Cenários reais utilizados no filme Kimi no na wa

Onde Makoto Shinkai se inspirou para Kimi no na wa – e como você pode visitar esses cenários por conta própria.

Kimi no na wa (君の名は。) foi, sem dúvida, um dos filmes japoneses mais comentados de 2016. Dirigido por Makoto Shinkai e produzido pela CoMix Wave Films, o filme arrecadou mais de 25 bilhões de ienes nas bilheterias, chegou ao primeiro lugar na Myanimelist e entrou na shortlist do Oscar na categoria de Melhor Filme de Animação. Depois que você assiste, as imagens não saem mais da cabeça – e quase todas elas têm um lugar real que dá para visitar.

Neste artigo separamos fotos dos locais que serviram de referência para o filme, para você comparar as cenas com os originais. Se você ainda não conhece a trama da obra de Makoto Shinkai, aqui vai um resumo rápido:

Sinopse: A história se passa um mês depois de um cometa cair no Japão pela primeira vez em mil anos. Mitsuha, uma estudante do ensino médio que vive no interior, quer ir para a cidade porque está cansada da vida no campo. Taki, por outro lado, é um estudante do ensino médio em Tóquio, trabalha em meio período em um restaurante italiano e tem um interesse forte por arquitetura e artes visuais. Um dia, Mitsuha sonha que se tornou um rapaz. Do outro lado, Taki sonha que é uma estudante do ensino médio em uma zona rural.

Sumário 9

Vídeo dos cenários

A equipe do Programa Japão Online teve recentemente a oportunidade de visitar Tóquio e gravou um vídeo comparativo dos cenários reais de Kimi no na wa. Eu tenho boas lembranças, porque na viagem anterior, com a turma do curso, tinha visto o filme no cinema. Anos depois a equipe finalmente pôde visitar os pontos turísticos – é uma pena não ter podido ir com eles.

Esse vídeo comparativo foi gravado pela equipe do Programa Japão Online e, no momento, não está mais disponível publicamente, mas as cenas originais de Kimi no na wa continuam no canal oficial do filme no YouTube. Se você ainda não viu o longa, vale começar pelo trailer oficial antes de planejar qualquer roteiro.

Sobre o filme

Kimi no na wa é um filme japonês de 2016 dirigido por Makoto Shinkai, com produção da CoMix Wave Films. Lançado em agosto no Japão, rapidamente se tornou um fenômeno: virou o maior sucesso de bilheteria da história do país na época, com arrecadação mundial de cerca de 25 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 250 milhões), e foi o primeiro filme não ocidental a chegar ao top 10 mundial de animação sem ser uma parceria com os Estados Unidos. A trilha sonora, assinada pela banda RADWIMPS, virou parte essencial da identidade do filme.

No Japão, Kimi no na wa liderou o ranking da Myanimelist entre os títulos mais bem avaliados por meses e entrou na shortlist do Oscar 2017 na categoria de Melhor Filme de Animação, sem chegar à indicação final. A história mistura elementos do cotidiano japonês, comédia romântica, fantasia e desastres naturais, costurados em um ritmo que Mark Schilling, da The Japan Times, definiu como "a primeira obra-prima animada do século XXI". Para quem chega agora, vale a pena assistir com calma e prestar atenção nos cenários – porque quase todos existem de verdade.

Lago Suwa, em Nagano

O lago que aparece como o grande cenário de Itomori na animação é, na vida real, o lago Suwa (諏訪湖), localizado na cidade de Suwa, na província de Nagano. É um dos lagos mais famosos do Japão central, fica a pouco mais de duas horas de trem-bala saindo de Tóquio (Shinano Railway + JR, com baldeação em Nagano) e é a maior área de águas naturais da região.

Local de filmagem do lago Suwa em Nagano, cenário do lago Itomori no filme Kimi no na wa

Na imagem acima dá para ver a vista que aparece no longa: a mesma silhueta do lago, com as montanhas ao redor. O lago Suwa tem ainda um fenômeno natural conhecido como omiwatari (御神渡り): no inverno, quando a camada de gelo racha, o som e a formação das placas viram um evento místico que moradores da região associam a visita de deuses. Não por acaso, esse evento é citado indiretamente em Kimi no na wa.

Se você for até lá, a melhor época é entre o final do outono e o inverno, quando aparece o omiwatari, ou no começo do verão, quando o lago recebe a corrida de barcos do verão japonês. De Tóquio, o jeito mais simples é pegar o Azusa (あずさ) na estação de Shinjuku e descer em Shiojiri ou em Kami-Suwa.

Cenários em Tóquio

Boa parte de Kimi no na wa se passa em Tóquio, e o filme usa pontos reais da cidade. No geral, dá para visitar todos eles em um roteiro de um dia, começando no bairro de Yoyogi e descendo até Shinjuku.

Yoyogi e Shinanomachi

Dois cenários do filme viraram pontos de peregrinação para fãs:

  • Prédio da NTT DOCOMO em Yoyogi (代々木): a torre cilíndrica aparece em uma das cenas mais marcantes, e a estação de Yoyogi fica na linha Yamanote, uma das mais fáceis para qualquer viajante.
  • Estação de Shinanomachi (信濃町駅): a passagem subterrânea e a saída da estação aparecem em várias cenas. Quem estiver no bairro pode emendar com uma visita ao Santuário Meiji (明治神宮), que fica a poucos minutos a pé.

