Depois que você passa dos 100 animes, começa a perceber algumas mudanças no seu jeito de pensar e agir. Algumas dessas experiências são boas, outras já são meio questionáveis — e a gente vai falar de todas elas aqui, sem filtro.
Eu sou preguiçosa demais para ficar organizando meu MAL, então sinceramente não sei exatamente quantos títulos já assisti na vida. Chuto que seja algo em torno de 300 a 500. Se comparar comigo, tem gente que já passou dos 1000 animes no currículo, e eu acho que estou destinada a chegar lá um dia, mesmo sem pressa.
Nem tudo nesse caminho é notável, mas quando você dá uma olhada na opinião de outras pessoas, acaba percebendo coisas sobre si mesmo. Claro, também sobre os seus novos gostos — gostos que nem sempre são refinados, talvez você me entenda.
Não é todo mundo que sente essas alterações exatamente aos 100 animes. Tem gente que sente antes, tem gente que sente bem depois. No meu caso foi mais para os 50 a 70, mas sem aquela visão crítica de verdade.
Esta lista nasceu da minha própria vivência, e quero dar crédito ao site OtakuBFX, que serviu de inspiração para a ideia deste artigo. Então, se você não concordar com algum ponto, sinta-se à vontade para comentar — sem ofensas, por favor.
Bom... já está ficando chato esse enrolação toda, não acha? Vamos direto para a lista.

Sumário 14
Sanidade, o que é isso?
Caros amigos, isso é uma daquelas coisas que em algum momento acontece com todos nós, querendo ou não. Se esse for o seu caso agora, dê um tempo para si mesmo e ponha um limite saudável na sua vida. Pausa não é derrota, é o que garante que você vai continuar gostando disso por muitos anos.
Quando a gente entra nesse mundo maravilhoso dos animes, o mais comum é sair fazendo maratonas de forma frenética, sem pausas, sem plano. Horas e horas de tela, cheias de magia e fantasia, até que em algum momento a coisa começa a mexer com a sua cabeça. Tem gente que tenta conjurar portais, gente que tenta usar um encantamento, gente que parte para um simples KAMEHAMEHA, e os mais hardcore simplesmente tentam usar o Getsuga Tenshō ou o Sharingan que juram estar escondidos dentro de si.
Como eu disse antes, alguns se assumem como chuunibyou. Mas outros, e são os mais comuns, tipo eu, simplesmente entram em crise. E olha, é crise mesmo: vontade de se isolar, chorar por nada e, em alguns casos, ter uma waifu ou um husbando como único amigo e amor da vida. É aquela fase em que um personagem 2D vale mais do que muita gente real ao redor, e isso tem um peso que dá para sentir.
Se você chegou nesse ponto, saiba que não está sozinho. É quase uma etapa obrigatória, e na maioria das vezes ela passa. O importante é não ficar preso demais nela por tempo demais, senão a brincadeira vira problema.
Legendas, para que servem?
Aqui a gente toca num tema sagrado para quem leva anime a sério. Por um bom tempo eu assisti tudo dublado, até que um dia resolvi experimentar um único episódio em japonês com legenda, e a diferença foi tão grande que eu nunca mais voltei atrás.
As vozes originais carregam intenção, nuance, pequenas pausas que a dublagem muitas vezes achata ou pior, muda completamente. Um simples "ah" em japonês pode ser timidez, sarcasmo, irritação ou carinho, e essa mudança muda o sentido da cena inteira. A mesma coisa vale para os gritos, os sussurros, os silêncios carregados.
Claro, ler legenda enquanto assiste pede um pouco mais de concentração. No começo parece cansativo, mas depois de algumas semanas vira automático, e voltar para a dublagem chega a soar como um desrespeito ao trabalho dos dubladores japoneses. Sem contar que no processo você ainda aprende algumas palavras, expressões e se acostuma com o ritmo da língua.
Se você nunca testou, escolhe um anime que você já goste, senta com calma com as legendas e assiste dois episódios. Aposto que você não volta atrás.
Mais interesse pelo Japão
Essa é uma virada que, conversando com outros otaku, acontece com quase todo mundo. Quanto mais anime você assiste, mais o Japão deixa de ser um país distante e vira um lugar que você realmente quer conhecer. E não no sentido vago, no sentido concreto mesmo.
Você começa a reconhecer cenários icônicos como o Monte Fuji, Kyoto, Akihabara, as ruas de Tokyo que apareceram em mil openings diferentes, e aí bate a vontade de ver tudo aquilo ao vivo. Você começa a se informar sobre o shinkansen, sobre o JR Pass, sobre como funciona um konbini às três da manhã, sobre como o povo japonês se comporta no inverno com a neve. Pequenas curiosidades práticas que um ano antes não passariam pela sua cabeça.

