Muitos turistas imaginam que vão chegar a Tóquio, cair em Kabukicho e sair “pegando as meninas”. Outros querem ir além e contratar serviços especiais. Se a noite aponta para balada, hostess ou distrito da luz vermelha, o problema raramente é o letreiro. É o convite simpático na calçada, o preço que muda quando você já sentou.
Dependendo da intenção, vá com amigos. Na maior parte das noites o Japão é seguro: dá para curtir boate, casa de show, hostess e love hotel sem virar estatística de rua. O grande problema desses bairros é que estão cheios de gente com segunda intenção, tentando arrancar o seu dinheiro — e, se precisar, te empurrar até o caixa eletrônico.
Sumário 4
Fique esperto com o preço
Nesses bairros o preço muda conforme o serviço, o tamanho do clube e o que entra na conta. Tem bar que chega a 7.000 ienes sem as bebidas inclusas. Shows especiais passam fácil de 10.000. Se a ideia é um serviço mais “completo”, prepare mais de 20.000 — e isso ainda é o cenário em que alguém te mostrou o cardápio de verdade.
Quem aborda turista na rua quase sempre vende uma opção barata. O nome disso é 客引き (kyakuhiki), o puxador de cliente. O golpe que vem depois se chama ぼったくり (bottakuri): a conta inflada. Eles prometem 3.000 ou 4.000 ienes, somam taxa de mesa, drink da acompanhante, “taxa de iniciante”, serviço noturno, e a fatura vira dezenas ou centenas de milhares. Já houve relato clássico de quem bebeu vinte minutos, tinha ouvido 3.000 ienes e recebeu 260 mil na mesa.
Não siga quem te aborda na rua para um bar, clube ou “lugar barato para estrangeiro”. Se o preço não está escrito na porta, você ainda não combinou nada.
Bar sério não precisa de um desconhecido te puxando pelo braço. Cartaz laminado, “English OK”, rodízio milagroso e menina no banner que nunca está no salão são o mesmo pacote. E olha que não são só japoneses tentando sugar o dinheiro. Estrangeiro também puxa. Até em Akihabara já apareceu esse tipo, e em Osaka a cantada na calçada não é rara.
Fique esperto com a vida noturna
Essas pessoas também enganam de outro jeito: mostram cartaz de jovens e levam para um salão bem diferente do anúncio. As mulheres precisam ter cuidado, os homens também. Estrangeiro se destaca. Estereótipo e barreira de idioma viram ferramenta. Ninguém te convence a ir a um love hotel “só para conversar” por acaso. Se a pessoa insiste em te levar, a resposta é não e continuar andando.
No Japão a lei proíbe a prostituição. Como assim, se todo mundo já ouviu falar desses serviços? Porque a Lei de Prevenção à Prostituição de 1956 pune, de forma estreita, o sexo vaginal pago. O resto da indústria trabalha na folga: encontro combinado, conversa, 風俗 com outro recorte. Por isso existem tantos serviços que parecem só um encontro, em que a conversa é o produto e a relação sexual não entra no cardápio oficial. Rua, “depósito” adiantado e promessa de atriz ou menor são outro território: aí o golpe e a ilegalidade andam juntos.
Tenha cuidado também com a yakuza. Eles historicamente giram negócio em bairros como Kabukicho. Não precisa transformar a noite em filme de máfia: a yakuza não é organização oficial que trabalha junto com a polícia para manter a paz. São grupos designados como 暴力団, e a polícia aperta o cerco. O que o visitante precisa é mais prosaico — não ser o turista que aceita o convite, discute a conta no grito e vira o alvo fácil da casa.
Se a conta explodir
Se você já sentou e a fatura não tem nada a ver com o combinado, não vá ao caixa eletrônico com o funcionário. Não entregue o cartão “para processar”. Diga com clareza que não concorda. Em japonês, basta uma frase: 「同意していません」 (não concordo) ou 「警察を呼びます」 (vou chamar a polícia).
O número de emergência da polícia é o 110. Dá para pedir intérprete em inglês. O koban (交番) de Kabukicho fica perto da torre e do portão vermelho de Ichibangai; muitos puxadores desistem quando você caminha naquela direção. Bloquear a saída, escoltar até o ATM ou ameaçar já não é “conta cara”: é crime. Conta abusiva sem violência muitas vezes cai em disputa civil, por isso a polícia às vezes parece fria — ainda assim, ligar o 110 costuma esvaziar o teatro da casa.
Em Tóquio, Osaka e Roppongi também há relatos de bebida forte demais ou adulterada e cobrança no cartão enquanto a pessoa apaga. Não deixe o copo sozinho. Não aceite o “só um drink” de desconhecido que escolhe o bar por você.
Dicas finais para sua vida noturna
Cuidado para não entrar em casa que recusa estrangeiro. Às vezes a placa está lá, às vezes some no show de luzes. Alguns locais exigem japonês de verdade para entrar, e isso não é frescura: é filtro.
Se a busca é distrito da luz vermelha, os nomes que todo mundo cita continuam os mesmos: Kabukicho em Tóquio, Nakasu em Fukuoka, Susukino em Sapporo e Tobita Shinchi em Osaka. Não é o Faroeste. É lotado, iluminado, cheio de turista. Se você só quer caminhar e entrar num bar com preço na porta, vai. Quem quer noite mais barata e menos cantada encontra izakaya e ruas como a de Kichijoji, longe do script do puxador.
Não precisa ter medo do bairro por causa deste texto. Estar num distrito da luz vermelha no Japão, para quem ignora o convite da rua, ainda é tão seguro quanto andar de dia em muita cidade brasileira. A diferença é o homem de terno que te chama de friend. Você já visitou algum desses bairros? Presenciou a vida noturna? Conta nos comentários.





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