Santuário Suga e cruzamento de Shinjuku

Outros dois pontos que ganharam destaque depois do filme ficam mais ao norte:

  • Santuário Suga (須賀神社), em Shinjuku: a escadaria de pedra com o torii vermelho é uma das imagens mais fotografadas pelos fãs. Fica a cinco minutos a pé da estação Shinjuku-Sanchōme (新宿三丁目), saída E1.
  • Cruzamento de Shinjuku (新宿交差点): o clássico cruzamento visto de cima na última cena do filme continua sendo uma das imagens mais reproduzidas de Tóquio. O melhor mirante gratuito fica no segundo andar do prédio da Starbucks na esquina sudoeste, mas a fila costuma ser longa.
Locais de filmagem em Tóquio comparados com cenas do filme Kimi no na wa

A estação de Hida Furukawa (飛騨古川) e o santuário de Hida Sannogu (飛騨山王宮日枝神社), na província de Gifu, também aparecem no filme como referência para a cidade de Itomori e para o santuário Miyamizu. Para quem está em Tóquio e quer esticar o roteiro, dá para combinar Hida Furukawa com Takayama em um bate-volta de trem Limited Express (Hida), com cerca de quatro horas de viagem cada trecho.

Ilha de Aogashima

Aogashima (青ヶ島) é uma pequena ilha vulcânica que pertence ao município de Hachijō, no arquipélago de Izu. Tem cerca de 200 habitantes e é a menor vila do Japão, o que por si só já vale a visita. No filme, a ilha serviu de inspiração para a cidade rural de Itomori.

Ilha de Aogashima como inspiração para a cidade de Itomori em Kimi no na wa

Para chegar lá, é preciso ir primeiro até a ilha de Hachijōjima de avião ou de barco a partir de Tóquio, e de Hachijōjima pegar um helicóptero (cerca de 20 minutos) ou um barco pequeno. O voo de helicóptero depende das condições do vento e costuma operar em poucos dias por semana, então vale reservar com antecedência. Para quem curte roteiros mais alternativos no Japão, listamos outras pequenas ilhas para visitar no Japão que combinam com o espírito de Aogashima.

A última imagem do filme

Para fechar, vale destacar a cena que se tornou cartão-postal do filme: o cruzamento de Shinjuku visto de cima, com Taki atravessando entre os pedestres.

Cruzamento de Shinjuku em Tóquio, mostrado na cena final de Kimi no na wa

Esse é provavelmente o cenário mais reproduzido de Kimi no na wa: o mesmo ângulo aparece em pôsteres, fundos de celular e aberturas de eventos de anime pelo mundo. Visitar o cruzamento de Shinjuku, mesmo que só para atravessá-lo uma vez, fecha a visita com a sensação de que o filme continua vivo nas ruas da cidade.

Planejando sua visita

Se você pretende seguir os cenários do filme, dá para montar um roteiro em uma semana sem correr. O mais prático é dividir em três blocos:

  • Tóquio (3 a 4 dias): reserve um dia inteiro para o circuito Yoyogi → Shinanomachi → Santuário Suga → cruzamento de Shinjuku, tudo de metrô. Outro dia pode incluir a vista do Shibuya Sky ao pôr do sol, que dá um ângulo parecido com o do filme mas de outro ponto famoso.
  • Nagano e lago Suwa (1 a 2 dias): saia cedo de Shinjuku no trem Azusa, passe o dia no lago e volte à noite. Se o inverno estiver próximo, confira a previsão de formação de gelo para tentar ver o omiwatari.
  • Gifu e Aogashima (opcional, 2 a 3 dias): Hida Furukawa fica no caminho entre Tóquio e Takayama, e pode ser combinada com uma noite em Takayama. Aogashima exige pelo menos uma pernoite em Hachijōjima e é mais indicado para quem já conhece bem o Japão.

Como o Japão muda bastante de estação para estação, a melhor época para roteiro de cenários de anime costuma ser a primavera (final de março a abril) ou o outono (novembro), quando o clima ajuda nas caminhadas. No inverno, leve casaco pesado, principalmente para Nagano e para Aogashima, que fica exposta ao vento no oceano.

Para quem vai pela primeira vez ao Japão e quer entender melhor o que encaixar antes ou depois desse roteiro, vale começar pelo nosso guia de lugares imperdíveis no Japão e, em Tóquio, pelo guia dos bairros de Tóquio. Os dois servem para encaixar os cenários do filme em um roteiro mais amplo, sem apressar o que merece ser visto com calma.

No fim, Kimi no na wa é um filme sobre encontros improváveis, e cada cenário dele – do lago Suwa ao cruzamento de Shinjuku – virou um pequeno ponto de encontro entre o Japão real e o Japão desenhado por Makoto Shinkai. Se você já assistiu, vale a pena reconhecer essas ruas na próxima viagem. E se ainda não assistiu, fica a dica: preste atenção nos cenários, porque eles continuam esperando por você.

Fontes e Links Úteis
Kevin Henrique

Sobre o Autor: Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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