Entre os dias 7 e 12 de setembro de 2016, o Luiz Rafael, do Programa Japonês Online, organizou um passeio pela cidade de Tokyo reunindo parte da equipe do curso e alguns alunos que quiseram transformar o estudo on-line em uma viagem de verdade ao Japão. Eu não consegui embarcar com o grupo no primeiro dia, então entrei na turma no dia 9 e fiquei até o dia 12, saltando de bairro em bairro pelo centro e pela Baía de Tóquio.
Nesses quatro dias juntos passamos por Ikebukuro (池袋), Shinjuku (新宿), Shibuya (渋谷), o Tokyo Sky Tree (東京スカイツリー), Ginza (銀座), a Tokyo Tower (東京タワー) e Odaiba (お台場), além de vários pontos menores que aparecem nos vídeos. O Luiz Rafael foi gravando tudo, e a ideia deste artigo é reunir esses registros, contar como foi a experiência e deixar algumas dicas para quem sonha em fazer o mesmo roteiro.
Sobre a Viagem e o Programa Japonês Online
O Programa Japonês Online é o curso de japonês do Luiz Rafael que, à época, já reunia uma comunidade ativa de alunos no Brasil. A ideia do encontro em Tóquio era simples e ao mesmo tempo ousada: levar parte dessa turma de alunos on-line para uma imersão presencial na capital japonesa, mostrando na prática o que eles já vinham estudando pela internet.
O grupo não era grande — cabia em uma van, mais ou menos —, mas era bem diverso. Tinha aluno que estava indo ao Japão pela primeira vez, gente que já tinha visitado o país com a família de origem e participantes que estudavam japonês há anos sem nunca ter pisado em Tóquio. Isso criou uma dinâmica interessante: quem tinha mais fluência ajudava quem travava na hora de pedir comida, e quem nunca tinha usado o metrô de Tokyo aprendia na marra, arrastando mala em escada rolante e lendo placas em kanji (漢字) no susto.
Para mim, esse encontro foi a prova de que um curso on-line consegue criar laços reais. A gente se conhecia pelos comentários no fórum, pelas aulas ao vivo e pelo grupo do curso, e de repente estava dividindo ramen e tentando encaixar todo mundo em uma foto perto do cruzamento de Shibuya. Embarcar no meio da viagem, como eu fiz, também ensinou: chegar atrasado ao programa significa perder os dias mais tranquilos em Ikebukuro e Shinjuku, mas garante um final de roteiro intenso em Odaiba, com a despedida da turma em cima da baía.
Roteiro em Tóquio: Os Pontos Que Passamos
A viagem aconteceu em setembro, no fim do verão japonês. O calor ainda pesava durante o dia, mas as noites já estavam mais frescas, e a cidade estava longe do caos de alta temporada. Foi um bom recorte de Tóquio: pegamos o contraste entre bairros enormes como Shinjuku e áreas mais históricas como Asakusa, sem precisar correr entre templos e arranha-céus como se fosse uma maratona.
Shibuya e o Parque Yoyogi
Shibuya (渋谷) foi o primeiro cartão-postal de quem chegou antes. O cruzamento famoso, a estátua do cachorro Hachikō (ハチ公) e a sequência de prédios com telão gigante continuam sendo uma boa porta de entrada para entender a escala de Tóquio — é o tipo de lugar que, mesmo depois de visto em mil fotos, ainda impressiona ao vivo. O Parque Yoyogi (代々木公園), que fica a poucos minutos dali, deu o contraponto: casais, famílias, grupos de cosplay aos sábados e muita gente descansando na grama. O Luiz Rafael gravou um episódio inteiro passando pelo parque e pelas ruas de Shibuya até o entardecer, e o vídeo mostra bem esse vai-e-vem de energia entre calmo e elétrico que define a região.
Asakusa, Ueno e o Tokyo Sky Tree
Em Asakusa (浅草) o clima muda. O bairro é o coração do Tokyo antigo, com a Senso-ji (浅草寺), o templo budista mais antigo da capital, a Nakamise-dōri (仲見世通り) cheia de barracas de senbei (煎餅) e souvenirs, e a vista para o Tokyo Sky Tree (東京スカイツリー) que sobe no meio do bairro. Quem sobe no Sky Tree tem a vista clássica de Tóquio a 350 metros de altura — o tipo de imagem que aparece nos cartões-postais, mas que ao vivo mostra muito melhor o tamanho real da cidade.
