Já ouviu falar da palavra seiyuu? No Japão, ela aponta para quem empresta a voz a personagens de anime, jogos e muito mais. Parece “só dublagem”, mas a profissão costuma ir além: shows, canções, eventos e fãs no país e fora dele. A pergunta que fica é outra: o que muda entre uma dubladora ocidental e uma seiyuu japonesa?
Seiyuu no Japão raramente é um papel invisível. Muitas (e muitos) se aproximam da fama de atriz, cantora ou idol, e precisam conquistar público ao vivo, não só no estúdio. Ser dublador no Japão é carreira — e, para muita gente, sonho de infância.
Sumário 7
História e significado de Seiyuu
A palavra Seiyuu [声優] é unissex e vem de “Koe no Haiyuu” [声の俳優], “ator de voz”.
O termo ajudou a separar quem atua no palco ou na câmera de quem empresta a voz a personagens e narrações. Ele ganhou força com o crescimento da animação e da dublagem de obras estrangeiras, e na década de 1970 a cultura de seiyuu já se misturava a música e revistas de anime.
Nessa época surgiu um dos primeiros grupos musicais formados por seiyuus: o Slapstick, com Akira Kamiya, Tooru Furuya e Toshio Furukawa — nomes ainda lembrados como referências da dublagem japonesa.
A banda ajudou a mostrar que o seiyuu podia ser também cantor, além de vozes em anime, comerciais, jogos e filmes. Ainda nos anos 70, revistas de animação passaram a divulgar o trabalho desses profissionais e o potencial de se tornarem ídolos.
Com o tempo, outras publicações reforçaram o interesse e cresceu o número de escolas e cursos de dublagem no Japão. O caminho continua estreito: formam-se muitos aspirantes, mas poucos conquistam um espaço estável em agências e produções.
No Brasil, o contato em massa com animes se espalhou na década de 1990 pela TV e por VHS, e depois por canais como o Cartoon Network com obras como Dragon Ball Z. Quando a dublagem japonesa original se tornou mais fácil de ouvir, muita gente passou a procurar o nome por trás da voz — e virou comum seiyuus serem também cantores e artistas de palco.

Quais os trabalhos de uma seiyuu?
Uma seiyuu não dubla só anime. O trabalho pode incluir filmes estrangeiros, videogames, rádio drama, CD drama, apresentações, marionetes, narração, teatro, música e publicidade. Algumas aparecem em comerciais e cartazes.
Dubladoras nem sempre interpretam só personagens femininos. Vários meninos e jovens famosos têm voz feminina — exemplos clássicos são Alphonse em Fullmetal Alchemist e Naruto Uzumaki. O contrário existe, mas é menos comum.
Muitas seiyuus cantam aberturas, encerramentos e character songs. Lançam singles e álbuns, e a presença em eventos as aproxima ainda mais das idols japonesas.
A indústria de animação japonesa é enorme no mercado global, e isso sustenta uma carreira com muitas frentes: anime, games, dublagem, rádio e shows. Há também papéis com vozes “estranhas”, comédia exagerada ou conteúdo adulto — o espectro vocal é amplo, e a imagem “doce” de estúdio não define todo o portfólio.

Como se tornar um Seiyuu?
Virar seiyuu é tão competitivo quanto tentar carreira de ator, cantor ou idol. Não existe tutorial mágico: fluência em japonês e base de trabalho no Japão costumam ser requisitos reais. O que dá para mostrar são os caminhos mais comuns.
Além de técnica de voz, é preciso constância e muita audição. A maior parte dos talentos passa por uma escola de dubladores ou curso ligado a agências, onde se matriculam jovens que cresceram assistindo anime e sonham com o estúdio.
Outros chegam por agências de talentos, teatro, carreira de idol ou de ator. Há quem seja notado ainda na escola, inclusive menor de idade. Portas diferentes, funil parecido: muita gente tenta, pouca gente fica.

Alguns Seiyuu famosos
Alguns nomes que atravessam gerações de fãs:
Megumi Hayashibara — Várias vezes premiada em enquetes da Animage; também cantora. Deu voz a Haibara Ai em Detective Conan e a Haruka em Love Hina, entre outras.
Yui Horie — Conhecida por aberturas e encerramentos; vozes de Kaga Kouko (Golden Time), Minori Kushieda (Toradora!) e Siesta (Zero no Tsukaima).
Rie Kugimiya — Taiga em Toradora, Louise em Zero no Tsukaima, Alphonse Elric e Xiao Mei em Fullmetal Alchemist.

Akio Ohtsuka — Metal Gear Solid (Solid Snake), Bleach (Shunsui Kyouraku), One Piece (Barba Negra), Naruto (Chiriku) e outros.
Masako Nozawa — Dragon Ball (Goku e outros), One Piece (Doutora Kureha), Cross Game e mais.
Junko Takeuchi — Naruto (Uzumaki Naruto), Hunter × Hunter (Gon), Soul Eater (Maka Albarn) e outros.
Seiyuu que marcam presença (e muitos rankings)
Listas de “mais belas” circulam no Japão e fora, misturando aparência, voz kawaii e obras em alta. Não é ciência — e a voz costuma pesar tanto quanto a foto. A palavra seiyuu é unissex, mas este bloco foca nas mulheres, que concentram boa parte da atenção da mídia otaku. Sem numerar “1º lugar”: gosto é gosto.

