Empresas ferroviárias do Japão

Empresas ferroviárias do Japão

JR, privadas e o jeito japonês de transformar trilho em cidade

No Japão, quem olha o mapa de trens procura uma empresa só. O que existe é outra coisa: o Grupo JR divide o país em regiões, e ao lado dele há mais de cem ferrovias privadas. Várias dessas empresas não vendem só passagem — vendem também o bairro, o shopping e o jeito de chegar até eles.

Sabendo disso, não é de se espantar que existam muitas redes privadas de transporte ferroviário. Essa rede é uma alternativa muito eficiente, exigindo poucos subsídios e funcionando de forma extremamente pontual. Portanto, muitas pessoas no Japão optam por usar este meio de transporte.

Sumário 5

Surgimento das empresas ferroviárias

No Japão existem muitos sistemas ferroviários privados. No Japão do pós-guerra, o governo encorajou as empresas a desenvolver seus próprios sistemas de transporte de massa, a fim de reconstruir rapidamente as redes de transporte urbano do país.

Linhas ferroviárias privadas foram incentivadas a competir entre si, com o papel do governo limitado à regulamentação das tarifas. Em troca do desenvolvimento de linhas ferroviárias, as corporações privadas tiveram oportunidades de negócios para diversificar suas operações.

Permitindo que empresas privadas controlassem empreendimentos orientados ao transporte e linhas ferroviárias, comunidades planejadas foram facilitadas. Os operadores passaram a montar um negócio verticalmente integrado de desenvolvimento residencial, comercial, industrial e de varejo — e dos trajetos que o povo usa para circular entre essas áreas.

Vários shinkansen de cores diferentes alinhados num pátio ferroviário no Japão

O Grupo JR

Existem mais de 100 empresas que fornecem serviços ferroviários no Japão. Entre elas estão as seis empresas regionais de passageiros do Japan Railways Group (JR), herdeiras da estatal Japanese National Railways (JNR), dividida e privatizada em 1º de abril de 1987. Há ainda a JR Freight, a empresa nacional de carga do mesmo grupo.

As seis de passageiros são a JR Hokkaido, a JR East (leste de Honshu, incluindo Tóquio), a JR Central (também chamada JR Tōkai, dona do Tokaido Shinkansen entre Tóquio e Osaka), a JR West, a JR Shikoku e a JR Kyushu. Elas não têm uma holding única: cada uma opera a sua região, embora alguns trens longos cruzem a fronteira entre companhias.

Quem opera o shinkansen muda conforme a linha. A JR East cuida do Tōhoku, do Jōetsu e, junto com a JR West, do Hokuriku; a JR Central fica com o Tokaido; a JR West com o San'yō; a JR Kyushu com o Kyūshū e o Nishi Kyūshū; a JR Hokkaido com o Hokkaidō. A JR Shikoku não tem trem-bala. O JR Pass nasce dessas seis de passageiros: cobre a malha JR, não a maior parte das privadas nem do metrô.

O grupo JR e várias das grandes privadas estão entre as principais corporações do país. Isso se deve porque muitas dessas ferrovias foram construídas por empresas que desenvolvem comunidades integradas ao longo das linhas, fazendo deste um negócio muito lucrativo.

Shinkansen prateado com faróis acesos parado numa plataforma coberta

As grandes empresas privadas

Além do JR, a Associação das Ferrovias Privadas do Japão reconhece 16 grandes operadoras. Em Tóquio e arredores aparecem Tobu, Seibu, Keisei, Keio, Odakyu, Tokyu, Keikyu, Tokyo Metro e Sotetsu. No entorno de Nagoya está a Meitetsu. No Kansai, Kintetsu, Nankai, Keihan, Hankyu e Hanshin. Em Fukuoka, a Nishitetsu.

Esses nomes importam na prática. A Odakyu sai de Shinjuku rumo a Hakone e Enoshima; a Keisei liga Tóquio a Narita; a Keikyu chega a Haneda; a Nankai vai ao aeroporto de Kansai e a Kōyasan; a Kintetsu tem a maior malha entre as não-JR, costurando Osaka, Kyoto, Nara, Ise e Nagoya. Quem só pensa em “o trem do Japão” acaba pagando duas tarifas ou descobrindo, na catraca, que o passe da JR não vale naquela linha.

Há também a empresa nacional de frete JR Freight. Carga sobre trilhos existe, mas o grosso do negócio — e da paisagem diária — é passageiro. Em muitas regiões, cerca de 70% da malha continua com o grupo JR; o restante, sobretudo nas grandes cidades, é território das privadas.

O uso das ferrovias no Japão

Só as seis JR de passageiros registraram mais de 8,6 bilhões de viagens no ano fiscal de 2024. Por causa desse sistema, o Japão concentra 46 das 50 estações mais movimentadas do mundo — a estação Shinjuku costuma aparecer no topo dessa lista.

O principal uso dessas linhas é urbano ou entre cidades. Isso porque o movimento em muitas linhas fora das metrópoles está em declínio, com mais carros nas casas e menos gente no interior. Para exemplificar: em 16 de outubro de 2015, a JR West anunciou estar considerando fechar os 108 km da Linha Sankō, entre Gōtsu (Shimane) e Miyoshi (Hiroshima); em 29 de setembro de 2016 confirmou o encerramento, e a linha inteira parou em 31 de março de 2018, substituída por ônibus.

Cidades como Kobe, Nagoya, Osaka, Kyoto, Sapporo, Sendai, Fukuoka, Yokohama e Tóquio possuem sistemas de metrô. Porém, ao contrário da Europa, a grande maioria do tráfego de passageiros é em trens suburbanos que cruzam as áreas metropolitanas — a linha Yamanote, da JR East, é o exemplo mais famoso em Tóquio. Além do metrô, muitas cidades têm também redes de bondes e monotrilho.

Passageiros em pé e sentados vistos pela janela de um vagão lotado no Japão

Pontualidade e o certificado de atraso

As ferrovias japonesas estão entre as mais pontuais do mundo. No Tokaido Shinkansen, a JR Central registrou atraso médio de 1,6 minuto por trem no ano fiscal de 2023, já incluindo atrasos por desastre natural. Quando os trens atrasam só cinco minutos, o condutor pede desculpas e a companhia pode fornecer um certificado de atraso (遅延証明書, chien shōmeisho). Isso acontece porque os passageiros dependem muito do trilho e tomam como certo que o horário se cumpre. Quando o atraso passa de uma hora, a notícia pode até aparecer no jornal.

Outra coisa que também está entre as melhores do mundo no Japão é a segurança ferroviária e a limpeza. Embora algumas pessoas falem que a segurança no Japão está diminuindo, é improvável encontrar crime no vagão, mesmo quando os passageiros dormem no metrô — algo bem comum. Além disso, embora em muitos países se veja grafite e equipamento degradado, isso é bem raro no Japão: os trens costumam ser respeitados como bem público e mantidos limpos.

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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