Metaverso é uma das palavras mais faladas na web nesses últimos anos, seja pelos Jogos NFT ou pelas propostas de realidade virtual e realidade aumentada — essa palavra promete ser a evolução da Internet. Qual o papel do Japão nesse universo? Neste artigo, veremos tudo sobre o Metaverso no Japão!
Ao longo do texto, compartilho alguns dados interessantes sobre o Metaverso no Japão: como o Japão está se integrando a esse universo, quais são as propostas japonesas para o metaverso e até mesmo alguns animes que abordam o tema. Se você é fã de cultura pop japonesa ou só curioso sobre o futuro da internet, este guia é para você.
O que é Metaverso?
Metaverso é o nome usado para denominar um ambiente virtual imersivo, coletivo e hiper-realista, onde as pessoas podem conviver usando avatares customizados em 3D. Nesse universo, será possível comercializar personagens, ambientes, terrenos, casas, comprar e vender produtos como no mundo real.
Funciona como uma espécie de RPG online, mas onde será realmente possível realizar qualquer coisa e ainda ganhar e viver com isso. Uma das principais propostas é a imersão usando realidade virtual completa, o chamado Full Dive.
Além de ser uma nova forma de viver ou de gerar renda para alguns, o metaverso aproxima cada vez mais as pessoas e traz experiências cada vez mais imersivas, de maneira mais acessível aos usuários.
O objetivo do metaverso é apresentar não apenas a visão e a audição de um novo mundo: a proposta é uma imersão completa, com sensações físicas, de tato e temperatura, e até mesmo de olfato e paladar.
Uma das propostas do metaverso é possibilitar que a pessoa faça compras em uma loja sem precisar ir até lá, mantendo a experiência como se estivesse na loja. Outra proposta é realizar shows e eventos como se estivesse no local.

O Metaverso no Japão
A mistura do real com o virtual já acontece no Japão há muitos anos. Os jogos japoneses geralmente são imersivos, e suas Visual Novels já tentam levar seus jogadores a uma nova vida, com relacionamentos e amigos.
Algo que se popularizou recentemente são os canais do YouTube nos quais os apresentadores, na maioria das vezes, são personagens estilo anime chamados V-Tubers. É um movimento forte, ainda mais porque os japoneses prezam bastante pelo anonimato.
Há alguns anos, com o surgimento dos óculos de Realidade Virtual, um jogo que se popularizou se chama VRChat, onde podemos encontrar muitos pequenos universos cheios de personagens de anime e criações realistas.
Desde 2011 já acontecem shows de Realidade Aumentada usando personagens de anime, como a famosa Hatsune Miku. O Japão já está integrado ao metaverso há muitos anos, é claro que não da forma como está sendo proposto agora.
No Japão já estão presentes serviços em que a pessoa pode experimentar algumas atividades, como passar cotonete nos ouvidos ou até mesmo interações com personagens de anime usando realidade aumentada.

Informações sobre o Metaverso no Japão
Em agosto de 2021, foi realizada uma pesquisa por duas V-Tubers, Nem e Mila, sobre a vida social no mundo digital, ou metaverso, no Japão. Veja algumas informações interessantes sobre esse assunto.
Conforme a pesquisa, 90% dos japoneses utilizam o VRChat, mas outros aplicativos populares são Virtual Cast, Cluster e NEOS VR. Existem outros apps mobile utilizados para reuniões online com personagens de anime.
Cerca de 48% dos usuários japoneses desse mundo virtual estão na casa dos 20 anos, enquanto 29% estão na casa dos 30 anos. Apenas 3% dos usuários têm acima de 50 anos, enquanto 12% estão na casa dos 40. 8% dos usuários têm menos de 10 anos de idade.
Cerca de 50% dos usuários acessam o metaverso diariamente. Outros 25% costumam acessar no mínimo duas vezes na semana. Quase metade dos acessos costuma durar até 3 horas; já 32% deles costumam durar de 6 a 12 horas.
Apenas 2% dos usuários usam seus nomes reais no metaverso, enquanto em outros países do ocidente esse número permanece por volta dos 20%. Cerca de 25% dos usuários alteram suas vozes de alguma forma.

Motivos de estar no Metaverso
Já se perguntou por que os japoneses acessam o metaverso por meio do VRChat ou outra aplicação? Os dados abaixo apresentam porcentagens que vão ajudá-lo a compreender:
- 87% — socializar com amigos;
- 76% — explorar mundos;
- 59% — participar de eventos;
- 53% — jogar;
- 34% — criar mundos e avatares;
- 11% — fazer lives.
Tipos de Personagens no Metaverso
Abaixo veja uma porcentagem de personagens criados no metaverso:
- 78% — personagens femininos;
- 13% — personagens masculinos;
- 9% — outros tipos de personagens;
- 45% — humanoides;
- 43% — semi-humanoides;
- 5% — robôs e ciborgues;
- 3% — monstros e animais;
- 2% — outros.
Propostas para Metaverso no Japão
Além de jogos como o VRChat, verdadeiros projetos de recriação de bairros no mundo virtual já estão sendo feitos no Japão. Já em 2020, eventos como a Comiket aconteceram virtualmente, com o nome de Comicvket.
Uma rede de lojas de conveniência do Japão chamada Lawson também participou do projeto e tem sua loja como estande na versão virtual de Akihabara, mostrando assim o empenho de diferentes empresas nesse novo metaverso.
Empresas japonesas que oferecem serviços de realidade virtual e realidade aumentada já estão mapeando a cidade de Tóquio e entregando arquivos para serem usados como ambientes de shows e eventos.
Já a empresa NTT Docomo disse conseguir criar personagens no metaverso que espelham os movimentos dos usuários. Quando os usuários piscam ou sorriem, seus avatares podem realizar as mesmas ações em tempo real.

