Existem favelas na Coreia do Sul? O contraste por trás da imagem moderna

Um olhar mais direto sobre Guryong Village, Gamcheon e a desigualdade que muita gente não associa à Coreia do Sul.

Muita gente imagina a Coreia do Sul apenas pelos doramas, pelos bairros luxuosos, pela tecnologia e pela vida urbana sofisticada. Por isso, quando alguém descobre que também existem áreas precárias e pobreza visível no país, a reação costuma ser de surpresa.

Depois da Guerra da Coreia, o país passou por décadas bastante duras. Mais tarde, se transformou em uma das economias mais desenvolvidas da Ásia, mas esse avanço não eliminou todas as desigualdades. É justamente por isso que lugares como Guryong Village e Gamcheon ajudam a enxergar um lado menos comentado da realidade sul-coreana.

Se você gosta desse tipo de contraste social no leste asiático, vale ler também nosso artigo sobre os bairros mais perigosos do Japão. Aqui, porém, o foco é a Coreia do Sul e dois exemplos bem diferentes entre si.

Sumário 4

Guryong Village: pobreza ao lado de Gangnam

Guryong Village fica em Seul, muito perto de Gangnam, um dos distritos mais ricos e mais conhecidos da capital. É exatamente esse contraste que torna o lugar tão marcante. De um lado estão os imóveis caros e a paisagem moderna; do outro, moradores vivendo em estruturas frágeis feitas de madeira, metal e materiais improvisados.

Muitas dessas famílias foram empurradas para lá por processos de deslocamento e reurbanização. Até hoje, milhares de pessoas convivem com infraestrutura ruim, eletricidade instável e risco constante de incêndios ou remoções.

Guryong Village na Coreia do Sul
Guryong Village mostra como riqueza e precariedade podem existir praticamente lado a lado em Seul.

A situação pesa ainda mais para os idosos. Muitos vivem com apoio estatal muito limitado, ou sequer suficiente para levar uma vida minimamente estável. Não é raro ver idosos recolhendo papel e papelão para reciclagem e sobrevivendo apenas disso. Essa cena contrasta muito com a imagem internacional da Coreia do Sul como símbolo de prosperidade.

Esse problema também se conecta a temas maiores, como envelhecimento, custo de vida e pressão social. Nesse sentido, nosso texto sobre o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul ajuda a entender como certas estruturas do país moldam a vida de muita gente.

Moradias em Guryong Village
O mais impressionante não é apenas a pobreza em si, mas o fato de ela existir tão perto de um dos maiores símbolos de riqueza urbana do país.

Gamcheon: de bairro pobre a ponto cultural

Gamcheon Culture Village, em Busan, conta uma história diferente. O lugar também nasceu em um contexto difícil, quando muitas pessoas precisavam de moradia após a guerra e ocuparam as encostas da região.

Com o tempo, o bairro foi revitalizado. Artistas passaram a pintar casas, becos e muros, e Gamcheon acabou se tornando um destino turístico bastante conhecido. Hoje ele chama atenção pelas cores, pelas vielas labirínticas e pelo clima artístico.

Gamcheon Culture Village em Busan
Gamcheon mostra como um bairro nascido da pobreza pode virar referência cultural sem apagar completamente sua origem.

Mesmo assim, seria errado romantizar demais essa transformação. Por trás das casas coloridas existe uma história de carência, deslocamento e adaptação. É justamente isso que torna Gamcheon interessante: não apenas como cenário bonito, mas como parte da história social da Coreia do Sul.

Por que ainda existe pobreza em um país tão desenvolvido?

Essa é a pergunta mais comum. A Coreia do Sul é desenvolvida, sem dúvida, mas desenvolvimento não significa que todos se beneficiam da mesma forma. Alto custo de vida, entrada tardia no mercado de trabalho, pressão social e proteção insuficiente para parte dos idosos ajudam a explicar esse desequilíbrio.

Os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis. Muitos cresceram em décadas muito mais duras, trabalharam sem conseguir construir reservas suficientes e hoje recebem ajuda limitada. É por isso que a pobreza na Coreia do Sul pode ser bem mais visível do que muita gente imagina de fora.

Então existem mesmo favelas na Coreia do Sul?

Sim. Talvez o termo não descreva tudo com exatidão em todos os contextos, mas a Coreia do Sul tem sim áreas marcadas por moradia precária, exclusão social e pobreza persistente. Guryong Village é o exemplo mais claro. Já Gamcheon mostra como um lugar que nasceu da necessidade pode mudar de aparência sem perder completamente a memória do seu passado.

No fim, a Coreia do Sul é ao mesmo tempo moderna, rica e desigual em alguns aspectos importantes. Se a gente olha apenas a superfície mais brilhante, acaba perdendo uma parte importante da realidade do país. O que te surpreende mais nisso tudo: o fato de esses lugares existirem ou o quanto eles ficam perto da imagem de sucesso que tanta gente tem da Coreia do Sul?

Kevin Henrique

Sobre o Autor: Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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