Antes de tudo, quando falamos de clichês chineses, estamos falando de padrões que aparecem com frequência em dramas, web novels e animes produzidos na China. Alguns vêm de influência japonesa, outros nascem da própria indústria, mas o resultado muitas vezes é o mesmo: histórias que repetem fórmulas até ficarem previsíveis.
Se você quiser comparar esse cenário com o que já existe no Japão, vale olhar também as diferenças entre Japão e China e a diferença entre chinês e japonês. Isso ajuda a entender por que certos elementos parecem familiares, mas não funcionam exatamente da mesma forma.

Os clichês mais comuns
Um dos primeiros clichês das web novels é o mestre arrogante e pervertido. Ele aparece em várias histórias de ambientação antiga e costuma tratar os outros com superioridade, como se sempre soubesse mais do que todo mundo.
Outro clichê bastante conhecido é o protagonista que esconde o próprio poder. Ele deixa o inimigo abusar da sua boa vontade, a história se arrasta e o leitor fica com a sensação de que a cena poderia ter terminado muito antes.
Também é comum o exagero nas descrições. Em vez de dizer algo de forma simples, alguns textos insistem em detalhes repetidos, como se cada personagem precisasse ser apresentado como uma obra-prima de pele perolada e beleza impossível. Isso cansa rápido.
Nas cenas de luta, o padrão também aparece. Quando a batalha começa, não há ninguém por perto. De repente, surge uma multidão do nada para assistir. Além disso, sempre existe alguém anunciando o golpe mais forte como se gritar deixasse o ataque automaticamente mais interessante.

Há ainda o personagem que come sem parar, como se o estômago fosse um portal para outra dimensão. E, no caso dos protagonistas, quase sempre existe alguma tragédia familiar: ou são órfãos, ou perderam a mãe cedo, ou têm um pai misterioso que reaparece só quando a trama precisa.
O problema não é ter clichê. O problema é quando eles passam a valer mais do que os próprios personagens. Nessa hora, o herói vira marionete e a história perde o lado humano que a torna memorável.
Em alguns casos, a política também entra no meio da ficção de forma bem direta. Por isso, quando se fala de China e de narrativa popular, vale ter cuidado para não separar demais obra, cultura e contexto histórico. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que certos discursos aparecem dentro da história.
Por que isso chama tanta atenção?
Porque, quando a fórmula se repete demais, o leitor já prevê o próximo passo antes mesmo de virar a página. A obra até pode funcionar, mas perde frescor. É nesse ponto que muita gente começa a comparar com o que o Japão já fazia há mais tempo.
Se você quer ver o tema por outro ângulo, a leitura de Animes Chineses - Indicações e lista completa e As 10 melhores Light Novels Chinesas encaixa muito bem aqui. Dá para perceber rapidamente como o mesmo mercado pode produzir obras muito diferentes entre si.
No fim, o que decide a qualidade não é o país de origem, e sim o modo como o autor usa ou quebra a própria fórmula. Quando isso acontece, o clichê vira estilo. Quando não acontece, vira desgaste.
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