Vale a pena lutar e participar de movimentos?

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Nós últimos anos diversos movimentos surgiram pela internet a fim de propagar a liberdade de expressão e lutar contra desigualdade, machismo, preconceito, homofobia, racismo e outros.

Eu aprecio a dedicação e luta desses movimentos por igualdade, mas infelizmente muitos desses movimentos se tornam extremos e acabam causando aquilo contra o que eles lutam.

Eu pessoalmente acredito que o ódio por pensamentos diferentes está muito presente entre esses movimentos, por isso tenho até receio de falar sobre esse assunto e atrair uma gama de haters (ódio) por pensar diferente.

Eu não vou desistir de escrever sobre esse assunto, então vamos la! Para ser sincero, eu acredito que muitas das coisas que esses movimentos propõem, são egoístas, desnecessárias, e que na maioria das vezes não dão resultados.

Ao estudar a cultura japonesa, eu percebi que a maioria dos japoneses não se esforçam ou lutam contra coisas tipo machismo, preconceito e homofobia. Mesmo assim, a sociedade japonesa, apesar de seus problemas, conseguem proporcionar uma sociedade diversificada e pacifica.

Por mais que exista preconceito no Japão, como em qualquer lugar do mundo, lá você pode se vestir como quiser, agir como quiser, ser o que quiser, com tanto que nao incomode os outros. As pessoas não vao estar nem ai para o que você pensa, nem vão criticar, opinar ou reclamar de alguma coisa.

Resolvi escrever esse artigo meio polêmico, por causa de uma conversa que tive com um amigo que mora no Japão a 10 anos. Eu até gravei o áudio, futuramente pretendo postar tudo aqui. (Agora estou em viagem no Japanese Japão).

Outro ponto bastante interessante é que no ano de 2018 o candidato Jair Bolsonaro foi eleito como presidente do Brasil, isso deixou muitos que participam desses movimentos ou resistências, com medo de uma possível ditadura ou aumento de homofobia, preconceito ou racismo. Talvez esse artigo possa ajudar você a não se preocupar muito e ver as coisas de outro ponto de vista.

Lutando Pela Liberdade e Direitos

Não vou dizer para ninguém parar de se esforçar por algo que deseja, mas temos algumas coisas a aprender com a sociedade japonesa. Existem pontos negativos e positivos para aqueles que escolhem lutar contra as ideias da sociedade ou se submetem a sociedade.

A forma de pensar dos japoneses considera primeiro a vontade do próximo e não de si mesmo. Então mesmo que os japoneses desejem mudar algo na sociedade, eles não vão fazer algo que possa incomodar ou ser mendokusai (irritante, um saco, difícil) para os outros.

É por esse motivo que no Japão existem coisas como partido comunista, locais proibindo entrada de estrangeiros e diversas outras regras que fazem todos seguirem em silencio para não incomodar o próximo, como o simples uso dos celulares nos trens.

No Japão mulheres sofrem desigualdade salarial, homossexuais não podem se casar oficialmente, existem quebras dos direitos trabalhistas e muitos outros problemas que os japoneses enfrentam. Por que eles não fazem nada?

Falando dessa forma até parece que os japoneses são mortos de preguiça ou não se importa com a sociedade. Existem lutas para mudar, mas são feitas de maneira que não incomodam o próximo, ao invés de protestos violentos, antiéticos e imorais.

Qual o problema de lutar?

Não tem nenhum problema lutar, na realidade eu sou uma pessoa que luta contra as tendências e pensamentos populares da sociedade. Mas nesses movimentos, o que eu vejo são pessoas tentando forçar seus pensamentos um nos outros.

Por exemplo, da mesma forma que não podemos forçar um ateu a acreditar em deus, não podemos forçar um religioso a aceitar a homossexualidade, caso isso vá contra suas crenças. O que podemos fazer é lutar para que todos respeitem a opinião um dos outros e também o próximo, não importando sua opção sexual ou religião. Até porque a sexualidade é algo pessoal, os japoneses pensam assim, por isso tanto os que detestam quanto os que aderem a outras opções sexuais conseguem viver em paz sem problemas. Basta respeitar as opções um dos outros, mas não precisa obrigar ninguém a gostar de algo que não gosta.

As pessoas precisam entender que o mundo não gira apenas em torno delas, pessoas pensam diferentes, não podemos ter tudo o que queremos, devemos lutar por coisas que estão em nosso alcance e que não prejudique o próximo.

