Em 1974, uma cabana foi descoberta na Indonésia, ela era ocupada por um soldado japonês que ainda estava lutando a Segunda Guerra Mundial. Ele foi chamado de Nakamura Teruo (中村輝夫), mas na verdade ele era Attun Palalin. Ele nasceu em 8 de outubro de 1919 e era do povo Amis, no leste de Taiwan, então colônia do Japão imperial. Entrou para a 4.ª Unidade de Voluntários Takasago. O recorte era voluntário no papel, e ele depois disse que o alistamento não foi escolha.
Com 24 anos de idade ele foi enviado para Morotai, uma ilha na Indonésia. Ela foi invadida pelos Aliados em setembro de 1944 na Batalha de Morotai e ele foi declarado morto em novembro de 1944. A cabana de Nakamura foi descoberta acidentalmente por um piloto em meados de 1974. A Força Aérea da Indonésia o deteve em 18 de dezembro. Ele quase não falava japonês nem chinês e queria voltar para sua terra natal em Taiwan, mas ficou triste em descobrir que sua esposa já tinha casado novamente e que o filho, bebê quando ele partiu, já era pai.
O fato de ele ser soldado colonial taiwanês, e não oficial japonês, fez com que recebesse primeiro só 68 mil ienes de soldo atrasado e tivesse bem menos festa na imprensa do que Onoda. A cobrança pública subiu a indenização. Cinco anos depois de voltar para Taiwan, em 15 de junho de 1979, ele morreu de câncer no pulmão.
Sumário3
Japonês encontrado nas Filipinas em 1974
Nakamura Teruo não foi o único a lutar a Segunda Guerra Mundial depois dela ter acabado. O caso que mais repercutiu foi de Hiroo Onoda, que durante a guerra foi mandado para a ilha de Lubang, nas Filipinas. Ele e seus companheiros estavam na ilha quando ela foi invadida e capturada pelas forças americanas em 1945. Muitos morreram enquanto Onoda e alguns companheiros se esconderam na selva.
Ele e 3 companheiros viveram nas montanhas: Yuichi Akatsu se rendeu em 1950, o cabo Shōichi Shimada morreu em 1954 e Kinshichi Kozuka em 1972. Só então Onoda ficou sozinho. Em 1959, Onoda foi declarado legalmente morto no Japão. Para sobreviver, o grupo roubava arroz e bananas de moradores locais, e abatia vacas para obter carne.
Mesmo Onoda encontrando o aventureiro japonês Norio Suzuki em fevereiro de 1974, ele se recusou a aceitar que a guerra tinha acabado a menos que recebesse ordens oficiais de seu superior para baixar as armas. O japonês retornou ao Japão com fotografias para provar o encontro e conseguiu encontrar o major Yoshimi Taniguchi, já livreiro, para que ordenasse Onoda a baixar as armas. Taniguchi leu as ordens em 9 de março de 1974. No dia 10 Onoda se apresentou.
Assim o tenente Onoda foi devidamente isentado de seu dever sem nunca se render por conta própria. Ele aceitou a ordem oficial de seu comandante vestindo seu uniforme e espada, com um rifle Arisaka Tipo 99 operacional, 500 cartuchos de munição, diversas granadas de mão e uma adaga que sua mãe havia lhe dado em 1944 para o caso de captura. Relatos da imprensa filipina falam em até 30 habitantes mortos nos anos de guerrilha. Onoda omitiu essas mortes na autobiografia. Ele recebeu o perdão do presidente filipino Ferdinand Marcos em cerimônia em Manila, em 11 de março de 1974.
Ele foi para o Brasil!
Depois de sua rendição, Onoda se mudou em 1975 para o Brasil, onde se transformou em fazendeiro de gado na colônia agrícola de Jamic em Terenos, Mato Grosso do Sul, seguindo o irmão Tadao. A passagem se encaixa na história dos japoneses no Brasil. Onoda recebeu em 6 de dezembro de 2004 a Medalha do Mérito Santos-Dumont da Força Aérea Brasileira, por ceder terra a treinos da FAB. Em 21 de fevereiro de 2010, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul conferiu-lhe o título de cidadão sul-mato-grossense. Infelizmente Hiroo Onoda faleceu em 16 de janeiro de 2014, em Tóquio, aos 91 anos.
Shoichi Yokoi lutou até 1972
Shoichi Yokoi nasceu em 31 de março de 1915, em Aichi, e tornou-se mundialmente conhecido ao ser encontrado escondido na ilha de Guam, localizada na extremidade sul das ilhas Marianas no Oceano Pacífico. Quando os norte-americanos recuperaram a ilha em 1944, Yokoi embrenhou-se na selva para evitar a rendição às tropas inimigas.
Durante esses 28 anos ele se manteve escondido num esconderijo e caverna e caçava durante a noite. Ele usava plantas nativas para fazer roupas, forro para cama e alimentos. Ele tinha medo de ser morto pelos habitantes de Guam, e não quis se entregar mesmo ao ver panfletos anunciando o fim da Segunda Guerra Mundial. Depois disse que, a partir dos anos 1950, já sabia que a guerra tinha acabado, mas temia a vergonha da captura.
Em 24 de janeiro de 1972 ele foi salvo por Jesus. Isso mesmo: ele foi encontrado por 2 caçadores chamorros chamados Jesus Mantanona Duenas e Manuel Tolentino De Gracia, que checavam armadilhas de camarão no rio Talofofo. Yokoi os atacou, eles o imobilizaram e o levaram à polícia.
"Foi muito constrangedor para mim ter retornado com vida", disse Yokoi ao chegar de volta a seu país, com seu rifle de combate a tiracolo, numa frase que se tornaria um ditado popular no Japão. Ele se tornou uma celebridade no Japão, casou-se e foi morar na área rural de Aichi. Em 9 de maio de 1991 ele teve a maior honra de sua vida, ao ser recebido em audiência pelo imperador Akihito. Shoichi Yokoi morreu em 22 de setembro de 1997, aos 82 anos, de ataque cardíaco.
Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.
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