Quando se fala em anisong no Brasil, muita gente pensa primeiro nas aberturas que passavam na televisão. Mas a cena cresceu também em palcos de eventos, canais de vídeo, festivais e apresentações que aproximam o repertório japonês do público brasileiro. Não existe uma régua objetiva para decidir quem é “o melhor”; esta é uma seleção de artistas que ajudam a contar essa história.
Vale separar duas frentes que se encontram bastante por aqui: as vozes ligadas a versões brasileiras oficiais e os grupos que transformaram músicas de anime, games e tokusatsu em repertório de show. Ambas têm peso na memória de quem cresceu com Cavaleiros do Zodíaco, Shurato, Yu Yu Hakusho, Pokémon e tantos outros títulos.
Sumário 17
Artistas brasileiros que marcaram as anisongs
Ricardo Cruz
Ricardo Cruz é um caso raro de artista brasileiro com presença direta no circuito japonês de anisongs. Integrante do JAM Project desde 2005, ele participa da identidade vocal do grupo e se tornou uma referência natural para quem acompanha temas de anime cantados em japonês. Para começar, ouça as faixas associadas a One-Punch Man, como “THE HERO!! ~Ikareru Kobushi ni Hi wo Tsukero~” e “Seijaku no Apostle”.
YUYU20
YUYU20 ocupa um lugar especial na lembrança brasileira por reunir músicos ligados às versões em português das canções de Yu Yu Hakusho. “Sorriso Contagiante”, “Tempo”, “Sayonara Bye Bye” e “Geração dos Sonhos” continuam sendo pontos de encontro entre gerações de fãs. É uma boa porta de entrada para perceber como uma versão brasileira pode ganhar vida própria sem apagar a ligação com a obra original.
Larissa Tassi
Larissa Tassi é uma das vozes mais reconhecidas quando o assunto são canções brasileiras de Os Cavaleiros do Zodíaco, sobretudo as ligadas à saga de Hades. Sua trajetória também ajuda a explicar por que o repertório de anime continua presente em encontros de fãs: não ficou preso à exibição televisiva, mas passou a circular em apresentações ao vivo e projetos musicais.
Graça Cunha
A abertura brasileira de Shurato é uma daquelas músicas que bastam alguns segundos para acionar a memória de quem acompanhou a programação dos anos 1990. A interpretação de Graça Cunha faz parte desse repertório afetivo e mostra como as dublagens e adaptações musicais ajudaram a apresentar anime a um público muito maior no país.
Nil Bernardes
Nil Bernardes é lembrado por interpretações de temas ligados a animações que tiveram grande alcance no Brasil, entre elas músicas de Pokémon. Ouvir esses temas hoje deixa clara a importância da canção de abertura: ela não só anuncia o episódio, como cria um vínculo imediato com a série e com a fase da vida em que ela foi assistida.
Edu Falaschi
Conhecido por sua carreira no heavy metal, Edu Falaschi também entrou no imaginário dos fãs brasileiros por interpretações de “Pegasus Fantasy”, tema associado a Saint Seiya. A aproximação entre metal e anisong faz sentido: arranjos grandiosos, refrões altos e uma energia de arena combinam com muitas aberturas de anime.
The Kira Justice
Para quem gosta de ver esse encontro entre rock e repertório otaku no palco, The Kira Justice é um nome importante na cena de covers de anime. O grupo ficou conhecido por levar músicas de séries populares e composições próprias a eventos, com uma abordagem que conversa tanto com quem já acompanha bandas de rock quanto com quem chegou pela cultura de anime.
Miura Jam
Miura Jam é lembrado principalmente por versões de músicas como “We Are!”, de One Piece, e “Blue Bird”, de Naruto. Covers bem interpretados têm uma função valiosa nessa cena: apresentam repertórios em novas vozes e fazem o público redescobrir canções que já conhecia de cor.
Gaijin Sentai
Com uma sonoridade que passa pelo rock pesado, Gaijin Sentai representa o lado mais performático dos shows de anime e tokusatsu. Repertórios desse tipo funcionam especialmente bem ao vivo porque o público canta junto, reconhece a introdução e transforma a apresentação em uma celebração coletiva.
Por que essas músicas ganharam tanta força no Brasil?
A televisão foi decisiva. A programação da Manchete apresentou ao público títulos que se tornaram fenômenos, e as músicas de Cavaleiros do Zodíaco, Shurato e Yu Yu Hakusho ficaram associadas a uma época específica. Depois, a internet ampliou o alcance: vídeos, streaming e eventos passaram a conectar quem conheceu essas séries nos anos 1990 a quem chegou aos animes muito depois.
Também existe uma diferença importante entre ouvir a abertura original e ouvir uma versão brasileira. A original preserva a produção pensada para a obra no Japão; a versão local carrega escolhas de adaptação, vozes familiares e a memória da transmissão brasileira. Uma não substitui a outra. Para muitos fãs, as duas fazem parte da mesma experiência.
Como explorar a cena além da nostalgia
- Monte uma playlist por obra: compare a abertura original, a versão brasileira quando existir e os covers que mais chamarem sua atenção.
- Procure gravações ao vivo: elas mostram quais refrões realmente mobilizam o público em eventos de anime.
- Conheça o repertório autoral: algumas bandas começaram com covers, mas também compõem músicas próprias para um público que gosta de anime, rock e cultura japonesa.
- Preste atenção aos créditos: dublagem, adaptação, arranjo e interpretação são trabalhos diferentes; saber quem fez cada parte ajuda a valorizar a música sem atribuir tudo a uma única pessoa.
Mais nomes para colocar na busca
Rodrigo Rossi, Banda Wasabi, Banda Shogun, Banda Elisios, Frank Henrique e Danger3 também aparecem com frequência nas conversas entre fãs de anisong no Brasil. A melhor forma de descobrir por onde começar é escolher uma série que você já ama e seguir as versões, apresentações e projetos que ela inspirou.
Perguntas frequentes
O que é anisong?
Anisong é a abreviação de anime song, usada para músicas de abertura, encerramento, inserção ou projetos diretamente ligados a animes. No uso cotidiano, o termo também costuma incluir artistas e bandas que apresentam esse repertório em shows e vídeos.
Versão brasileira de abertura é a mesma coisa que dublagem?
Não exatamente. A dublagem adapta as falas; uma versão brasileira de abertura envolve adaptação de letra, direção musical, arranjo e interpretação. Em alguns casos a música original permanece, enquanto em outros existe uma gravação local.
Por onde começar a ouvir?
Comece pelas obras que já fazem parte da sua memória. Quem gosta de clássicos pode ir de Yu Yu Hakusho, Shurato e Os Cavaleiros do Zodíaco; quem prefere temas em japonês pode explorar o trabalho de Ricardo Cruz com o JAM Project.
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