A maioria dos pensamentos propagados na internet por movimentos que aparentemente tentam ajudar ou libertar a sociedade, são muito egoistas e servem apenas para gerar guerras e ódio. Lembre-se que eu não me refiro a todos, não tente generalizar o que estou escrevendo.

Generalização é uma das coisas mais prejudiciais na sociedade atualmente, as pessoas encaram os problemas sociais de forma alarmante, quando na maioria das vezes o problema é pessoal ou está na forma de pensar de cada um.

Por exemplo, aaaah no Japão as pessoas se suicidam demais. Quando você vai pesquisar, percebe que são apenas 18 a cada 100.000 pessoas por ano. É um número lamentável, mas as pessoas colocam na cabeça de uma maneira generalizada, como se 1 a cada 100 pessoas se matassem todo dia.

A generalização foi uma das coisas que mais causou desgraça e brigas nas eleições de 2018. As pessoas elevam informações erradas e generalizadas e acabam pensando que o Haddad vai transformar o Brasil na Venezuela ou que o Bolsonaro vai fazer uma ditadura

Coisas como preconceito, racismo e homofobia não é algo exclusivo do Brasil ou Japão. Não importa o pais ou as leis, infelizmente, sempre vai existir pessoas com esses pensamentos. Na realidade o Brasil já conquistou muita coisa através desses movimentos, e todos estão de parabéns!

O problema é que muitos por serem diferentes, lutam por privilégios especiais. Eles querem ser superiores aos demais. Por exemplo, eu ouvi casos de que universidades antigamente reservavam uma porcentagem de suas vagas para os negros. Pra mim isso não é luta por igualdade mas sim divisão racial.

No Japão não importa se você é negro, estrangeiro, homossexual, rico, pobre, feio ou bonito, você vai ser respeitado pela maioria das pessoas, mas pode sim enfrentar situações desconfortáveis por causa do preconceito ou ódio.

Seria bom se todos os haters, preconceituosos ou pessoas com pensamentos diferentes simplesmente deixassem de existir. Infelizmente, sempre vai existir essas pessoas ruins, mas não é com ódio que iremos combater ódio.

As pessoas estão loucas atacando umas as outras na internet, principalmente no período de eleições. Acho que se cada um para-se pra pensar no próximo e esforçar-se em respeitar suas ideias, coisas como preconceito, homofobia e racismo não existiriam.

Os problemas de manter a paz

Falar para as pessoas deixarem de se matar por determinados assuntos pode ser difícil. Uma das teorias mais comum da humanidade é que pra cada ação a uma reação. Só estou falando que se a pessoa está batalhando contra o ódio, nunca vai vencer se também usa-lo.

Devemos tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados, esse é um dos principais erros do Brasil. Claro que ainda assim, o bem não vai sempre vencer coisas como preconceito, racismo e homofobia, por isso ainda acontecem Ijime (bullying) no Japão.

Se você odeia determinada coisa, o melhor seria ficar longe dela para evitar desconforto. Não importa sua cor, sexo, nacionalidade ou opção sexual, se alguém te tratou com falta de respeito, as leis existem para isso. A culpa das leis no Brasil não prestarem é dos políticos e não pelo fato de você ou seu amigo ser diferente. Aparentemente as pessoas que são diferentes querem ser tratadas iguais mas lutam para serem diferentes e privilegiadas.



A experiência de um Brasileiro no Japão

Ao conversar com um amigo que mora no Japão a mais de 10 anos, ele me disse que na infância não conseguiu ficar um mês na escola japonesa por causa de preconceito e bullying. Ele até chegou a voltar pro Brasil alguns anos da raiva que ele pegou dos japoneses.

Pense bem, ele achou os japoneses preconceituosos porque tanto os alunos com quem estudou quanto os professores lhe faltaram com respeito, numa nação onde o respeito era pra ser uma prioridade.

Isso resultou no que? Esse amigo ficou com raiva dos japoneses. Isso mostra mais uma vez que preconceito gera preconceito. Até que finalmente esse amigo voltou ao Japão e começou a encarar os japoneses de uma visão diferente, ele começou a pensar como um japonês.

Ele percebeu que apesar de ter algumas desgraças na sociedade, ele era tratado com muito respeito pela maioria dos outros japoneses, uma educação de nível muito elevado, mesmo que seja entre negócios.

Alguns devem pensar, é tudo falsidade, depois o japonês vai estar xingando de baka gaijin (estrangeiro idiota). Eu penso assim, se ele me tratou com respeito, problema dele se tiver pensamentos preconceituosos idiotas. Se ele me trata-se de uma maneira desrespeitosa, eu poderia aprontar um barraco e sujar meu nome mais ainda, ou dependendo da situação eu poderia fazer um B.O, por mais que a policia japonesa vai dar mais ouvidos ao japonês.

