Science Adventure (japonês: 科学アドベンチャー, Hepburn: Kagaku Adobenchā) é uma série de Visual Novels desenvolvida pela 5pb. e pela Nitroplus. A saga começa com ChäoS;HEAd, lançado em 2008. Desde então, outros quatro jogos se somaram à linha principal: Steins;Gate, Robotics;Notes, ChäoS;Child e Steins;Gate 0. A franquia também reúne quatro spin-off baseados em ChäoS;HEAd, Steins;Gate e ChäoS;Child. Além dos jogos, a série se expandiu para anime, mangá, light novels, drama CDs e peças teatrais.
Todas as Visual Novels da franquia se passam no mesmo universo e contam suas histórias dentro do gênero de ficção científica. ChäoS;HEAd e ChäoS;Child têm como foco indivíduos com habilidades capazes de alterar a realidade, enquanto Steins;Gate e sua sequência trabalham com viagens no tempo. Ao longo de cada Visual Novel, o leitor encontra escolhas que podem mudar o rumo da trama e até o seu desfecho. Em ChäoS;HEAd e ChäoS;Child essas escolhas estão ligadas aos delírios dos personagens, enquanto em Steins;Gate e Robotics;Notes elas acontecem pela interação do protagonista com o celular ou o tablet.
A Science Adventure foi planejada por Chiyomaru Shikura, CEO da 5pb., com trilha sonora de Takeshi Abo e Zizz Studio e roteiros conduzidos por Naotaka Hayashi ao lado de outros escritores. Como a série aposta pesado em ciência e ficção científica, os desenvolvedores tentaram se manter fiéis a teorias científicas reais. Shikura acreditava que esse realismo tornaria as histórias mais críveis. A aposta foi bem recebida, tanto comercialmente quanto pela crítica: os jogos venderam acima do esperado para o gênero e ajudaram a firmar a 5pb. como desenvolvedora de jogos.

Sumário 8
Jogos principais
A Science Adventure reúne cinco jogos principais e quatro spin-off. No Japão, os títulos são publicados pela 5pb. e pela Nitroplus; no Ocidente, por JAST USA, PQube e 5pb.. Até hoje, apenas Steins;Gate e Steins;Gate 0 ganharam lançamentos oficiais em inglês.
ChäoS;HEAd é o primeiro jogo da série. Ele acompanha Takumi, um jovem que passa a ter delírios depois de testemunhar um assassinato e acaba virando suspeito de uma série de crimes batizada de New Generation Madness.
Steins;Gate é o segundo. A história segue Okabe, que sem querer inventa um aparelho capaz de enviar mensagens para o passado e, junto com os amigos, usa o dispositivo para alterar o presente.
Robotics;Notes é o terceiro, e mostra Kaito e o clube de robótica do ensino médio tentando construir um robô gigante, de verdade, que funcione.
ChäoS;Child é o quarto e funciona como sequência temática de ChäoS;HEAd. Takuru percebe que dois assassinatos recentes aconteceram nas mesmas datas dos crimes de ChäoS;HEAd e descobre que ele e vários amigos são alvos da New-Gen.
Steins;Gate 0 é o quinto e a sequência direta de Steins;Gate: a história se passa durante o final original do primeiro jogo.

