Paleolítico do Japão: origens da pré-história no arquipélago

Paleolítico do Japão: origens da pré-história no arquipélago

Caçadores da era glacial e o começo da pré-história japonesa

Durante a última era glacial, o Japão ainda não era o quebra-cabeça de ilhas do mapa escolar. O mar recuava, Honshu, Shikoku e Kyushu viravam uma terra só, e grupos pequenos cruzavam faixas geladas atrás de animais. A história humana do arquipélago começa nesse chão de caça — muito antes da cerâmica Jomon e dos arrozais.

O resumo fácil ainda cola 50 mil a.C. no começo da linha. Esse número não caiu do céu, mas também não sobreviveu inteiro ao que a arqueologia japonesa aprendeu nas últimas décadas. A data que se sustenta com mais firmeza fica por volta de 35 mil a.C. O resto deste texto é o que cabe entre a ponte de terra e a primeira vasilha de barro.

Ilustração de caçadores atacando um elefante com lanças ao lado de uma aldeia com cabanas de palha e pessoas ao redor de fogueiras
Sumário 4

Os primeiros habitantes do arquipélago

Os primeiros seres humanos a habitar o arquipélago seriam caçadores da Idade da Pedra do nordeste da Ásia. Viajando em pequenas tribos e usando armas com pontas de pedra, eles seguiram os rebanhos de animais selvagens por meio de pontes terrestres para o Japão, formadas durante a Era Glacial.

No auge do gelo, Hokkaido se ligava a Sacalina e à Sibéria. Honshu, Shikoku e Kyushu formavam o Paleo-Honshu. Nem todo mundo chegou a pé: obsidiana da ilha de Kozushima já aparece em sítios do Honshu, o que pede travessia de mar aberto bem cedo.

Muita gente ainda imagina ocupação mais antiga. Os sítios que aguentaram revisão, porém, concentram a chegada desses caçadores por volta de 35 mil a.C. Os artefatos paleolíticos incluem ferramentas de lâmina finamente feitas, semelhantes às da Sibéria e da Eurásia.

Os primeiros ossos humanos foram descobertos na cidade de Hamamatsu, Shizuoka. De acordo com a datação por radiocarbono, os fósseis — o chamado Homem de Hamakita — remontam a cerca de 14 mil a 18 mil anos. São restos tardios no Paleolítico, ainda assim anteriores à cerâmica.

Uma vez que nenhuma cerâmica ainda foi descoberta nessas camadas, o Período Paleolítico no Japão também é referido como o período “pré-cerâmica” (Sendoki). O nome ajuda a distinguir seus habitantes daqueles das eras seguintes.

Ferramentas, a cinza AT e o que torna o período diferente

O desenvolvimento de ferramentas com pedras polidas, surgidas depois no período Neolítico para o resto do mundo, faz com que esse capítulo do Japão pré-histórico seja único. Machados e enxós com gume polido aparecem por volta de 30 mil a.C., milênios antes do pacote clássico de aldeia, lavoura e barro.

Uma enorme erupção vulcânica no sul do Japão, em Kyushu, espalhou uma cinza distinta, o piroclasto Aira-Tanzawa (AT), na maior parte do país. Os arqueólogos datam acontecimentos no Japão como “antes ou depois da AT”. A partir desse momento, o seixo bruto perde espaço. As ferramentas pequenas e bem-feitas, especialmente as em forma de faca, tornam-se mais importantes cerca de 16 mil anos atrás.

As pequenas ferramentas de quartzo e obsidiana que predominam entre cerca de 16 mil e 13 mil anos atrás mostram uma semelhança considerável com as da mesma idade no nordeste da Ásia e na Europa. As ferramentas dos sítios na ilha de Hokkaido são quase idênticas às do Extremo Oriente e da Sibéria.

Três cenas da pré-história japonesa: cabanas de palha, ilustração de colheita ao lado de uma casa elevada e diorama de pessoas trabalhando o metal

Iwajuku e o debate das datas

Até o fim da Segunda Guerra, a maior parte das escavações parava no estrato Jomon. A ideia corrente era que o Japão só se ocupava ali. Em 1949, Tadahiro Aizawa encontrou ferramentas mais antigas em Iwajuku, na província de Gunma. Desde então, milhares de sítios paleolíticos apareceram — de Kyushu a Hokkaido.

O solo japonês é ácido e conserva mal o osso. Por isso o período se conta sobretudo em pedra e em cinza vulcânica. Em 2000, a fraude de Shinichi Fujimura — um amador flagrado plantando artefatos — derrubou uma leva de “descobertas” que empurravam a ocupação para 40 ou 50 mil a.C. Depois disso, a data amplamente aceita da presença humana no arquipélago voltou para cerca de 35 mil a.C.

O quadro que a evidência sustenta hoje é este:

MarcoO que a evidência sustenta
cerca de 35 mil a.C.Presença humana com sítios aceitos no arquipélago
cerca de 30 mil a.C.Pedra polida — machados e enxós com gume
cinza AT (Aira-Tanzawa)Erupção em Kyushu; divide camadas em “antes” e “depois”
16 mil a 13 mil anosFacas pequenas de quartzo e obsidiana
16 mil a 14 mil anosPrimeira cerâmica e passagem ao Jomon

Quando a cerâmica entra e o Paleolítico termina

O Paleolítico japonês acaba quando a cerâmica entra — em Honshu, mais ou menos entre 16 mil e 14 mil anos atrás. Não é um corte de tesoura. A mesma gente de pedra e caça começa a cozinhar e guardar em barro, e o nome da era muda para Jomon. O detalhe dessa virada, e o que vem no Yayoi do arroz, está no texto sobre os períodos Jomon e Yayoi.

Se a pergunta for o mapa inteiro, do gelo às cortes posteriores, o resumo da história do Japão em eras continua sendo o próximo passo. O Paleolítico é só o primeiro chão.

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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