Alguns acham os japoneses pervertidos. Outros acreditam que a moral deles é bem elevada. Quem está certo? A briga quase sempre é sobre indecência e sexualidade — não sobre furar fila ou devolver a carteira encontrada na rua.
No Ocidente a fama veio de anime, jogo, mangá e de um monte de produto +18 que o Japão realmente inventa. Ao mesmo tempo, o mesmo povo é conhecido por educação, respeito e uma timidez que no trem vira silêncio. Pesquisas oficiais ainda apontam um desinteresse grande por namoro e sexo entre solteiros. A fama e a calçada não batem — e não é hipocrisia barata.

Sumário 4
Os japoneses possuem uma moral elevada
A moral japonesa não tem um conceito de certo e errado como no Ocidente. Nada pode estar certo ou errado por si só. Depende sempre da situação e de como outras pessoas a vêem. Os japoneses não estão presos a leis religiosas que envolvem fornicação, adultério e conduta vergonhosa. Ainda assim, no espaço público, muitos sustentam uma conduta mais recatada do que a de muita gente que se diz religiosa.
Essa cisão tem nome: honne (本音), o que a pessoa realmente sente, e tatemae (建前), a fachada que a situação pede. Na rua vale o tatemae: não constranger o outro, não sujar o espaço compartilhado, não trazer assunto sexual para o vagão. O honne fica para o quarto, o site adulto e o mangá que ninguém comenta no escritório. Quem quiser o mecanismo com mais calma, o texto sobre honne e tatemae entra nesse recorte.
Enquanto no Ocidente a falta de recato aparece em música, filme e conversa cotidiana, os japoneses evitam gíria e palavra de conotação sexual em público. As músicas pop que tocam no supermercado raramente tratam sexo de frente; romance, trabalho e estação do ano cabem mais fácil na letra.
Muitos comentam que os japoneses são extremamente tímidos e educados. Você não vai ouvir assobio nem “gatinha, delícia, gostosa” no ponto de ônibus. Se alguém mostrar o dedo do meio, provavelmente está falando em língua de sinais japonesa.

Não é que a mente esteja “limpa”. Na 16ª Pesquisa Nacional de Fertilidade do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Previdência Social (IPSS), feita em junho de 2021, o retrato dos solteiros de 18 a 34 anos foi outro:
- só 21,1% dos homens e 27,8% das mulheres estavam namorando;
- cerca de um terço disse que nem quer relacionamento — 33,5% dos homens e 34,1% das mulheres;
- 53,0% dos homens e 47,5% das mulheres relataram já ter tido relação sexual.
Lido ao contrário, quase metade desses solteiros não relatou experiência sexual. A fama de tarado convive com uma geração que simplesmente não está atrás disso. Ainda assim, a maioria disse que pretende casar algum dia — 81,4% dos homens e 84,3% das mulheres —, só que o namoro ficou para depois.
No Japão existem pervertidos, e muitos, mas em geral quem deseja ser. No Brasil a exposição é outra: música e conversa jogam indecência no colo de quem não pediu. Manter recato no cotidiano brasileiro pede filtro constante; no Japão, o filtro já está na rua.
Japoneses pervertidos e sem boa moral
A cultura japonesa tem padrões diferentes, e alguns perturbam quem chega de fora. Banho misto em onsen, a brincadeira do kancho, banca cheia de imagem sensual e fetiche que o Ocidente nunca testou — tudo isso vira prova de que “o japonês é tarado”, mesmo quando o hábito não é sexual no sentido que o visitante imagina.

Os estereótipos ocidentais do Japão datam do fim do século 19, quando o país se abriu e a arte japonesa virou moda na Europa. Ao longo do século seguinte, o Japão ficou famoso por inventar coisas — inclusive as que ninguém pediu.
Assim aparecem propostas estranhas que circulam como souvenir de taradice: perfume com cheiro de colegial, bar temático para falar de masturbação, campanhas de apalpar peitos. Uma parte é nicho real da indústria adulta. Outra parte é a mídia ocidental repetindo o mesmo objeto bizarro até ele parecer o retrato do país inteiro.
Como não existe um único padrão religioso de moral, alguns japoneses realmente chegam em desconhecida com proposta direta. E não dá para fingir que anime e mangá adulto não alimentam a fama. O ponto é outro: isso não é o comportamento padrão no escritório, no comboio das 8h nem na padaria da esquina.

Eu pessoalmente achei os japoneses pervertidos?
Ao estar rodeado de japoneses, você dificilmente vai pensar em sexo. Não ouve gíria, não ouve música com esse teor. O fato de manterem recato em público não significa que o país esteja “limpo” — significa que o explícito tem endereço.
Ao andar nas ruas de Akihabara e de Nipponbashi, você encontra colegiais entregando panfleto para casa de massagem, prontas para torrar o dinheiro de quem topa. Em casos mais inocentes, meninas vestidas de empregada convidam para gastar em máquinas catcher.
As japonesas encurtam a saia sem drama. No trem, duas colegiais sentaram na minha frente e literalmente abriram as pernas, mostrando a calcinha e dando aquelas risadinhas…

Basta entrar em loja aleatória ou banca de revista para achar seção gigantesca escrito +18. Algumas nem se importam de colocar imagem indecente na porta. O artigo 175 do Código Penal pune quem distribui ou expõe material obsceno — até dois anos de prisão ou multa de até 2,5 milhões de ienes. Na prática, é a regra do mosaico na genitália dos vídeos adultos. A censura no Japão não apaga o erotismo; ela empurra o explícito para o recorte, o fetiche e o desenho.
Assédio no trem existe e tem nome, chikan. Não é “cultura”, é crime, e as composições só de mulheres no rush nasceram exatamente por isso. Generalizar um povo inteiro a partir do criminoso ou do panfleto de Akihabara é o mesmo erro de julgar o Brasil só pelo funk explícito que toca no ônibus.
Eu pessoalmente achei o ambiente do Japão maravilhoso para quem não gosta de ambiente pervertido como o do Brasil. No Japão você precisa ir atrás das coisas pervertidas. No Brasil você é exposto a elas mesmo sem querer.
Concluindo, os japoneses são ou não pervertidos?
A ideia de que os japoneses são tarados deriva de uma dissonância: o Ocidente esbarra no Japão pela primeira vez e trata qualquer hábito estranho com uma sensibilidade que não aplica ao próprio quintal. O país não é “ocidental atrasado”. É outro recorte de vergonha, de silêncio e de o que se pode mostrar na rua.

O Japão está perto e longe de ser pervertido ao mesmo tempo. A cultura força as pessoas a seguirem regra e parecerem boas. Uma parte se sente reprimida e descarrega isso em anime, mangá, comercial e nicho adulto — o honne vazando onde o tatemae não alcança.
Quanto a fetiche, o Japão é aberto porque não herdou um único código religioso de pecados da carne. Não se trata só de taradice: o país testa ideia que ninguém tentou, do inofensivo ao constrangedor.
Virou moda achar coisa pervertida ligada ao Japão e espalhar na mídia para ganhar clique. Atitude, fetiche e comportamento estranho existem em qualquer país.

Assim como os indianos não são tachados de pervertidos por terem o Kama Sutra, por que concluir que japoneses são pervertidos? Todos nós somos, de certa forma. O que muda é se o desejo vaza na rua, no fone de ouvido do ônibus ou só no quarto.
Eu pessoalmente me sinto ofendido vivendo num ambiente em que palavra de conotação sexual e música que fala de sexo de frente são populares e comuns. Os brasileiros sim, eu tenho total certeza em chamar de pervertido (sem generalizar, não são todos)…
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