E não é só pelas cidades. A cozinha te chama atenção, os festivais, as estações de trem, as placas luminosas de Neon. Você quer entender como a vida cotidiana japonesa realmente é, não só a versão romantizada das telas. É uma curiosidade gostosa e constante, que muda o seu olhar sobre aquele país para sempre.
Clichês auto-identificados
Quando você chega a um certo volume de animes, começa a ver padrões que se repetem em todo canto. O estudante transferido que vira protagonista, a colega da porta ao lado que na verdade é uma maga, o rival frio que se derrete no final, o sensei durão que esconde um coração mole. No começo parece trama original, depois do centésimo título você passa a contar.
Não é nenhum desastre, pelo contrário. Quando você conhece os clichês, os animes que usam bem deles ficam ainda mais gostosos de assistir, porque você percebe o trabalho de quem subverte, parodia ou mistura com algo inesperado. E os que usam mal você já reconhece no primeiro episódio.
Você também fica mais leve com você mesmo: não sente culpa se curtir mesmo assim certas histórias previsíveis, porque já sabe que o conforto faz parte da experiência. É um equilíbrio entre a vontade de novidade e o prazer do "de novo essa cena, mas eu amo do mesmo jeito".
Fillers se tornam pesadelos
Se você já acompanhou algum anime shōnen longo, sabe exatamente do que eu estou falando. Os fillers são aqueles episódios extras, muitas vezes com uma animação um pouco mais fraca, que existem para dar tempo ao mangá sair na frente. No começo você assiste com paciência, depois começa a pular, depois começa a odiar.
Acontece com todo mundo: em algum ponto da vida otaku você desenvolve um radar para filler. Você reconhece pela direção, pela trilha sonora, pela luz da cena, que aquele episódio não vai dar em nada. E o mais engraçado é que quase sempre você está certo.

No fim, os fillers te ensinam uma coisa útil: que nem tudo em uma série te serve, e que saber pular um episódio morto é praticamente uma habilidade de otaku veterano. Uma espécie de zen do controle remoto.
Senso crítico e refinamento de gostos
Uma das coisas mais bonitas que acompanhar muitos animes me deixou foi um senso crítico mais afiado. E não no sentido de virar esnobe, pelo contrário: você aprende a separar um anime apenas mediano de um que faz escolhas corajosas, mesmo quando o mediano é mais popular.
Você passa a entender melhor as estruturas narrativas, o uso dos tempos, o jeito como uma trilha sonora sustenta uma cena em silêncio. Você entende quando um personagem foi escrito com cuidado e quando é só uma casca bonitinha. Você entende por que certos finais funcionam e outros simplesmente não.
Você acaba percebendo coisas que antes passavam batidas, tipo erros de continuidade, enquadramentos preguiçosos, estereótipos que no começo você nem notava. Não é um mal, é só que o seu olho ficou mais exigente. E isso, no fundo, é uma boa notícia, porque te permite curtir ainda mais o trabalho de quem faz as coisas direito.

Gostos estranhos
Aqui vem a parte meio constrangedora, mas é melhor falar: com o tempo os seus gostos sobre anime ficam um pouquinho estranhos. Você começa a curtir gêneros que antes ignoraria, e a cansar de outros que já foi obcecado.
Isso aconteceu comigo com slice of life. No começo eu achava chatíssimo, hoje é uma das coisas que mais me aquece o coração. A mesma coisa com mangás mais lentos, com histórias de cotidiano, com finais abertos. Já o shōnen hipercinético, que no começo me fazia gritar, hoje me deixa mais fria se não tiver algo por trás.
Não tem nada de errado nisso: gostos mudam, evoluem, ficam mais refinados. O importante é não julgar quem tem gostos diferentes dos seus, e não se julgar por ter mudado de ideia. É, literalmente, o melhor de ser uma pessoa que continua assistindo e ouvindo coisas novas.
Waifu e husbando
Chega uma hora em que aparece na sua vida uma waifu ou um husbando. Não é um personagem que você gosta: é uma waifu, ponto. É aquele personagem pelo qual você já sai se antecipando na conversa com os amigos, que defende com unhas e dentes, que quer ver em mais cenas.
No meu caso eu já tive algumas que ficaram fixas por anos, e outras que passaram rápido como uma estação. É quase como um relacionamento, só que sem o risco de brigar de verdade. Brincadeiras à parte, entender bem o que significa waifu e husbando ajuda a explicar para os amigos não otaku o que está rolando com você, porque fora do círculo é uma coisa difícil de fazer alguém entender.

Não precisa ter vergonha. É uma forma de se apegar emocionalmente a histórias e personagens que se parecem com a gente, que completam algo, que a gente gostaria de conhecer. Desde que continue uma paixão saudável, é uma das coisas mais bonitas da vida otaku.
Excitação por animação 10/10
Quando você começa a ver cenas de luta animadas de um jeito absurdo, entende o sentido de gastar tempo com anime. Existem produções em que cada quadro é praticamente uma pequena obra de arte, e nesses momentos o coração dispara de verdade.
São sequências tipo os confrontos de Demon Slayer, as transformações de Dragon Ball, as cenas-chave de Fate, os duelos de Vinland Saga, os embates em My Hero Academia. São coreografias estudadas, coloridas, cheias de detalhe, e quando são bem-feitas dão aquela descarga de adrenalina que poucos outros meios conseguem entregar.