Até hoje esse meu amigo tem traumas da escola, e não gosta de ouvir a expressão baka gaijin. Só que ele conseguiu vencer o preconceito eliminando qualquer pensamento de ódio que ele tinha pelas coisas que passou.

Durante a conversa com esse amigo ele citou alguns pontos interessantes:

  • É muito fácil você tentar mudar o mundo por de trás do computador, enquanto seu quarto, sua casa e sua vizinhança esta suja.
  • Se você quer ser tratado como um cidadão normal, então aja como um cidadão normal.
  • Eu sou negro e moro no Japão, podem de chamar de preto que não estou nem ai. Eu moro no Japão e aqui existe preconceito? Não, preconceito existe em todo lugar.
  • Recomendo pesquisar sobre as historias dos negros nos EUA no século 20, ali realmente existem pessoas que lutaram pelos direitos deles. Só que eles mudaram os direitos civis e não as pessoas.
  • Se você quer fazer uma pessoa ter o mesmo ponto de vista que você, precisa fazer isso pelas suas ações.
  • Por mais que exista japoneses preconceituosos, eles não podem me jugar por eu estar desrespeitando ele, porque eu trato ele bem e sigo as regras do Japão.
  • Liberdade demais e falar o que você quer o tempo inteiro é prejudicial. Se você tem liberdade demais, você não tem um limite e acaba ficando sem propósito.
  • Para de tentar ser um justiceiro social nesse computador e vai viver sua vida, vai ajudar sua família, seu bairro, seus amigos, tente mudar o mundo fora da internet, porque lá só tem troll.
  • As pessoas não sabem pensar além do que lêem na internet. O mundo é muito maior e muito mais diferente, essas pessoas precisam viajar e conhecer outros lugares e culturas.
  • Muitos querem respeito mas não respeita os outros.


O que o Japão pensa sobre esse assunto

Como eu já mencionei no começo do artigo, os japoneses fazem apenas o que está ao seu alcance. Pode não parecer que eles não se esforçam pra mudar a sociedade, mas realmente eles não costumam pensar nisso, eles simplesmente aceitam o pensamento do próximo e fazem o máximo para respeitar a todos, independentemente de suas escolhas e posições.

Por esse motivo os japoneses não se preocupam com a existência do partido comunista em seu país, nem discutem sobre preconceito. Eles simplesmente cuidam da própria vida respeitando sempre o espaço do próximo. Eles não ficam opinando ou apontando se isso é certo ou errado.

Isso resulta em uma sociedade que apesar de seus problemas sociais, pressão e falsidade, conseguem se manter totalmente pacíficos, proporcionando o melhor para o próximo. Aqueles que decidem ter um estilo de vida diferente do comum na sociedade, precisam enfrentar suas consequências.

O que eu quero dizer é que não importa sua raça, cor, opção sexual, opção politica, pensamentos, gostos e cultura. Se você realmente quer um Brasil melhor precisa focar em respeitar os outros ao invés de discutir e escrever comentários de ódio na internet.

Eu não acredito que esse texto vai fazer todos pensarem e aceitarem seus próprios erros. Infelizmente existem pessoas que insistem em criticar e odiar qualquer pensamento diferente do dele. Alguns vão ler mas vai entender o oposto da mensagem que quero passar… Se você realmente quer mudanças significativas na sociedade, então compartilhe esse artigo.

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3 comentários sobre “Vale a pena lutar e participar de movimentos?

  1. É óbvio que as pessoas tem de lutar pelo que acha certo, por direitos e respeito, porém o grande problema é que nessa busca sempre aparecem aproveitadores – pessoas inescrupulosas – que se aproveitam dessa ingenuidade para manipular pessoas contra as autoridades com o objetivo de enfraquecê-las, e assim facilitar a obtenção de ganhos ilícitos, como no caso de terroristas, traficantes, contrabandistas, mafiosos, etc.
    As pessoas que querem direitos e respeito também tem o dever de se abster de violência e devem respeitar as pessoas de opinião contrária, e principalmente tem a obrigação de evitar que pessoas inescrupulosas tentem lhe corromper e/ou seu grupo incitando a violência.

