Yonsei: Descendente japonês de quarta geração

Yonsei: Descendente japonês de quarta geração

Quem é o yonsei na colônia nikkei e o que muda no visto para o Japão depois da lei de 1990 e do programa de quarta...

Tudo começou no início do século XX quando o Japão se encontrava superpovoado depois de passar aproximadamente 200 anos completamente isolado do resto do mundo. Com o fim deste período o Japão começou a se modernizar e isso causou o desemprego de milhares de camponeses o que por sua vez causou problemas econômicos e sociais, então o Governo Japonês decidiu estimular a emigração de seus habitantes por meio de acordos com outros países como EUA, Peru, México e Brasil. Os primeiros japoneses contratados para as lavouras brasileiras chegaram em 18 de junho de 1908, a bordo do Kasato Maru, com 781 pessoas; até o início dos anos 1970 o Brasil já havia recebido cerca de 200 mil imigrantes japoneses.

Nikkei (japoneses e descendentes que moram fora do Japão). O Brasil atualmente é o país com maior concentração de nikkeis: as estimativas mais citadas falam em cerca de 1,6 milhão, e o Ministério das Relações Exteriores do Japão já chegou a apontar cerca de 2 milhões de descendentes.

Na colônia, as gerações se contam assim:

  • Issei – Japonês que veio ao Brasil – primeira geração;
  • Nissei – Filho do japonês – segunda geração;
  • Sansei – Neto do japonês – terceira geração;
  • Yonsei – Bisneto do japonês – quarta geração.
Sumário 5

Visto para yonsei

Em 1980 o Japão precisava de mão de obra e então começaram a ser criadas leis que facilitavam a entrada de trabalhadores estrangeiros no país. Em 1990 foi alterada a Lei de Controle de Imigração, o que permitiu que os nikkeis até terceira geração (nisseis e sanseis) e seus cônjuges pudessem entrar no país e exercer qualquer atividade remunerada e com um visto de permanência relativamente longo. Já para os yonseis era mais complicado, pois em princípio só podiam ir ao Japão se fossem menores de idade (depois dos 16 anos ficava mais difícil conseguir o visto) e estivessem acompanhados dos pais.

Nissei e sansei entram, até hoje, no status de residente de longa duração. O yonsei adulto ficou de fora dessa porta até 2018.

Visto de trabalho para yonseis

O que muitos yonseis querem e têm conseguido demonstrar isso para as autoridades japonesas é o direito ao visto de trabalho da mesma forma que a segunda e a terceira geração têm. Esse recorte de residente de longa duração, porém, não foi estendido à quarta geração. Em 2018 o Ministério da Justiça criou um programa específico, o sistema de aceitação adicional da quarta geração, com status de residência de atividades específicas (tokutei katsudō). Dá para trabalhar, mas o eixo oficial do visto é aprender o idioma e o modo de vida no Japão, com um apoiador no país e um teto de cinco anos.

A primeira versão decepcionou muita gente da colônia: limite de 18 a 30 anos, exigência de japonês, proibição de levar cônjuge e filhos, e a obrigação de achar um apoiador que acompanhasse o yonsei de graça. A cota anual chegou a 4 mil vagas, mas nos primeiros anos só dezenas de pessoas conseguiram o visto. A partir de 28 de dezembro de 2023 as regras foram reformuladas. A faixa etária subiu para 18 a 35 anos; de 31 a 35 é preciso japonês equivalente a N3 na entrada. Quem tem 18 a 30 anos precisa comprovar japonês básico, em geral N5 por exame ou N4 por outro meio aceito. O apoiador individual pode receber até três yonseis; entidades sem fins lucrativos deixaram de ter teto numérico; o empregador pode atuar como apoiador individual; e depois de três anos de residência adequada o apoiador deixa de ser obrigatório.

Depois de cinco anos nesse visto, cumprindo as atividades culturais, com japonês equivalente a N2 (ou 400 pontos no teste BJT), boa conduta e meios de se manter, o yonsei pode pedir a mudança para residente de longa duração. Só então o recorte se aproxima do que nissei e sansei já tinham: trabalho livre e possibilidade de viver com a família. Enquanto permanece no visto de quarta geração, o acompanhante familiar continua fora do desenho. Os requisitos mudam; a Embaixada, os consulados e a Agência de Serviços de Imigração é que mandam no caso concreto.

Visto de working holiday

Esse tipo de visto permite ao solicitante permanecer por determinado período de tempo no país, enquanto isso é possível estudar e até arrumar um trabalho para ajudar com as despesas. O visto de working holiday é concedido por meio de um acordo recíproco entre dois países para encorajar a viagem e a troca de experiências entre seus cidadãos. Mas esse tipo de visto tem algumas restrições como:

  • Limite de idade do solicitante (geralmente de 18 a 30 anos);
  • Limite de tempo de trabalho (EX: contrato de 3 meses, com 20 horas semanais);
  • O solicitante deve ter dinheiro suficiente para se manter (enquanto procura por um trabalho);
  • O solicitante deve ter algum tipo de seguro de viagem ou saúde durante o período de permanência (a não ser que o país vá cobrir);

Esses são apenas exemplos de como o visto de Working Holiday geralmente funciona. Ele não substitui o programa de yonsei: são portas diferentes. O Working Holiday depende de acordo bilateral e não exige descendência japonesa. Em 2026, Brasil e Japão formalizaram um acordo de férias-trabalho para jovens, separado do visto de quarta geração; datas, cota e documentos precisam ser confirmados na Embaixada e nos consulados do Japão no Brasil.

Visto de Working Holiday para yonseis

O deputado japonês Jiro Kawasaki do partido PLD (Partido Liberal Democrata) fazia parte da comissão que lidava com a falta de mão de obra e o incentivo para entrada no mercado de trabalho. Veja o que o deputado disse sobre os yonsei à Silvia Kikuchi do Alternativa Online:

“Começamos com uma proposta imediata de Working Holiday e com a condição de aprender o japonês queremos aumentar o número de yonseis. Estamos na expectativa. Pelo sistema Working Holiday, as pessoas vêm e ficam um ano no Japão para que possa trabalhar, da mesma forma que os bolsistas. Mas pensamos em ampliar o prazo para três anos só no caso dos nikkeis. Em primeiro lugar ficamos felizes com a vinda dos nikkeis, mas nossa principal preocupação é com a educação das crianças. O Working Holiday sai rápido não vai levar tanto tempo.”

Silvia perguntou: -Talvez um ano?

A resposta do deputado: -Sim!

A entrevista foi ao ar no dia 16/06/2017, e a expectativa na época era de que, dentro de um ano, o visto para yonseis — inicialmente de Working Holiday — fosse liberado. O que o Ministério da Justiça anunciou em 2018 foi outro recorte: o programa de atividades específicas descrito acima, inspirado em parte na lógica do Working Holiday, mas com apoiador, teto de cinco anos e exigência de idioma.

Como o Japão ganha com a chegada dos yonseis

O Japão vem sofrendo com o envelhecimento da população e a falta de mão de obra, entre outros problemas. Com a chegada dos yonseis essa falta não se resolve sozinha, mas o governo japonês amarrou o visto ao ensino do idioma japonês: o trabalho entra junto, não no lugar, dessas atividades, e a mão de obra pode vir a se tornar mais qualificada. O governo quer maior integração dos imigrantes com a sociedade japonesa. Ou seja, os yonseis podem acabar por ser uma grande ajuda ao Japão e até mesmo ao Brasil, já que a relação entre os dois países tende a ser fortalecida quando a quarta geração consegue cruzar esse caminho.

Artigo enviado por Matheus Takeda

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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