Ueno (上野) entrou no roteiro logo na sequência. O parque é enorme e funciona como um respiro entre templos e museus; dependendo do dia, ainda dá para atravessar o lago de pedalinho ou esticar até o Museu Nacional de Tóquio, que fica ali do lado. A combinação Asakusa + Ueno + Sky Tree é a pedida clássica para quem quer ver o lado histórico de Tóquio sem precisar de mais do que uma tarde inteira bem aproveitada.
Shinjuku, Ikebukuro e Akihabara
Shinjuku (新宿) é a estação de trem mais movimentada do mundo — não é força de expressão, é título do Guinness Book — e também um dos melhores lugares para entender a cara de Tóquio à noite. Kabukicho (歌舞伎町), a Robot Restaurant na época, o bairro da luz vermelha, as casas de karaokê por cápsula, os izakayas (居酒屋) escondidos em becos de neon: tudo convive num quarteirão só. Para quem gosta de pop culture japonesa, é o endereço certo.
Ikebukuro (池袋), que foi a porta de entrada de parte da turma, tem uma vibe parecida, mas com público diferente: anime stores, Sunshine City, o aquário e uma cena de cosplay forte. Fica a uma estação de Shinjuku pela linha Yamanote (山手線), então vale encaixar os dois no mesmo dia. Akihabara (秋葉原), que também entrou no roteiro, é a meca da eletrônica, dos games retrô e dos maid cafés; é o bairro para quem quer gastar horas fuçando loja de figure, fone e mangá. Se você curte esse lado, vale conferir nosso guia completo de Akihabara.
Ginza, Tokyo Tower e Odaiba
Ginza (銀座) entrou no roteiro no dia em que subimos a Tokyo Tower (東京タワー). A torre vermelha, construída em 1958, é bem mais antiga que o Sky Tree, mas continua valendo a visita: a vista é mais baixa, o bairro ao redor é mais charmoso e a vibe lembra o pós-guerra japonês de uma forma que o Sky Tree moderno não reproduz. Para quem vai pela primeira vez, subir nas duas vale a pena — são experiências bem diferentes da mesma cidade. O vídeo da visita à torre está entre os que gravei nessa viagem.
Odaiba (お台場) foi o último grande ponto do roteiro. A ilha artificial na Baía de Tóquio reúne shoppings enormes, a estátua da Liberdade em miniatura, o Gundam gigante em frente ao DiverCity, e uma vista da Rainbow Bridge (レインボーブリッジ) que à noite vira um espelho na água. Foi também o cenário da despedida da viagem, e o Luiz Rafael registrou esse momento em um dos vídeos mais marcantes da série — o vlog em que a turma se reúne pela última vez, com aquela sensação de "será que a gente se vê de novo?".
Experiências Culturais: Comida, Metrô e Hotel Cápsula
Além dos pontos turísticos, o que marcou a viagem foram as pequenas experiências do dia a dia. A primeira foi o metrô de Tokyo: limpo, pontual, barato se você compra o passe certo, e assustador para quem não lê hiragana (ひらがな). A dica é baixar o Google Maps offline da região antes de viajar e, na dúvida, perguntar na estação — o pessoal da bilheteria está acostumado a desenhar mapa para turista perdido e raramente se nega a ajudar.
A segunda foi a comida. A turma foi do sushi (寿司) mais clássico que se possa imaginar, com peixe que mal toca o arroz, até o ramen (ラーメン) servido em balcão de loja de bairro, passando por izakaya (居酒屋) onde a cerveja vem em caneca congelada e o couvert são espetinhos de frango. Uma boa forma de começar é pedir o que a mesa do lado está comendo; raramente a escolha é ruim e quase sempre rende uma conversa com o cliente japonês ao lado, quando o vocabulário e a coragem permitem.
Por fim, a hospedagem. Pelo menos uma noite da viagem foi passada em hotel cápsula (カプセルホテル) — aquelas cabines empilhadas que aparecem em todo filme de ficção científica japonês. A experiência é mais confortável do que parece: a cabine tem luz, tv, tomada e até um pijama. O chuveiro coletivo, o locker para guardar a mala e o silêncio absoluto depois das 22h fazem parte do pacote. É uma boa opção para economizar em Tóquio e para sentir de perto um costume que, para o brasileiro médio, parece coisa de outro planeta.
