As visitas dos Presidentes do Brasil ao Japão

Quando se trata de diplomacia, Brasil e Japão mantêm boas relações entre si desde o início da década de 50, quando o diálogo entre as duas nações é retomado. Atualmente, os dois países possuem um intercâmbio econômico e cultural bastante positivo e ambos integram o G20.

Vale destacar, também, que Brasil e Japão firmaram um tratado de amizade em 1895, mas em decorrência dos eventos provocados pela Segunda Guerra Mundial, a boa relação entre os dois países esfriou, até começar a melhorar novamente a partir de 1951.

Sendo assim, desde o governo do general Geisel (final da década de 70), muitos chefes de estado brasileiros estiveram em território japonês, seja para cumprir agenda ou discutir acordos.

Neste artigo, conheceremos quais foram os mandatários tupiniquins que visitaram o Japão e como se deram suas respectivas estadias.

Adendo: Este artigo não visa manifestar apoio a político algum. Aqui, busco apenas informar e divulgar acerca dos elementos que envolvem a rica história diplomática entre Brasil e Japão.

Visita de Ernesto Geisel (1976)

Ernesto Geisel foi um dos últimos presidentes do regime militar, comandando o país entre 1974 e 1979. No ano de sua visita ao Japão (1976), o trono do crisântemo (como é chamado o trono do imperador) era ocupado pelo Imperador Showa (昭和天皇) Hirohito, que veio a deixar o posto em 1989 após o seu falecimento.

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Imperador Hirohito (do lado esquerdo) e Geisel (do lado direito)

No site da Fundação Getúlio Vargas é possível conferirmos diversas fotos retiradas no dia da visita do mandatário brasileiro ao Japão. Nas fotos vemos imagens de solenidades, reuniões entre Geisel e Hirohito e Gueixas recebendo o então chefe de estado brasileiro. Para conferir clique aqui.

Visita de João Baptista Figueiredo (1984)

Entre os dias 20 de maio e 1 de junho de 1984 foi a vez de mais um chefe do período militar partir rumo ao Japão. João Baptista Figueiredo foi o último presidente do regime militar brasileiro, permanecendo no posto entre os anos de 1979 e 1985. No período de sua visita, assim como no caso de Geisel, o Imperador do país insular ainda era Hirohito.

No caso de Figueiredo, ele partiu em viagem tanto ao Japão quanto à China e, em relação a essa em específico, a documentação é extremamente escassa. Constam na internet e nos meios impressos apenas as datas e a existência de um relatório de 49 páginas sobre o evento.

Visita de Fernando Collor (1990)

No início de 1990, foi a vez de Fernando Collor de Melo (1990-1992), o primeiro presidente eleito pelo voto popular após a ditadura, visitar as terras japonesas. Na ocasião, Collor participou da cerimônia de entronização do novo Imperador Akihito. No vídeo abaixo, é possível vermos Collor se exercitando em território japonês e, posteriormente, se reunindo com autoridades.

Uma das temáticas principais da reunião foi com relação à inserção de cinco países no Conselho de Segurança da ONU, dentre eles o Brasil e o Japão.

Um fato extremamente curioso sobre a visita do ex-presidente é que ele se encontrou algumas vezes com Antonio Inoki, famoso ex-lutador japonês. Além disso, Collor era praticante de Karatê, tendo exibido suas capacidades na arte marcial na Associação Japonesa de Karatê.

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Outro ponto de ligação entre Collor e o Japão foi o fato do mandatário ter estimulado a importação de carros, video games e computadores, fato que aumentou consideravelmente a influência da cultura japonesa na indústria brasileira, sobretudo em relação à tecnologia.

O Super Nintendo (conhecido como “Super Famicom, スパーファミコン” no Japão), por exemplo, que fora lançado em 1990 no Japão, só veio para o Brasil em 1993, alguns meses após o fim do mandato (impeachment) do então presidente brasileiro. A importação de eletrônicos veio a crescer consideravelmente após esse período.

Visita de Fernando Henrique Cardoso (1996)

Em março de 1996, foi a vez de Fernando Henrique Cardoso visitar a terra onde o sol nasce. Um ano antes, em 1995, haviam se completado cem anos da assinatura do tratado de amizade (Tratado de Comércio, Amizade e Navegação) entre as duas nações. Em 1996, isto é, um ano antes da Crise da Ásia (1997), FHC recebeu um convite do governo japonês para visitar o país.

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As visitas dos presidentes do brasil ao japão

Durante a estadia de apenas 4 dias, FHC foi acompanhado por uma extensa comitiva de políticos descendentes de japoneses e personalidades ligadas ao Japão. Dentre essas personalidades presentes na comitiva, esteve o ex-jogador do Kashima Antlers Zico, aclamado pelos japoneses como o “Deus do Futebol” (サッカーの神, sakka no kami).

