Pobreza no Japão – Existem japoneses pobres?

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Japão é considerado uma nação rica e uma das maiores economias do mundo com uma taxa negativa de desemprego, uma boa segurança e um uso organizado dos impostos. Muitos acabam criando a ilusão de que no Japão só existem pessoas ricas, e se imaginarmos o salário mínimo de 5000 reais e um custo de vida que chega a ser mais baixo que do Brasil, podemos sonhar que no Japão a pobreza é zero ou bem diferente que a pobreza no Brasil.

A cultura japonesa também possui seus problemas, a forma que o Japão funciona acaba deixando 20 milhões de pessoas na linha da pobreza, grande parte mulheres solteiras e idosos. É claro que a pobreza no Japão é diferente da pobreza que muitos imaginam ao redor do mundo, mas grande parte da população vive no limite de seus salários.

A pobreza pode ser raramente visível mas está presente nos bairros pobres e favelas, entre os moradores de rua, pessoas que perdem toda a credibilidade no mercado de trabalho, pessoas que perdem seus bens materiais em desastres naturais ou aqueles que usam todo seu salário para pagar despesas e dívidas. Não importa o país, a pobreza é inevitável, pois, fazemos parte de um sistema capitalista que não beneficia todos.

Pobreza no Japão - Existem japoneses pobres?


Mães solteiras e idosos pobres no Japão

O Japão dificulta a vida financeira para as mães solteiras, principalmente se elas tiverem os filhos durante a escola. Muitas estudantes gravidas acabam largando ou até sendo obrigadas a larga os estudos e ficam sem fazer faculdades. Isso acaba com as possibilidades de encontrar empregos decentes, fazendo a mãe recorrer a trabalhos em fábricas e de meio perigo enquanto cuida do filho sozinha.

As perspectivas de emprego para mulheres solteiras e idosos não costumam ser boas. Muitas empresas japonesas contratam apenas jovens fortes e evitam contratar pessoas sem formação, que estão se aproximando da terceira idade ou com outros problemas específicos. Os empregos que essas pessoas conseguem são de baixa remuneração (50% da média salarial) e sem esperança de promoção.

Não importa se a mãe solteira recebe ajuda do governo ou se o idoso está aposentado. O valor que eles recebem é insuficiente para se sustentar, fazendo com que eles dependam da família ou façam bicos para ganhar um dinheiro extra. Alguns chegam até mesmo a roubar, o índice de aposentados furtando no Japão, subiu muito nos últimos anos.

Pobreza no Japão - Existem japoneses pobres?


A pobreza visível nas ruas do Japão

É difícil dizer quantos japoneses são tecnicamente “pobres” no Japão, mas é certo dizer que não encontramos facilmente fileiras de casas e famílias vivendo em condições terríveis ou pessoas passando fome. O Japão esconde tão bem a pobreza que dificilmente vamos imaginar que existem japoneses pobres.

Em grandes cidades como Tokyo vamos acabar encontrando pessoas deitadas em papelão a noite na rua, tentas e barracas de sem-tetos surgindo em parques e desaparecendo ao amanhecer. E principalmente pessoas famintas em uma fila esperando ganhar uma sopa. Claro que nem todos estão morando na rua por serem pobres.

Existem muitos aspectos pessoais que fazem a pessoa viver na pobreza, como o orgulho ou a ideia de nunca aceitara ajuda do governo ou da família. Outros simplesmente são expulsos de casa ou fogem por algum motivo pessoal. Alguns simplesmente são loucos, abordamos tudo isso em nosso artigo sobre moradores de rua no Japão.

A verdade é que existem pessoas pobres que vivem na rua recolhendo latinha e fazendo trabalhos que oferecem uma remuneração muito baixa. Podemos ver esses exemplos de pobreza em animes e doramas como Hinamatsuri e Yamada tarou monogatari.

Pobreza no Japão - Existem japoneses pobres?

Outros motivos que causam pobreza no Japão

Por mais que o Japão seja um país rico e barato, algumas coisas acabam fazendo com que a pobreza se alastre de forma diferente na sociedade japonesa. Criar um filho no Japão é extremamente caro, a saúde é paga, as escolas públicas são pagas, diversos serviços que poderiam ser gratuitos exige um certo custo, mesmo que pequeno, pode ser um causador da pobreza.