Depois de ver cenas desse nível, voltar para uma produção mais preguiçosa fica difícil. O seu padrão sobe, e com razão. O lado bom é que a indústria já acostumou a gente a um nível de qualidade altíssimo, e as grandes produções continuam saindo a cada temporada.
Se tornar um perito
Em algum momento da carreira otaku acontece uma coisa curiosa: as pessoas ao seu redor começam a te pedir sugestão. "Qual anime você indica?", "Esse aqui me curti, mas não sei o que vem depois", "Ouvi falar desse título, me explica do que se trata?".
E é uma sensação ótima, porque significa que você construiu um repertório de verdade. Você sabe diferenciar um anime para quem está começando de um para quem já está dentro. Você sabe recomendar de acordo com o humor da pessoa, e não só de acordo com o seu gosto. Você também consegue falar "esse aqui não é para você" sem parecer antipática, apenas honesta.

Também é uma forma de devolver um pouco para a comunidade que te fez companhia em tantas noites. E se alguém se aproxima do mundo graças a você, é uma pequena vitória pessoal que vale muito.
Cansar, mas voltar consequentemente
A paixão nem sempre está no auge. Tem fases em que você assiste três episódios, acha tudo meio chato, e larga por semanas. Isso é normal, acontece com qualquer pessoa, até com quem se considera super fanático.
Eu, por exemplo, já tive fases em que não conseguia assistir nada, depois voltava com um título forte e me reacendia por completo. É um pouco como em qualquer relação: tem altos e baixos, e tudo bem. O importante é não se sentir culpado pelas pausas.

Muitas vezes basta um único anime certo na hora certa para reabrir tudo. Às vezes você acha por acaso, às vezes um amigo indica, às vezes é um slice of life leve que te coloca em paz com o mundo. De qualquer jeito, o retorno é sempre gostoso.
Inspirações e essências adquiridas
Outra coisa que me chama a atenção, quando eu paro para pensar, é o quanto de anime deixou alguma coisa dentro de mim. Não só boas memórias: pedacinhos de pensamento, jeitos de ver as coisas, frases pequenas que voltam na cabeça na hora certa.
Re:Zero me ensinou que às vezes recomeçar é uma forma de força, não de fraqueza. Naruto me lembrou a importância de nunca desistir, mesmo quando todo mundo te subestima. Death Note levou para a tela o dilema moral de um jeito que poucos outros produtos da cultura pop conseguiram. Toradora me fez chorar de emoção por dois personagens que se conhecem devagarinho. E eu poderia continuar por horas.

Esse, para mim, é o sentido mais profundo dessa paixão. Não é só entretenimento, é também um pequeno arquivo emocional para o qual a gente volta quando precisa. Uma espécie de memória do coração.
Novos sonhos
Entre as coisas mais doces que o mundo dos animes me deu estão os sonhos novos. Sim, os sonhos de verdade, quando você dorme: quantas vezes eu sonhei com ambientações, personagens, cidades que depois eu encontrava em títulos que ainda nem tinha visto.
Mas não é só isso. Falo também dos sonhos de dia: vontade de visitar um konbini, de experimentar um Maid café, de fazer uma viagem temática, de aprender um pouco de japonês, de olhar para o céu noturno do jeito que um certo personagem olharia. São desejos pequenos e carinhosos, que fazem bem.

Se perder um pouquinho nesses sonhos não faz mal, pelo contrário. Enquanto eles continuarem sendo sonhos e não virarem fuga da realidade, são combustível para o dia a dia. E quando um sonho se realiza, tipo visitar o Japão de verdade, é uma alegria que não sai da memória tão cedo.
Ultrapassando barreiras... 1000 animes?
Vamos fechar esta lista com a barreira mais simbólica que existe: os 1000 animes. É um número que causa uma certa coisa, quase mitológico para quem está dentro do mundo otaku. Alcançar essa marca não é só questão de tempo, é um jeito de dizer "vi bastante, conheci bastante, cresci junto com essas histórias".
Eu ainda não cheguei lá, mas estou a caminho. E não é uma corrida, só para deixar claro: ninguém te obriga a perseguir esse número. É um caminho pessoal, feito de descobertas, pausas, retornos, amizades que nasceram na frente da mesma tela. O que importa é curtir o trajeto.

Se você chegou até aqui lendo, valeu mesmo. Espero que algum ponto dessa lista te tenha feito dar risada ou concordar em silêncio. E se você não concordar com alguma coisa, você sabe o que fazer: comenta sem ofensa, e me conta a sua experiência. É nessas pequenas conversas que o mundo otaku fica ainda mais bonito.
No fim das contas, sejam 100, 300 ou 1000, os animes que a gente assistiu contam um pouco da gente. E talvez seja exatamente esse o barato: não o número, mas as histórias que a gente carrega para a vida.
E, claro, weeaboo é o que ninguém quer ser, mas todo mundo acaba virando um pouquinho — então aproveite sem medo, organize seus animes no MAL sempre que puder, descubra as personagens mais encantadoras que te conquistaram, e entenda quando o fan service aparece (e quando ele realmente incomoda). Combinado?
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