Os game shows japoneses mais bizarros: do Tetris humano à Sala da Múmia

Os game shows japoneses mais bizarros: do Tetris humano à Sala da Múmia

Parede que avança, sala que se enche de água e múmia em 60 segundos: as regras por trás dos formatos que alimentaram a...

A televisão japonesa ficou famosa no exterior pelos comerciais criativos, e os game shows ampliaram essa fama com formatos que depois foram licenciados em dezenas de países. Há competidores que resolvem enigmas em salas que se enchem de água, equipes que se dobram para atravessar paredes em movimento e gente que aceita terminar enrolada como múmia quando erra uma resposta.

Boa parte dos vídeos que circulam sem título saiu de quadros de programas noturnos, o que ajuda a explicar por que o Japão parece tão estranho para quem olha de fora. Os formatos mais conhecidos têm nome, emissora e regra, e alguns deles chegaram ao Brasil com outro título.

Sumário 4

Os clássicos que viraram virais

Tetris humano (Brain Wall). O quadro nasceu no Japão como Brain Wall, uma seção do programa de variedades Tunnels no Minasan no Okage Deshita, da Fuji TV. Uma parede de isopor com cerca de quatro metros de largura e 2,3 metros de altura avança com aberturas em formatos improváveis, e cada equipe tem poucos segundos para se encaixar no furo. Quem não passa termina em uma piscina de 1,5 metro atrás dos competidores. A Fremantle licenciou o formato, produzido em mais de 45 países como Hole in the Wall. No Brasil, a versão da Globo se chamou De cara no muro e foi apresentada por Fausto Silva em 2009.

Takeshi's Castle. A TBS exibiu o programa entre 1986 e 1990, com 133 episódios e Takeshi Kitano, o Beat Takeshi, no papel de um conde que recebia os competidores em um castelo cercado por provas físicas. As Olimpíadas do Faustão adaptaram a ideia a partir de 1989, e trechos da versão original apareceram em um especial de 1995. Em 2023, o formato voltou com uma nova temporada japonesa exibida pelo Prime Video.

Silent Library. A prova nasceu como um segmento do programa Downtown no Gaki no Tsukai ya Arahende!!, da Nippon TV. Os comediantes sentavam em uma biblioteca e precisavam ficar em silêncio durante a punição sorteada para um deles, por mais desconfortável que fosse. A MTV americana produziu a própria versão do formato entre 2009 e 2011.

Quiz com consequência física

DERO! O programa da Nippon TV ficou no ar de 19 de dezembro de 2009 a 9 de março de 2011. As equipes eram trancadas em salas temáticas e precisavam resolver enigmas antes que a armadilha local avançasse, com água subindo, piso cedendo e mecanismos que davam poucos segundos de margem. A atração saiu do ar depois do terremoto de 11 de março de 2011, porque as cenas com água lembravam o tsunami. A ideia foi adaptada nos Estados Unidos como Exit, transmitido pelo Syfy.

TORE! e a Sala da Múmia. Sucessor do DERO!, o TORE! ficou na Nippon TV de 6 de julho de 2011 a 25 de fevereiro de 2013, com especiais até 2016. Na Sala da Múmia, um único competidor tinha 60 segundos para responder a sete perguntas, sem poder pular nenhuma, enquanto era enrolado em ataduras. As sete respostas certas paravam e invertiam a máquina; quando o tempo terminava, a múmia estava pronta e o competidor acabava dentro de um caixão. A prova foi reaproveitada em um especial de fim de ano do Gaki no Tsukai, em 2019.

Competidor enrolado como múmia, mulher com um objeto comprido na boca e apresentador ao lado de pinos de boliche gigantes

Provas de resistência

SASUKE. A TBS estreou o formato em 1997: cem competidores encaram um percurso de quatro etapas nos estúdios Midoriyama, em Yokohama, e muitos competidores caem na água antes da reta final. Vendido como Ninja Warrior, o programa ganhou cerca de vinte versões locais.

Susunu! Denpa Shonen. Entre 1998 e 2002, a Nippon TV apostou em uma resistência sem plateia: o comediante Tomoaki Hamatsu, o Nasubi, passou 335 dias nu e isolado em um apartamento, sobrevivendo apenas com prêmios que ganhava em revistas. O feito entrou no Guinness e virou tema do documentário The Contestant, de 2023.

Urso diante de uma caixa transparente, participante equilibrada sobre um poste acima de um buraco e duas competidoras em um assento mecânico com capacetes

Por que os clipes parecem mais estranhos que os programas

Muitos vídeos compartilhados como game shows japoneses saíram de programas de comédia noturna, em que o constrangimento pesa mais que o prêmio. Entre os momentos que sempre reaparecem estão as escadas cobertas de sabão, a caixa cheia de serpentes e aranhas onde o participante enfia a mão e a corrida para escapar de um lagarto de fantasia. Sem título nem apresentador, esses trechos de dois minutos acabam representando a televisão inteira de um país.

Prova em estilo sumô, disputa em um painel com furos e cena cômica de um programa japonês noturno

A confusão tem uma causa simples: o Japão produz muitos programas de variedade, e a mesma brincadeira pode passar por várias atrações até chegar ao público estrangeiro. O que sobrevive à viagem costuma ter uma regra física fácil de explicar, como uma parede com um furo ou uma sala que se enche de água.

Do muro do Brain Wall à Sala da Múmia do TORE!, esses programas seguem o mesmo desenho: uma regra simples, uma consequência visível e uma câmera pronta para filmar o momento em que dá errado. É por isso que Hole in the Wall, Ninja Warrior, Silent Library e Exit atravessaram fronteiras, enquanto dezenas de outros formatos continuam restritos à madrugada japonesa.

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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