Como resultado da visita de FHC naquele ano, foram discutidos acordos de financiamento para diversas obras brasileiras, como projetos de construção de úsinas eólicas, assim como de melhorias ambientais e de saneamento básico em várias regiões.

No ano seguinte à visita de FHC aos nipônicos (1996), foi a vez do então Imperador da ocasião Akihito e a Imperatriz Michiko visitarem o Brasil, em 1997. Nesse mesmo ano (1997) foi realizado um acordo que resultou no famoso Protocolo de Kyoto, que visa a diminuição da emissão de gases do efeito estufa.

No caso da visita de FHC, em específico, é possível encontrarmos uma extensa documentação, com fotos, reportagens e matérias de jornais tratando sobre o assunto.

Visita de Lula (2005)

Pouco antes de estourar na mídia o escândalo do Mensalão (que foi divulgado nos meios de comunicação em junho daquele ano), Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) visitou o Japão, em maio de 2005.

Nesse período, Lula visitou dois países asiáticos: Coreia do Sul e Japão. Na ocasião, encontrou-se com o então primeiro-ministro japonês, cargo ocupado á época por Junichiro Koizumi.

Um dos objetivos da viagem foi a discussão sobre acordos no ramo dos combustíveis, sobretudo do etanol e dos biocombustíveis em geral.

Na comitiva que acompanhou o ex-presidente, também esteve o primo brasileiro do primeiro-ministro japonês, o Sr. Kenji Iryo.

A sucessora de Lula no governo, Dilma Rousseff (2011 – 2016), não cumpriu com a tradição dos outros presidentes brasileiros e acabou não realizando viagem ao Japão, tendo cancelado seu compromisso em novembro de 2015, sendo ela um dos poucos, dentre os mandatários brasileiros, a não viajarem ao país.

Visita de Temer (2016)

Em outubro de 2016, Michel Temer foi outro chefe de governo (e de estado) a pisar em terreno japonês. Na ocasião, Temer conversou por mais de meia hora com o então Imperador Akihito. Além de ter se encontrado com Akihito, o ex-presidente também dialogou com o então primeiro-ministro Shinzo Abe, com empresários brasileiros residentes no Japão e com o Ministro das Finanças.

Após mais de 11 anos sem a visita de um chefe de estado brasileiro, os japoneses finalmente tiveram a oportunidade de continuar o alinhamento diplomático, social e econômico que já vinham tendo, há bastante tempo, com o Brasil. Na visita de Temer, firmaram-se acordos acerca da cooperação em obras e projetos ligados à infraestrutura.

Visita de Bolsonaro (2019)

Mais recentemente, em 2019, o atual Presidente da República Jair Bolsonaro participou da cerimônia de entronização do Imperador Naruhito, fato que inaugurou a chamada Era Reiwa (令和). Durante sua visita, Bolsonaro chegou a afirmar que “Participar da cerimônia de entronização é um motivo de satisfação e de orgulho. Temos muito respeito e consideração pelo povo japonês”.

Conclusão e análise política

Por fim, é importante destacarmos que cada país em especial possui suas próprias formas e sistemas de governo. O Japão é uma monarquia constitucional, no qual o Imperador é uma figura predominantemente diplomática, simbólica e de caráter hereditário. Além da figura do Imperador, o país é comandado politicamente pelo primeiro-ministro e por um parlamento eleito.

O parlamento japonês, no linguajar utilizado pelas outras nações, costuma ser denominado de “Dieta”, e consiste precisamente em duas casas legislativas, que são: A Câmara dos Representantes (Câmara baixa) e a Casa dos Conselheiros (Câmara alta).

Já no Brasil, temos um sistema de governo Presidencialista, isto é, onde existe a figura do Presidente. O Presidente, por sua vez, é considerado tanto chefe de estado quanto chefe de governo, sendo incumbido de tarefas no âmbito diplomático-simbólico e também no âmbito governamental, político e executivo. Num regime Presidencialista, a figura do Presidente está sujeita a trocas constantes (a cada 4 anos) e ao rígido controle de suas ações por parte do parlamento e da sociedade. Em relação a forma de governo, temos que o Brasil consiste numa República Federativa.

Nesse sentido, é evidente que Brasil e Japão possuem contextos políticos distintos. Tais contextos díspares foram influenciados não somente por acontecimentos ou diferenças econômicas, mas sobretudo por fatores históricos, coloniais, territoriais, religiosos e culturais que fazem com que cada nação tenha sua particularidade e sua maneira de reger suas leis e suas políticas.

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