Elementos em comum
Como já foi dito, a Science Adventure se apoia nas convenções da ficção científica: parte de conceitos e teorias reais, mas mistura elementos fictícios vindos de ciências menos rigorosas. ChäoS;HEAd e ChäoS;Child exploram indivíduos que conseguem alterar a realidade, discutindo percepção, natureza do real e antimatéria. Steins;Gate e Steins;Gate 0 giram em torno das viagens no tempo, buscam respostas para o fracasso da máquina pensada para dobrar tempo e espaço e, de quebra, apresentam conceitos bem instigantes.
Um detalhe que chama atenção na Science Adventure é que todas as suas entregas compartilham o mesmo universo e estão costuradas pelo Comitê dos 300, que funciona como antagonista recorrente. O Comitê é vagamente inspirado em uma teoria da conspiração real e, por mais clichê que pareça, busca a dominação mundial. Ele é sempre retratado como um grupo extremamente poderoso, com controle total sobre corporações, políticos e religiões, e continua quase impossível de derrubar, mesmo com viagens no tempo e superpoderes à disposição.
Elementos da Novel
Como Visual Novels, os jogos permitem moldar a história por meio de escolhas. Em ChäoS;HEAd e ChäoS;Child essas escolhas passam pelo tipo de delírio que os personagens vão experimentar – positivos, negativos ou nenhum, com a opção consciente de se manter ancorado na realidade. Em Steins;Gate, a trama é conduzida pelo celular do protagonista: o sistema funciona dependendo de como Okabe responde a mensagens e ligações, e de tirar o aparelho do bolso em momentos decisivos. Mais do que mover a narrativa, o sistema ajuda a conhecer melhor Okabe Rintarō e a entender como ele se relaciona com quem está ao redor.

Em Steins;Gate 0 esse sistema foi simplificado: agora a questão é basicamente atender ou ignorar o celular em certos momentos. A ideia central continua a mesma do original; é só se acostumar com uma versão mais enxuta.
Robotics;Notes funciona de maneira parecida com Steins;Gate, mas usa um tablet e seus aplicativos no lugar do clássico celular flip.
Desenvolvimento
A série é fruto da parceria entre 5pb. e Nitroplus, com Chiyomaru Shikura, CEO da 5pb., no papel de produtor geral. Ele escolheu trabalhar com realismo porque acreditava que isso tornaria as histórias mais próximas e críveis. Em entrevistas, já disse que pessoalmente tem dificuldade de se engajar com fantasia e não estava convencido de que o público se empolgaria com premissas fantasiosas exageradas. A equipe de Steins;Gate chegou a definir a própria régua: 99% de ciência e 1% de fantasia. Shikura também citou De Volta para o Futuro Parte II (1989) como influência direta, destacando que o filme se sustenta de forma plausível o bastante para dar a sensação de que tudo aquilo poderia realmente acontecer.

A equipe de Robotics;Notes fez uma parceria com a JAXA, a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, para trazer mais realismo à história. A ideia de usar o celular como mecânica de jogo partiu de Tatsuya Matsuhara, da 5pb.. No começo ele queria que o jogo usasse o próprio celular do jogador, mas desistiu da ideia por receio de esbarrar nas leis de privacidade do Japão.
Desenvolvimento da trilha sonora
A música das Novels foi composta por Takeshi Abo e pelo Zizz Studio. Abo já explicou que, mesmo com todos os jogos pertencendo à mesma série, cada um carrega uma atmosfera diferente. Usando o clima como metáfora, ele definiu ChäoS;HEAd como chuva, Steins;Gate como céu nublado, Robotics;Notes como dia ensolarado e ChäoS;Child como tempestade. Para todos os títulos ele seguiu o mesmo processo de composição: primeiro lia a história para entender cenários e personagens da forma mais profunda possível, anotava o fluxo emocional e as situações-chave e, a partir dessas impressões, construía a música, sempre prestando muita atenção à primeira impressão que cada cena deveria causar.
Esse método é mais lento do que simplesmente encaixar faixas prontas em seções do jogo, mas, na visão de Abo, gerou músicas de melhor qualidade e mais fiéis à visão do mundo de Science Adventure. Ele teve bastante liberdade criativa e curtiu fazer o tipo de música que ele mesmo gostaria de ouvir. Abo também compôs a música-tema de cada jogo principal e ficou especialmente orgulhoso de Gate of Steiner, o tema de Steins;Gate, com a qual ele pretendia representar o jogo inteiro em uma única faixa.
Recepção da série
A saga foi um sucesso claro para a 5pb.. Os lançamentos de ChäoS;HEAd e Steins;Gate ajudaram o estúdio a se firmar como desenvolvedora de jogos. Em junho de 2011, Steins;Gate passou das 300.000 (trezentas mil) cópias vendidas, marca que Shikura classificou como uma conquista real para o gênero. Um ano depois, foi divulgado que Robotics;Notes acumulava mais de 80.000 (oitenta mil) cópias em pré-encomendas no lançamento, um salto expressivo se comparado à estreia de Steins;Gate.
Steins;Gate 0 também foi muito bem nas vendas, com mais de 100.000 (cem mil) cópias só no primeiro dia de lançamento. Somado ao Steins;Gate original, os dois títulos juntos ultrapassaram a marca de 1.000.000.000 (um bilhão) de cópias vendidas, considerando a franquia como um todo. A versão original de ChäoS;Child, por outro lado, não conseguiu entrar no Top 50 semanal da Media Create e ficou em cerca de 1.415 cópias, um resultado decepcionante comparado ao restante da série.

