime, alguém com uma cabeça de cavalo. É ridículo o bastante para dar vontade de tirar foto — e é exatamente isso que fez a peça sair da festa à fantasia e virar meme. A máscara de vinil e látex, vendida como Horse Head Mask, nasceu para assustar no Halloween. No Japão, a mesma cara de cavalo virou também um jeito de ficar anônimo na web. O salto entre as duas coisas não foi um único vídeo milagroso.
Sumário 4

De onde veio a máscara de cabeça de cavalo

A peça original veio da Archie McPhee, loja de novidades de Seattle. Entrou no mercado americano no começo dos anos 2000 como fantasia de Halloween: látex marrom, crina de pelo sintético, focinho realista demais para ser fofo. A própria loja descreve quem a usa como perturbador. O efeito saiu pela culatra: assusta menos do que provoca risada. Não existe um botão de “viralizou aqui”. O que houve foi uma sequência de empurrões, alguns americanos, outros bem japoneses.

Como o meme da cabeça de cavalo viralizou

Uma das primeiras viradas de uso aconteceu em 2005, no Lonely Planet Guide to Experimental Travel. O guia sugeria um experimento chamado Horse Head Adventure: um do grupo viaja de máscara de cavalo enquanto o resto observa a reação das pessoas. De 31 de outubro, a peça virava desculpa para bagunçar a rua em qualquer mês. Pouco depois, o comediante Tom Green apareceu com a máscara no programa de internet Tom Green's House Tonight, gritando e sacudindo a cabeça. Aí o objeto deixou de ser só vitrine de loja de Halloween. O pico veio no começo dos anos 2010. Em 2010, o Google Street View fotografou em Aberdeen, na Escócia, um homem que ficou conhecido como Horse Boy. Em 2012, durante a cobertura do furacão Sandy, um jogger sem camisa e de cabeça de cavalo atravessou uma reportagem ao vivo em Washington. Fotos em estádio, no banheiro, alimentando um cavalo de verdade: a máscara funciona porque o resto da cena continua normal. Montagem com Barack Obama cumprimentando um homem de máscara de cavalo e outras cenas do meme O empurrão mais visível chegou em julho de 2014. Em Denver, depois de um jantar no centro, Barack Obama parou na 15th Street para cumprimentar quem estava na calçada — inclusive um sujeito de máscara de cavalo. A foto do aperto de mão rodou o mundo e reabriu a conversa sobre de onde tinha saído aquela cara.

Como a máscara pegou no Japão

No Japão a peça virou 馬マスク (uma-masuku). O empurrão mais antigo no desenho veio de um anime de 2003: Full Metal Panic? Fumoffu (フルメタル・パニック? ふもっふ). O personagem ぽに男 (Pony-man) usa uma cabeça de cavalo, só fala “poni” e persegue garotas com escova, arame e cola para forçar um rabo-de-cavalo. Não é o meme americano copiado à letra; é o mesmo objeto já à venda, enfiado numa piada de escola. Cenas de anime: garota de vestido rosa com máscara de cavalo e outra com o focinho encostado no rosto A máscara também aparece em animes de cotidiano. No recorte acima, uma menina de Ichigo Mashimaro (Strawberry Marshmallow) e uma cena no estilo de Boku wa Tomodachi ga Sukunai: o objeto já era reconhecível o bastante para funcionar como gag visual, sem precisar de explicação. O que consolidou a 馬マスク na internet japonesa foi o Nico Nico Douga. Quem queria gravar sem mostrar o rosto escolhia a máscara de Scream, o capacete de Darth Vader — ou a cabeça de cavalo. Diferente das outras duas, esta não veio de um filme famoso: pegou por adoção em massa. O nome que costuma aparecer nessa história é o do artista ヲタケン (Wotaken). Em 2007 ele já se filmava de máscara de cavalo. No fim daquele ano e no começo de 2008, um vídeo em que dança quase nu, cozinha cogumelos e usa a faixa “Dancing Mad” de Final Fantasy (妖星乱舞) estourou no YouTube, passou de dois milhões de views e depois saiu do ar. Foi esse empurrão, mais do que qualquer campanha, que levou a máscara da Nico Nico para o resto da web. Na TV aberta, a fabricante japonesa Aico liga outro salto de reconhecimento a um quadro de encontro de めちゃ×2イケてるッ!, em que Takashi Okamura apareceu de cabeça de cavalo. Antes disso, o objeto já era conhecido no circuito da Nico Nico; a televisão só tornou a cara impossível de ignorar. Pode não ter nascido da máscara de Halloween. Mesmo assim existe o jogo visual novel Uma no Prince-sama (うまのプリンスさま), de 2016: uma garota e um cavalo com cara de ikemen. É o mesmo humor torto de misturar cavalo e gente, só que do outro lado — o corpo é de cavalo, o rosto é humano. Quem compara a 馬マスク com outras máscaras japonesas percebe a diferença: kitsune, hannya e tengu carregam folclore. A cabeça de cavalo chegou de loja americana e virou disfarce de otaku.

Comprar uma máscara de cabeça de cavalo

Depois do pico, vários fabricantes copiaram o desenho. Há versão branca, preta, unicórnio, zebra. O preço muda conforme loja e material; não dá para cravar um valor único. Casal de máscaras branca e preta num banco e pessoa de vestido com máscara de unicórnio Sair com uma na rua ainda chama atenção. Pedem foto. Alguns perguntam, meio a sério, de que espécie você é. Não precisa de coragem de super-herói; precisa aguentar o calor do látex e o fato de que, uma vez colocada, a conversa deixa de ser sobre você. Vale a pena? Se a graça for exatamente essa — aparecer onde ninguém esperava um cavalo —, sim. Se for só para repetir um meme já fotografado mil vezes, a graça já foi. O que ainda funciona é o contraste: um corpo humano comum, uma cara de cavalo, e o resto do mundo seguindo o dia.
Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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