Os problemas do Metaverso no Japão
Há décadas temos um número enorme de japoneses que vivem na internet mais do que no mundo real. Esse estilo de vida acaba causando problemas sociais, dificultando amizades, relacionamentos e isolando pessoas em casa, como os Hikikomori e os Neet.
Em reação aos projetos de NFT, os japoneses já estão espertos e muitos já têm uma visão negativa desse negócio. Apesar de ser uma boa proposta, sabemos que muitos projetos estão sendo criados apenas para gerar lucro rápido, em esquemas parecidos com pirâmides financeiras.
Personagens femininos?
Outro problema bastante comum, seja no Japão ou no ocidente, é a escolha de personagens femininos nos jogos online. Seja em realidade virtual ou em jogos online tradicionais, a maioria — sejam homens ou mulheres — escolhe personagens femininos.
Por esse motivo, muitos são cautelosos ao iniciar um relacionamento online, por não saber o tipo de pessoa com quem estão namorando. Alguns homens costumam criar personagens e fingem ser mulheres para ganhar benefícios.
Apenas 9% dos usuários do metaverso no VRChat japonês são mulheres, mas 78% dos personagens são femininos. Claro que alguns homens preferem personagens femininas por serem mais agradáveis de se ver — digo isso porque também escolho personagens femininas nos jogos offline.
Será esse o motivo de os fãs de anime chamarem personagens femboy de "trap"? O mais estranho de tudo é que 75% afirmaram numa pesquisa que saber o sexo real da pessoa não é um fator relevante para o relacionamento virtual.

Animes sobre Metaverso
O metaverso está bastante presente nos animes. Já tivemos diversos animes que apresentam uma imersão completa no mundo virtual desde a década de 90. Alguns são clássicos, como Digimon e Sword Art Online.
Já escrevemos um artigo falando sobre os melhores animes sobre viagem para outro mundo, no qual citamos animes de mundos virtuais e digitais. Que tal vermos alguns animes que mostram como deve ser o metaverso no futuro?
Já vou avisando que não vou mencionar Digimon nesta lista, porque existem vários animes da franquia, então fica a dica para você dar uma olhada nessa grande saga por conta própria.
Accel World
Esse é o anime mais apropriado para mostrar como será o metaverso daqui a alguns anos. Podemos observar no anime uma imersão completa no mundo virtual e também uma mistura com a realidade aumentada.
O anime conta a história de um jovem gordo e baixinho apelidado de Haru, que sofre bullying no colégio. Um dia, ele é apresentado a uma garota popular que o convida para jogar um jogo que utiliza o próprio mundo como cenário e oferece benefícios no mundo real, por meio de habilidades de aceleramento mental.
Esse é um dos meus animes favoritos, que infelizmente não recebeu grande destaque no Japão. Baseado em uma light novel, essa obra é do mesmo autor de Sword Art Online, mas, na minha opinião, é bem mais interessante.

Net-Juu no Susume
Saindo um pouco da realidade virtual, esse anime mostra o relacionamento de duas pessoas em um MMORPG online. Trata-se de um anime de comédia romântica bastante divertido, que mostra os problemas sociais que os jogos podem causar.
O anime mostra a história de uma personagem de 30 anos chamada Morioka Moriko, que vive uma vida completa na internet, considerada uma NEET completa. Em um jogo online, ela cria um avatar masculino chamado Hayashi e se envolve romanticamente com uma personagem feminina.
Recomendo dar uma boa assistida nesse anime caso queira entender os problemas sociais que o metaverso pode causar nas pessoas e também as experiências positivas que o mundo virtual pode apresentar.

Sword Art Online
Por ser bastante popular, deixei a recomendação de Sword Art Online por último. Trata-se de um MMORPG de realidade virtual completo e mortal, no qual os jogadores ficam aprisionados até zerar o jogo, completando os 100 andares.
O anime não se limita a um único arco. Sua história continua por vários arcos, abrangendo outros jogos de realidade virtual de diferentes gêneros, um filme sobre realidade aumentada e até a criação de inteligência artificial no mundo real.
O anime faz uma ponte e se passa no mesmo universo que Accel World, representando uma tecnologia mais antiga. Com mais de 4 temporadas, Sword Art Online mostra muito bem a evolução das tecnologias envolvendo a realidade virtual e o metaverso.
Nos jogos de Sword Art Online, é possível se alimentar, trabalhar, comprar casas, ter relações íntimas e até mesmo sentir dor. Se você quer uma demonstração do metaverso no Japão em forma de anime, Sword Art Online é uma obra indispensável.

E você, já imaginou como seria passar horas em um mundo virtual usando um headset de realidade virtual? Está esperando o metaverso chegar de vez no Brasil ou já tem suas apostas sobre como ele vai moldar o futuro? Conta para mim nos comentários — adoro saber o que os leitores do Suki Desu acham dessas novidades.
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