  2. Boa noite, costumo ler os artigos, e geralmente acho legais. Contudo, no caso desse artigo, especificamente (acho que como você previa), teus argumentos me parecem complicados, confusos e pouco claros. Acho que caberia uma revisão conceitual, mas também ortográfica e gramatical. Não dá para comparar o Japão, que tem uma sociedade mais ou menos igualitária e com oportunidades mais ou menos bem distribuídas entre todos, com o Brasil, que tem uma das concentrações de renda e oportunidades mais altas do mundo. E essas oportunidades e rendas estão, sim, concentradas em determinadas classes e numa determinada cor e se reproduzem (ou se reproduziam) de maneira quase idêntica ao longo das gerações em nossa história. Não se apaga uma história de escravidão tão duradoura como a do nosso país (e a ausência de inclusão dos ex-escravos, tanto em matéria de oportunidades -empregos- e recursos-como terra) facilmente. Infelizmente, essa é uma marca do Brasil que tem um PIB elevado e uma concentração de renda vergonhosa. A liberdade e o respeito à diversidade, em muitos casos, esbarra sim em mudanças de postura, em alterações comportamentais e em alguns casos em políticas afirmativas. As cotas raciais em universidades, em adição, seguem existindo em muitas universidades no Brasil e tem sido muito importantes, promovendo uma grande democratização do ensino superior sem perda de qualidade, diga-se de passagem. E me parece muito complicado confundir, como o texto faz, direitos com privilégios. Antes de desqualificar os direitos adquiridos, penso que deveríamos começar pontuando os privilégios que determinadas classes e grupos vem conservando com quase exclusividade no Brasil ao longo de nossa história. Não vejo também como manter o respeito pelo próximo e pelo espaço do próximo, como você diz, se a sociedade japonesa segue com machismos e desigualdades salariais entre mulheres e homens, por exemplo. E, ao contrário do que aparece no seu texto, isso é é uma questão no Japão. De fato, sou de família japonesa e ao conversar com meus primos japoneses todos afirmam que isso vem mudando muito no Japão e que eles se envergonham, muito, por isso e tem procurado mudar. As leis, por outro lado, não podem e nem devem ser encaradas exclusivamente como culpa dos políticos.. mas, ao contrário, é a mobilização, o voto e o constante diálogo entre Sociedade e Parlamento que fazem com que as leis mudem e se adequem às necessidades e aos problemas daquela sociedade, me parece. E isso requer organização, diálogo e participação política.. Por fim, me parece muito complicado trazer o medo da eleição do Bolsonaro (que não é algo restrito à esquerda brasileira, mas a boa parte do mundo como inúmeros jornais vem noticiando ao redor do globo) da forma como o texto faz. Esse candidato, em algumas de suas muitas afirmações polêmicas, já confirmou que é a favor da tortura, que é contra e quer ver destruído todo ativismo, que as minorias precisam se ajustar às maiorias e que pessoas que pensam diferente devem ser presas ou exiladas. Isso, ao meu ver, e para ser bem benevolente, está muito distante de “respeitar a liberdade do outro ser o que quiser ser”, tal qual você elogia na sociedade japonesa. É um assunto bem mais complicado e perigoso do que está colocado no texto. Coloca em risco a própria existência do diferente, das minorias. E, por curiosidade, há um partido comunista no Brasil também… e não há problema nenhum nisso. A enorme fobia e grita em torno de um suposto “comunismo” no Brasil, hoje, estão muito mais ligadas a uma narrativa e um discurso irreal, descontextualizado (não estamos mais na Guerra Fria), populista e ligado a um sentimento anti-petista (alimentado por setores da mídia e por setores políticos) do que a qualquer outra coisa… enfim, o tema é muito importante, interessante.. mas penso que poderia ter reflexões um pouco mais profundas e menos simplistas tanto no que cabe ao Brasil como ao que se trata de Japão. Abraços, Karina

    • Concordo com os erros ortográficos e de concordância, mas tb escrevi esse artigo por um tablet num trem, estou em viagem ao Japão sem tempo de revisar bem ou corrigir muita coisa. Vc achou meu texto complicado? Seu comentário foi bom mas foi mais complicado ainda kkkkk eu tentei usar palavras simples, eu sei que eu tentei abordar varias coisa de uma vez… Mas sobre a desculpa de que a história do Brasil é problematica… Já viu a história do Japão? É muito pior e mesmo assim eles mudaram rapidamente… Sobre o bozo ser problematico, falam a mesma coisa do Trump e até agora só vejo os EUA de boa… a maioria das coisas que falam do Bozo são fora de contexto… Notícias em jornais do mundo? Os mesmos que fazem a população resumir o Brasil em samba, carnaval e futebol? Pode existir o perigo, mas ao menos eu estou de boa pq já espero algo bem pior nessa geração que envolve o mundo todo…

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