Dicas Práticas Para Quem Quer Fazer o Mesmo Roteiro
Para quem está planejando uma primeira viagem do Brasil ao Japão, alguns pontos práticos ajudaram bastante nesse grupo e continuam valendo hoje. Quem embarca em São Paulo, por exemplo, chega a Narita ou Haneda em voos de cerca de 24 horas, com conexão ou direto, dependendo da companhia. Comprar o Japan Rail Pass antes de embarcar — agora mais flexível, com opções de 7, 14 ou 21 dias — costuma compensar para quem vai rodar por mais de uma cidade.
Dentro de Tóquio, o dinheiro vivo ainda é rei em muitos izakayas e casas pequenas, mas cartões contactless e o sistema Suica/Pasmo (que hoje também roda em iPhone via Apple Pay) cobrem metrô, conveniência e boa parte das máquinas automáticas. Comprar um chip de dados ainda no Brasil evita dor de cabeça logo no desembarque; alternativamente, os roteadores pocket Wi-Fi podem ser alugados no próprio aeroporto. E vale treinar pelo menos três frases em japonês antes de sair de casa: sumimasen (すみません) para chamar atenção, arigatō gozaimasu (ありがとうございます) para agradecer e onegai shimasu (お願いします) na hora de pedir. Quebrar o gelo com essas três frases já muda completamente a forma como o atendimento acontece.
Por fim, uma sugestão específica para quem sonha em viajar com a comunidade de estudo: procure cursos on-line que ofereçam pontos de encontro presenciais no Japão ou pelo menos grupos de alunos em Tóquio. Foi exatamente o que o Programa Japonês Online fez nessa viagem, e isso transforma o roteiro em algo mais leve — você não está sozinho tentando decifrar uma placa em kanji, está com gente que também está aprendendo. Se você quer ler outros relatos do tipo, vale conferir o relato da Sonia Regina, nipo-brasileira de terceira geração, sobre a viagem dela. É outro ângulo, mas o mesmo país.
Galeria de Vídeos da Viagem
Os vídeos abaixo foram todos gravados durante os quatro dias de roteiro. A ordem segue a sequência da viagem — começo do encontro com a turma em Ikebukuro, passagem por Yoyogi e Shibuya, subida no Sky Tree e Asakusa, Tokyo Tower e Ginza, Odaiba e, por fim, a despedida. O episódio em que apareço pela primeira vez foi um dos mais tímidos: super tímido, sem saber bem o que dizer na frente da câmera. Com o tempo, o grupo foi se soltando, e o último vídeo, gravado já no encerramento, tem o tom mais emotivo da série.
Reflexões Finais: Voltar ou Não Voltar?
Terminei a viagem com a mesma sensação que a maior parte do grupo verbalizou no último vídeo: a de que quatro dias é pouco, e que a vontade de voltar vem antes mesmo do avião decolar. Tóquio é uma cidade em que cada bairro parece uma cidade diferente, e isso é parte do charme — você pode passar uma manhã em Asakusa achando que está em uma cidade histórica japonesa do século XIX, almoçar em Shinjuku achando que está em Nova York, e terminar a noite em Odaiba achando que está em uma cidade do futuro.
Se você tem o sonho de conhecer o Japão e está estudando por conta própria, a recomendação sincera é: faça como o Luiz Rafael fez com a turma do Programa Japonês Online. Junte um grupo pequeno, marque uma data, reserve hotel, compre o Japan Rail Pass e vá. Você vai errar estação, vai comer algo que não sabia o que era, vai tomar susto com a escada rolante de Ikebukuro e provavelmente vai chorar no aeroporto. Mas, como disse em tom de brincadeira para a turma ainda em Narita, todo mundo volta com a mesma frase na cabeça: "por que eu não fiquei mais?"
Se esta viagem inspirou você a arrumar as malas, continue acompanhando o Suki Desu — publicamos com frequência relatos de viagem, guias por bairro e dicas práticas para quem está planejando a primeira ou a próxima ida ao Japão. E, se você já fez um roteiro parecido, conta nos comentários qual bairro te marcou mais: Shibuya pela energia, Asakusa pela história ou Odaiba pela vista? A discussão está aberta.
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