Os impostos apesar de serem bem usados também não costumam ser baixos. Grande porcentagem do seu salário costuma ser usado para manter as despesas de casa e a alimentação. O Japão também é um país capitalista dominado por um grande lazer e entretenimento apelativo que faz com que você torre seu dinheiro sem menos perceber, deixando muitos falidos.

Os aspectos da pobreza no Japão são tão óbvios e ainda é inexplicavelmente difícil convencer as pessoas de que eles existem. Agiotas, hostess clubes, shows, prostituição, pachinko e diversos outros fatores contribuem para falência e trabalho escravo de muitos japoneses. Alguns filhos até mesmo vivem com os pais na fase adulta como hikikomori sem trabalhar.



Existem inúmeras razões pelas quais os japoneses enfrentam dificuldades financeiras, o importante é deixar claro que mesmo que a pobreza não seja em níveis elevados ou pesada como em outros países, ela existe e está entre e sociedade como em qualquer país. Qual a sua opinião sobre o assunto? Espero poder abordar mais aspectos sobre o assunto em outros artigos. Agradecemos os comentários!

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5 comentários sobre “Pobreza no Japão – Existem japoneses pobres?

  1. A colocação de trabalho em fábrica não ser decente é incorreta. A maior parte ganha por hora trabalhada, o que faz com que muitas vezes o salário seja muito maior do que muitos recém formados. O que acontece é que muitas japonesas não gostam de trabalhar muitas horas pq perdem o benefício de mãe solteira e não ficam mais isentas de impostos. O governo tem sistemas de auxílio a mães solteiras, viúvas e idosos de baixa renda, inclusive com moradia a um preço bem baixo ou gratuito. E há ainda o Seikatsu jogo. O ensino até os 15 anos é gratuito, tendo como pagamento somente a alimentação, mas para quem tem dificuldades financeiras há a gratuidade. O seguro saúde é baseado na renda. E na maior parte dos estados o atendimento médico e remédios são gratuitos até os 15 anos, além de pagamento três vezes ao ano de lídimo teate. Os moradores de rua sao em sua maioria homens de meia idade ou idosos, que saem de casa por vergonha de terem perdido seus empregos ou gasto seu dinheiro com vícios como pachinko. Não eram contribuintes de aposentadoria (nenkin) ou foram abandonados pelas esposas e filhos por conta dos vícios e irresponsabilidades. E o orgulho que possuem impossibilita que procurem outros empregos, pois o japonês valoriza quem trabalha por muitos anos no mesmo emprego e não fica mudando constantemente. Enfim, há também, como em qualquer lugar os que não querem nada com a vida, os viciados, arruaceiros, os mentalmente enfermos, e enfim todo o tipo de pessoa. Ps.: o salário médio de quem trabalha em fábrica gira em torno de 300.000 ienes para homem e uns 200.000 ienes para mulher. O que da em média 9.000,00 e 6.000,00 respectivamente. E só para constar, uma latinha de guaraná Antárctica no japao custa 98 ienes e no Brasil por volta de 2,89. Valores equivalentes para salários díspares.

  2. Eu já li um livro sobre economia de um japonês em que afirmava que o Estado não deveria ter políticas sociais, a fim de investir somente naqueles que são produtivos. Isto é um dos males do neoliberalismo. Um Estado mínimo não se importa com os miseráveis. Viva somente a meritocracia, mas isto soa injusto. Pois, somos praticamente forçados a fazer parte de um sistema extremamente desigual, mesmo tendo suas vantagens. Deveria haver algum retorno aos mais pobres. O Japão é uma nação altamente competitiva, por isso sempre haverá muitos empregos e indiferença.

  3. Bom artigo, faço uma observação, não e culpa do sistema, o problema e que todos somos ”jogados” nesse mundo, alguns se adaptam, outros não, pode ver que a imensa maioria tem casa própria, trabalho e consegue sobreviver com o que ganha, não consigo imaginar como seria viver sem a liberdade de trabalhar, receber um valor justo e viver de maneira digna, como escrevi acima, nem todos se adaptam, pelos motivos que você mesmo citou, não sou muito fã de intervenção do estado na sociedade, mas acredito que poderiam tentar intervir nesses casos, imagino que nem todos aceitariam, mesmo pelo orgulho, bom artigo, tenta escrever mais sobre o assunto.

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