De modo geral, os jogos receberam críticas positivas, tanto no Japão quanto no Ocidente. Muitos críticos elogiaram a história, a música, o visual e o estilo de jogabilidade original que atravessa a Science Adventure, embora alguns achassem certas rotas complicadas e difíceis de desbloquear. Um redator da Anime News Network afirmou que a série entrega mistérios bem construídos e conceitos criativos, mas que as conclusões nem sempre estão à altura da montagem inicial.
Em 2009, Steins;Gate venceu o prêmio anual Famitsu Game of Excellence. A RPGFan incluiu Steins;Gate em uma lista de 30 jogos considerados essenciais para uma jogatina de role-playing entre 2010 e 2015, e o título é amplamente tratado como uma das melhores Visual Novels do mercado. Também foi indicado ao Golden Joystick Awards na categoria de melhor jogo portátil/móvel de 2015.
Science Adventure em outras mídias
Além das Visual Novels, a saga se expandiu para adaptações em anime e para uma boa quantidade de spin-off em outros formatos: os audiodramas Alpha, Beta e Gamma, peças teatrais, light novels e mangás, além de diversos álbuns de música com as trilhas sonoras originais dos jogos e arranjos novos. Todos os jogos principais da série ganharam adaptação para anime: ChäoS;HEAd (2008), Steins;Gate (2011), Robotics;Notes (2012-2013), ChäoS;Child (2017) e Steins;Gate 0 (2017).
Perguntas frequentes
Por onde começar a série Science Adventure? O caminho mais seguro é começar por Steins;Gate. É o título mais conhecido da franquia e usa bem a estrutura de Visual Novel em cima de uma premissa de viagem no tempo que costuma fisgar rápido. ChäoS;HEAd tem um tom mais pesado, mas ajuda a entender o humor e a base do universo; Robotics;Notes é uma entrada mais leve e amigável, ótima para quem quer sentir o estilo da série sem entrar de cabeça no lado mais sombrio.
Preciso jogar em ordem de lançamento? A ordem oficial é ChäoS;HEAd → Steins;Gate → Robotics;Notes → ChäoS;Child → Steins;Gate 0. Cada jogo funciona sozinho, mas os pares ChäoS;HEAd/ChäoS;Child e Steins;Gate/Steins;Gate 0 têm ligação direta e rendem bem mais quando o anterior já foi jogado.
Funciona bem para quem nunca jogou Visual Novel? Sim, vale tentar. A série é muito baseada em texto, então o peso mesmo está na leitura, e o sistema de escolhas é simples o bastante para não atrapalhar. Se inglês for um empecilho, Steins;Gate é o título com tradução em português mais fácil de encontrar e é uma boa porta de entrada para o restante da franquia.
Comunidade
Comentários
0 comentários
Ainda não há comentários publicados neste idioma.
Enviar um comentário