Giant Baba, nome de ringue de Shōhei Baba, foi lutador, promotor e fundador da All Japan Pro Wrestling. Para muita gente, ele é a imagem mais reconhecível do puroresu clássico: um gigante de presença calma, capaz de transformar um chute simples em momento de espera coletiva. Sua importância, porém, vai além do ringue. Baba ajudou a criar uma empresa, a estabelecer intercâmbios internacionais e a dar ao wrestling japonês uma linguagem própria.
Quem procura entender por que seu nome ainda aparece em documentários, jogos e conversas entre fãs deve olhar para três frentes da carreira: a passagem pelo beisebol, a construção da All Japan e a forma como ele conduzia uma luta. É aí que o apelido Giant Baba deixa de ser só uma referência ao tamanho e passa a explicar seu lugar na história do esporte no Japão.

Sumário 5
Do beisebol ao puroresu
Nascido em Sanjō, na província de Niigata, em 1938, Baba entrou primeiro no beisebol profissional. A experiência não foi uma nota de rodapé: o esporte ocupava espaço central na cultura popular do pós-guerra e ajudou a formar a disciplina física que ele levaria para outra carreira. Depois de problemas que encerraram seu caminho no beisebol, ele buscou a luta livre profissional e passou a treinar no ambiente ligado a Rikidōzan.
As excursões aos Estados Unidos foram decisivas. Baba teve contato direto com públicos, promotores e estilos diferentes antes de voltar ao Japão como uma estrela em formação. Essa vivência ajuda a explicar por que, mais tarde, ele soube trabalhar com lutadores estrangeiros sem fazer da presença deles um enfeite. Para Baba, o intercâmbio era parte da construção de grandes lutas e de turnês que o público conseguia acompanhar.
All Japan Pro Wrestling: empresa e estilo
Em 1972, Baba deixou a Japan Pro Wrestling e fundou a All Japan Pro Wrestling, também conhecida como AJPW ou Zen Nihon Pro Wrestling. A promoção se tornou uma referência do puroresu ao lado da New Japan Pro-Wrestling de Antonio Inoki, mas seguiu uma rota própria. Enquanto a rivalidade entre as empresas atraía atenção, Baba fazia da regularidade um valor: cartazes fortes, visitas de estrangeiros e histórias que amadureciam de uma luta para outra.
Dory Funk Jr., Terry Funk, Stan Hansen e Abdullah the Butcher são alguns dos nomes associados a esse período. Eles não ocupavam o mesmo papel no ringue, e é justamente isso que tornou os encontros memoráveis. Baba organizava um palco no qual o choque de estilos tinha consequência: um visitante podia voltar em novas turnês, enfrentar parceiros diferentes e entrar em rivalidades que o público reconhecia.
Essa estrutura também abriu espaço para gerações posteriores. Quando o nível técnico e a intensidade das lutas cresceram no fim dos anos 1980 e nos anos 1990, a All Japan já tinha uma identidade e um público acostumado a acompanhar combates como capítulos de uma história maior.
16 Mon Kick e 32 Mon Rocket: qual é a diferença?
O golpe mais ligado a Giant Baba é o 16 Mon Kick, um chute em pé, simples de descrever e difícil de separar do ritmo da luta. A pausa antes do movimento, a distância e a reação do adversário faziam parte do impacto. Não era questão de exibir velocidade; era saber preparar a torcida para o instante em que o chute viria.
Também aparece em sua trajetória o 32 Mon Rocket, nome dado ao dropkick que contrastava com seu porte físico. O jornalista Kiyosumi Ninomiya registrou a explicação de Baba de que a queda segura era tão importante quanto o ataque. Esse detalhe revela um princípio útil para quem começa a assistir ao puroresu: o efeito de um golpe depende da coordenação entre quem aplica, quem recebe e a reação da plateia.
Por que Giant Baba é tão importante?
Baba deixou duas heranças que caminham juntas. A primeira é esportiva: foi um nome de primeira linha numa época que aproximou a luta livre japonesa de circuitos internacionais. A segunda é organizacional: sua promoção deu continuidade a uma tradição que influenciou lutadores, promotores e fãs por décadas.
Ele também oferecia uma imagem distinta da do herói explosivo. Em vez de depender de gestos frenéticos, combinava humor seco, presença e controle de ritmo. Isso ajuda a entender por que continuou popular quando estilos mais rápidos e agressivos ganharam espaço. Assistir a Giant Baba hoje não é procurar uma cópia do wrestling atual; é perceber como a luta era construída para fazer cada entrada, pausa e golpe parecer necessário.
Por onde começar a assistir
Comece por lutas de épocas diferentes, sem buscar apenas uma coletânea de golpes. Um combate curto mostra a presença de Baba; uma luta principal com arena cheia deixa claro como ele administrava o tempo e a expectativa. Observe a reação antes do 16 Mon Kick, o espaço que os adversários deixam para o movimento e a mudança de ritmo perto do fim.
Depois, situe cada luta no período da All Japan. A empresa não era uma cópia do wrestling americano nem um palco de visitas isoladas. Baba adaptou intercâmbios internacionais a um público japonês e criou uma tradição que seria aprofundada por quem veio depois. É essa combinação de estrela, promotor e organizador que faz de Giant Baba uma porta de entrada para compreender o puroresu.
Comunidade
Comentários
0 comentários
Ainda não há comentários publicados neste idioma.
Enviar um comentário