Kana Hanazawa — 1989 · Tóquio
- Kuroneko em Oreimo;
- Kanade em Angel Beats!;
- Onodera em Nisekoi;
Saori Hayami — 1991 · Tóquio
- Azuki em Bakuman;
- Nishimiya em Koe no Katachi;
- Miyuki em Mahouka;
Rie Kugimiya — 1979 · Kumamoto
- Louise em Zero no Tsukaima;
- Taiga em Toradora;
- Alphonse em Fullmetal Alchemist;
- Kagura em Gintama;

Suzuko Mimori — 1986 · Tóquio
- Himiko em BTOOOM!;
- Sora em Digimon;
- Fujinomiya Neko em Masamune-kun no Revenge;
- Sonoda Umi em Love Live!;
Ai Kayano — 1987 · Tóquio
- Menma em AnoHana;
- Inori em Guilty Crown;
- Takebe Saori em Girls und Panzer;
- Mashiro em Sakurasou no Pet na Kanojo;
Miyuki Sawashiro — 1985 · Tóquio
- Suruga em Monogatari Series;
- Celty em Durarara!!;
- Kurapika em Hunter × Hunter;

Haruka Tomatsu — 1990 · Aichi
- Asuna em Sword Art Online;
- Anaru em AnoHana;
- Kurashima Chiyuki em Accel World;
- Lala em To LOVE-Ru;
Yui Horie — 1976 · Tóquio
- Minori em Toradora;
- Kouko em Golden Time;
- Siesta em Zero no Tsukaima;
- Naru em Love Hina;
Nana Mizuki — 1980 · Ehime
- Hinata em Naruto;
- papéis em Dog Days;
- Saya em Blood-C;

Rie Takahashi — 1994 · Saitama
- Megumin em KonoSuba;
- Emilia em Re:Zero;
- Rin em Keijo!!!!!!!!;
- Futaba em Sore ga Seiyuu!;
Aya Hirano — 1987 · Aichi
- Misa em Death Note;
- Lucy em Fairy Tail;
- Ume em Kimi ni Todoke;
- Migi em Kiseijuu;
- Haruhi em Suzumiya Haruhi no Yuuutsu;
Yoko Hikasa — 1985 · Kanagawa
- Kyoko em Danganronpa;
- Mio em K-On!;
- Stephanie em No Game No Life;
- Shino em Seitokai Yakuindomo;

Maaya Sakamoto — 1980 · Tóquio
- Aura em .hack;
- Motoko em Ghost in the Shell (obras relacionadas);
- Shiki em Kara no Kyoukai;
- Ciel em Kuroshitsuji;
Ayana Taketatsu — 1989 · Saitama
- Kirino em Oreimo;
- Kotori em Date A Live;
- Suguha em Sword Art Online;
- Azusa em K-On!;
Aki Toyosaki — 1986 · Tokushima
- Chiyuri em Accel World;
- Iori em Kokoro Connect;
- Yui em K-On!;
- Momo em To LOVE-Ru;
Menções honrosas
Há seiyuus que dominam conversas e rankings mesmo sem “lista infinita” de papéis. Algumas que poderiam estar no bloco de cima:
- Yui Ogura — Tsukiko em Hentai Ouji to Warawanai Neko;
- Inori Minase — Rem em Re:Zero;
- Marina Inoue — Tohka em Date A Live e Armin em Shingeki no Kyojin;
- Sora Amamiya — Aqua em KonoSuba, Elizabeth em Nanatsu no Taizai;
- Minori Chihara — Nagato Yuki em Suzumiya Haruhi;
- Azumi Asakura — Kumin em Chuunibyou demo Koi ga Shitai! e Yukiho em IDOLM@STER;
- Romi Park — Edward em Fullmetal Alchemist, Temari em Naruto, Toshiro em Bleach;
- Aoi Yuuki — Kayo em Boku dake ga Inai Machi e papéis em Puella Magi Madoka Magica;
E você? Qual é a sua seiyuu favorita? Conta nos comentários quem faltou nesta lista.
Animes sobre seiyuu e o mundo da produção
Para fechar, uma lista de obras que mostram dublagem, estúdio ou a rotina de quem vive de voz. Se quiser sentir o clima da profissão, vale começar por aqui.
| Bakuman. | 2010 |
| Shirobako | 2014 |
| REC | 2006 |
| Koe de Oshigoto! The Animation | 2010 |
| Girlish Number | 2016 |
| Sore ga Seiyuu! (Seiyuu's Life!) | 2015 |
| Hashiri Tsuzukete Yokattatte. | 2018 |
| Love Get Chu | 2006 |
| Sore ga Seiyuu! especial | 2016 |
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