Enquanto muita música ocidental, principalmente a que toca no Brasil, gira em torno de letra e de um ritmo fácil de repetir, o Japão continua com a música clássica bem presente no cotidiano. Você sabe o que é música clássica?
Não necessariamente indica só sinfonia, ópera, violino e piano. A marca desse repertório é a instrumentação mais densa: vários instrumentos ao mesmo tempo, linhas que se cruzam e uma peça que pede escuta, além do refrão.
Só para lembrar: estamos falando da música clássica ocidental, e não da música tradicional japonesa. As duas convivem. A clássica ocidental segue forte nas escolas e nas salas de concerto, e o J-pop, o J-rock e as trilhas de anime e jogo puxam harmonia, arranjo e instrumentos que muita música de rádio simplesmente não usa.
Em todo o Japão dá para achar centro de música e sala de concerto, da capital às cidades médias. A Federação Japonesa de Orquestras reúne cerca de 40 grupos profissionais.
Nas escolas, os alunos são puxados para a música clássica por aula, coral, piano, violino, canto, ópera e teatro, além dos clubes depois do expediente.
A música clássica ocidental entrou com força na Era Meiji (1868-1912). Bach, Mozart, Beethoven e Wagner passaram a aparecer em sala de aula e em concerto. A primeira apresentação documentada de uma orquestra sinfônica no Japão foi em 19 de fevereiro de 1887, em Tóquio, no Instituto de Pesquisa Musical, com trechos da Primeira Sinfonia de Beethoven. No mesmo ano nasceu a Escola de Música de Tóquio, origem da atual Universidade de Artes de Tóquio.

A música clássica presente no Japão
No Japão a educação musical começa aos 6 anos de idade: os alunos cantam, leem ritmo e tocam flauta doce. Até os 15 anos a disciplina é obrigatória. No ensino médio a aula deixa de ser obrigatória, e os alunos escolhem clubes em que podem aprender instrumentos clássicos ou tradicionais, como os corais, bandas de sopro e orquestras escolares.
Quase todo aluno japonês passa pela música clássica ocidental na escola. Virar instrumentista já depende de clube e de aula particular. Enquanto alguns ainda tratam concerto como coisa de elite, no Japão é comum ver orquestra cheia e piano na sala de música, com retrato de compositor na parede.
Só em Tóquio há oito orquestras profissionais de tempo integral, mais do que em Londres, Nova York, Berlim ou Viena. Em dezembro, a Nona de Beethoven, o daiku, toma o calendário de concertos, com corais que ensaiam a peça de memória. Hoje a música clássica também aparece em filme, jogo, anime e dorama.
No palco clássico o Japão deu Toru Takemitsu na composição, Seiji Ozawa na regência e Fujiko Hemming no piano. Ozawa morreu em 2024, aos 88 anos, depois de três décadas à frente da Orquestra Sinfônica de Boston. Nos jogos, Koji Kondo (Mario e Zelda), Nobuo Uematsu (Final Fantasy) e Akira Yamaoka (Silent Hill) levaram orquestra, piano e harmonia clássica para gente que talvez nunca compre ingresso de concerto.

Muitos animes e jogos usam orquestra, piano e cordas na trilha. Alguns colocam a música clássica no centro da história. Shigatsu wa Kimi no Uso e Nodame Cantabile são os exemplos mais citados, e ainda aparecem em vários animes escolares com instrumento e canto. Quem chegou no clássico pela trilha também pode passar pelas OST mais tristes que eu costumo voltar.
Música moderna influenciada pela música clássica
Desde cedo muita criança japonesa aprende piano ou violino. Hoje a maioria das músicas populares no Japão são complexas e usam vários instrumentos.
Pode notar: pegue qualquer música ocidental de rádio, principalmente as brasileiras de fórmula pronta, e compare com as japonesas, até as de anime. Nas músicas japonesas você encontra mudanças grandes no meio da faixa, além de instrumentos que no pop ocidental quase não aparecem.
Tem muita música japonesa de tom romântico. É grande a quantidade de faixas que usam piano e violino, além dos instrumentos tradicionais japoneses e dos sons sintetizados que dão densidade ao arranjo.
Em vários países o repertório clássico encolheu na vida comum. No Japão ele continua na escola, no concerto de fim de ano e nas músicas modernas que ainda cabem orquestra. Os festivais tradicionais são outro circuito, com organização e repertório próprios.

Eu posso afirmar isso por experiência própria. Depois de ser puxado por trilha de filme, jogo e anime, cheguei nas músicas japonesas que se aguentam só com os instrumentos, sem precisar de uma voz na frente. Letra ajuda. O que primeiro me prendeu foram os arranjos. E você, chegou no clássico pela orquestra ou pela OST?






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