Studio Ghibli: história e filmes do estúdio japonês

Studio Ghibli: história e filmes do estúdio japonês

História, filmes e temas que fizeram do Studio Ghibli uma referência da animação japonesa.

Há filmes que ficam ligados a um personagem; outros deixam a lembrança de um lugar, de uma música ou de uma sensação difícil de explicar. No Studio Ghibli, Totoro, Chihiro e San costumam ser a porta de entrada, mas as histórias não param no encanto visual. Elas atravessam infância, trabalho, guerra, luto, natureza e os mitos que continuam circulando pelo Japão.

Fundado em 1985, o estúdio reuniu Hayao Miyazaki, Isao Takahata, Toshio Suzuki e Yasuyoshi Tokuma. Sua filmografia alterna aventuras fantásticas, dramas íntimos e obras que não simplificam os sentimentos de quem assiste. É por isso que tantos títulos seguem encontrando público muito depois da estreia.

Sumário 5

Como nasceu o Studio Ghibli

Miyazaki e Takahata já tinham uma parceria criativa antes da fundação do estúdio. Com a criação de uma casa própria, ganharam espaço para desenvolver longas com mais liberdade e tempo de produção. O primeiro filme lançado pelo Studio Ghibli foi Tenkū no Shiro Rapyuta (天空の城ラピュタ), conhecido no Brasil como O Castelo no Céu, em 1986.

Dois anos depois, o estúdio lançou simultaneamente Hotaru no Haka (火垂るの墓), Cemitério dos Vagalumes, e Tonari no Totoro (となりのトトロ), Meu Amigo Totoro. O contraste entre as duas obras ajuda a entender o alcance do Ghibli: uma olha para a devastação da guerra; a outra encontra maravilha no cotidiano de duas crianças. Totoro acabou se tornando o símbolo mais reconhecível do estúdio.

Imagem relacionada ao Studio Ghibli

O que une os filmes do Studio Ghibli

Não existe uma fórmula única. Princesa Mononoke coloca pessoas, animais e espíritos em conflito por uma floresta; A Viagem de Chihiro faz uma menina atravessar um mundo de kami, banhos termais e regras desconhecidas; O Serviço de Entregas da Kiki acompanha uma jovem bruxa quando confiança e trabalho deixam de ser coisas simples. A fantasia não serve para fugir do mundo, e sim para olhá-lo por outro ângulo.

Também há espaço para histórias sem monstros ou feitiços, como Memórias de Ontem, Da Colina Kokuriko e O Vento se Levanta. Essa mudança de escala é uma das marcas da filmografia: uma mesma casa pode abrigar uma criatura da floresta, uma adolescente em crise e um projetista de aviões sem que todos os filmes soem iguais.

Se você gosta de animações com esse cuidado visual e narrativo, vale conhecer também os filmes japoneses de maior bilheteria, onde aparecem obras que ajudam a situar o alcance do cinema de animação no Japão.

Filmes do Studio Ghibli em ordem de lançamento

  • 1986 — O Castelo no Céu (Tenkū no Shiro Rapyuta);
  • 1988 — Cemitério dos Vagalumes (Hotaru no Haka);
  • 1988 — Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro);
  • 1989 — O Serviço de Entregas da Kiki (Majo no Takkyūbin);
  • 1991 — Memórias de Ontem (Omohide Poro Poro);
  • 1992 — Porco Rosso: O Último Herói Romântico (Kurenai no Buta);
  • 1993 — Eu Posso Ouvir o Oceano (Umi ga Kikoeru);
  • 1994 — Pom Poko: A Grande Batalha dos Guaxinins (Heisei Tanuki Gassen Ponpoko);
  • 1995 — Sussurros do Coração (Mimi o Sumaseba);
  • 1997 — Princesa Mononoke (Mononoke Hime);
  • 1999 — Meus Vizinhos, os Yamadas (Hōhokekyo Tonari no Yamada-kun);
  • 2001 — A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi);
  • 2002 — O Reino dos Gatos (Neko no Ongaeshi);
  • 2004 — O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro);
  • 2006 — Contos de Terramar (Gedo Senki);
  • 2008 — Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (Gake no Ue no Ponyo);
  • 2010 — O Mundo dos Pequeninos (Karigurashi no Arietti);
  • 2011 — Da Colina Kokuriko (Kokuriko-zaka kara);
  • 2013 — O Vento se Levanta (Kaze Tachinu);
  • 2013 — O Conto da Princesa Kaguya (Kaguya-hime no Monogatari);
  • 2014 — As Memórias de Marnie (Omoide no Mānī);
  • 2016 — A Tartaruga Vermelha (Reddo Tātoru Aru Shima no Monogatari), coprodução internacional;
  • 2020 — Aya e a Bruxa (Āya to Majo);
  • 2023 — O Menino e a Garça (Kimitachi wa Dō Ikiru ka).

Por onde começar

Não é preciso seguir a ordem de lançamento. Meu Amigo Totoro é uma escolha acolhedora para conhecer a infância vista pelo estúdio; A Viagem de Chihiro mostra a combinação entre estranheza e delicadeza que fez o Ghibli conhecido fora do Japão; Princesa Mononoke oferece um conflito mais áspero; e Memórias de Ontem funciona para quem quer descobrir o lado menos fantástico da casa.

O catálogo oficial também inclui Nausicaä do Vale do Vento entre as obras relacionadas ao estúdio, embora o filme tenha sido produzido pela Topcraft em 1984, antes da fundação do Studio Ghibli. A distinção importa para quem quer percorrer a filmografia sem misturar a origem do estúdio com as obras que influenciaram seu nascimento.

Museu Ghibli, em Mitaka

O Museu Ghibli fica em Mitaka, na região de Tóquio, e exibe curtas que não circulam normalmente fora de suas salas, além de exposições temporárias. A visita exige reserva antecipada; quem estiver planejando ir deve conferir as informações atuais no site oficial do Museu Ghibli.

Mais do que uma coleção de sucessos, o Studio Ghibli deixou um modo reconhecível de contar histórias: atenção aos gestos pequenos, personagens que mudam de ideia e cenários onde beleza e ameaça podem aparecer na mesma cena. Essa mistura explica por que seus filmes continuam convidando a uma nova visita.

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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