Poucos filmes condensam tanta mitologia do tanuki numa única obra quanto Pom Poko. Por trás das estátuas fofas de chapéu de palha e barriga redonda, o longa do Studio Ghibli guarda uma das histórias mais amargas do catálogo do estúdio: uma comunidade inteira de tanuki lutando, e perdendo terreno, contra a expansão urbana de Tóquio.
Lançado em 1994 e dirigido por Isao Takahata, o filme reúne quase todo o folclore tradicional do tanuki numa trama só — os atributos das estátuas, as lendas de transformação e o embate entre o mundo humano e o mundo yokai que atravessa séculos de contos japoneses. Para conhecer o animal real por trás da lenda, vale a leitura do guia sobre o tanuki, o cão-guaxinim japonês.
Sumário 7
O que é Pom Poko: o anime de tanuki do Studio Ghibli
O nome original do filme é Heisei Tanuki Gassen Ponpoko (平成狸合戦ぽんぽこ), que pode ser traduzido como "A Guerra Tanuki da Era Heisei, Pom Poko". No Brasil, a obra circula com o título Pom Poko — A Grande Batalha dos Guaxinins. Foi lançado no Japão em 16 de julho de 1994, distribuído pela Toho.
A direção é de Isao Takahata, cofundador do Studio Ghibli ao lado de Hayao Miyazaki — os dois nomes costumam ser confundidos, mas Pom Poko é obra exclusiva de Takahata, o mesmo diretor de "Túmulo dos Vagalumes" e, anos depois, de "O Conto da Princesa Kaguya". Miyazaki não assina roteiro nem direção neste título.
Pom Poko chegou aos cinemas japoneses como o filme nacional de maior bilheteria de 1994, superando qualquer outra produção doméstica lançada naquele ano — um resultado comercial raro para uma animação centrada em folclore rural, num período em que o próprio Studio Ghibli já emplacava sucessos como "O Serviço de Entregas da Kiki" e "Porco Rosso".

A história do filme
A trama se passa em Tama, região montanhosa na periferia de Tóquio, onde uma comunidade de tanuki vive tranquila até as máquinas de terraplanagem chegarem para transformar a floresta em um novo bairro residencial. Sem espaço para fugir, os tanuki decidem usar o próprio folclore a seu favor.
O grupo passa a treinar os poderes tradicionais de transformação dos bake-danuki, recrutando mestres mais velhos para ensinar as técnicas quase esquecidas às gerações mais jovens. A ideia é assumir formas humanas e assombrar os canteiros de obras, na esperança de espantar os trabalhadores e frear a construção.
O tom do filme alterna entre a comédia física dessas transformações e um fundo de crítica ambiental cada vez mais grave, conforme as tentativas da comunidade esbarram na indiferença da cidade grande. Sem entregar o desfecho, é essa mistura de leveza e melancolia que faz de Pom Poko um dos títulos mais adultos do catálogo do estúdio, apesar da aparência infantil.
Referências culturais reais no filme
Pom Poko não inventa o folclore do tanuki — ele o organiza na tela. As estátuas com chapéu de palha, garrafa de saquê e barriga estufada aparecem retratadas como símbolos reconhecíveis pelos próprios personagens, praticamente uma homenagem visual aos 8 atributos da prosperidade do tanuki que decoram lojas e restaurantes no Japão.
O roteiro também recupera lendas clássicas de transformação, no mesmo espírito de histórias como Bunbuku Chagama e outras lendas do tanuki: numa cena de treino, os tanuki mais jovens tentam virar chaleira, réplica direta da lenda da chaleira mágica, e em outra sequência recorrem ao truque do fantasma sem rosto para espantar um policial pelas ruas — recursos que os personagens do filme resgatam dos mais velhos como técnicas quase esquecidas.
Um dos momentos mais citados do filme é a grande parada de yokai organizada pela comunidade, um desfile de ilusões que empresta figuras conhecidas do folclore japonês, como os deuses Fūjin e Raijin. Numa das sabotagens contra as obras, um tanuki se transforma em raposa branca para afugentar os trabalhadores que tentavam remover um santuário xintoísta — um aceno direto ao kitsune, guardião tradicionalmente ligado ao deus Inari e detalhado no guia sobre o kitsune na cultura japonesa.

Onde assistir Pom Poko e curiosidades
Pom Poko costuma integrar o pacote de filmes do Studio Ghibli disponível em serviços de streaming por assinatura no Brasil, já que o catálogo do estúdio circula por acordos de licenciamento que mudam de tempos em tempos. Antes de procurar o filme, vale conferir a disponibilidade atual na plataforma de sua preferência.
O filme foi selecionado pelo Japão para concorrer na categoria de melhor filme em língua estrangeira do Oscar de 1995, mas não avançou à lista final de indicados. O primeiro longa do Studio Ghibli a ser indicado — e a vencer — um Oscar só viria anos depois, com "A Viagem de Chihiro", em 2003.
Uma curiosidade da versão americana dublada envolve justamente o atributo mais comentado das estátuas de tanuki: para adequar o filme a um público familiar, a dublagem em inglês substituiu as referências diretas aos testículos por termos mais discretos, mantendo a piada sem o mesmo tom explícito do original japonês.
Perguntas frequentes sobre Pom Poko e o Studio Ghibli
Quais são os mascotes do Studio Ghibli?
O mascote oficial do Studio Ghibli é Totoro, personagem de "Meu Amigo Totoro" que estampa o logotipo do estúdio desde os anos 1990. O tanuki não ocupa esse papel institucional, mas funciona como uma espécie de mascote informal do folclore japonês dentro da obra de Takahata, com Pom Poko como sua aparição mais completa no catálogo Ghibli.
Qual a obra mais famosa do Studio Ghibli?
"A Viagem de Chihiro" costuma ser apontada como a obra mais famosa do Studio Ghibli, por ter vencido o Oscar de melhor animação em 2003 e por seu alcance internacional. Pom Poko tem reconhecimento sólido dentro do catálogo, sobretudo pela ligação direta com o folclore do tanuki, mas não chega ao mesmo patamar de popularidade global desse ou de outros títulos como "Meu Amigo Totoro".
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