No telhado do Castelo de Nagoya, dois kinshachi dourados — os shachihoko, criaturas de cabeça de tigre e corpo de peixe — continuam de guarda sobre Aichi. A silhueta branca de telhado verde é a mesma do cartão-postal. O detalhe que muda o passeio só aparece no portão: desde 2018 não se entra no tenshu.
A visita de verdade acontece no recinto. O Palácio Hommaru reabriu em madeira de hinoki, o jardim Ninomaru ainda funciona como o recanto do daimyo e as muralhas de pedra são as que os senhores ocidentais empilharam sob ordem de Tokugawa Ieyasu. A torre se fotografa de fora; o palácio é onde se tira o sapato.

Sumário 8
História do Castelo de Nagoya
Antes do Nagoya-jō Tokugawa, o recinto já tinha tido uma fortificação mais antiga, o Nagono do século XVI, depois abandonada. A fortaleza que se visita hoje começa em 1610. Tokugawa Ieyasu mandou erguer um castelo para o nono filho, Yoshinao, e puxou a cidade de Kiyosu para o novo jōkamachi — a malha em tabuleiro que ainda organiza o centro de Nagoya.
A obra foi tenka fushin: daimyo do oeste, muitos deles antigos aliados dos Toyotomi, ficaram encarregados das muralhas. Katō Kiyomasa liderou o tenshudai, a base da torre. O tenshu ficou pronto em 1612; o Palácio Hommaru, em 1615. Durante o período Edo o conjunto foi residência do ramo Owari, um dos três ramos parentes dos Tokugawa.
Em 1930 o castelo foi o primeiro do Japão designado Tesouro Nacional. Na manhã de 14 de maio de 1945, o bombardeio incendiário destruiu o tenshu e o palácio. As muralhas de pedra e alguns yagura sobreviveram. A reconstrução da torre em concreto armado, financiada em grande parte por doações, concluiu-se em 1959. O palácio voltou em madeira, por etapas, e reabriu por completo em 8 de junho de 2018.
Quem compara castelos japoneses nota o recorte: Nagoya não oferece um tenshu original de madeira, como Himeji ou Matsumoto. O que resta de Edo está nas pedras, nos fosso e, de novo, no Hommaru.

O tenshu hoje: fechado, visível, em debate
A torre de 1959 funcionou décadas como museu: maquetes da cidade Edo, armaduras, um terraço perto dos kinshachi. Isso acabou. O tenshu está fechado por envelhecimento e resistência sísmica. Dá para fotografar a silhueta, os telhados verdes e os dois shachihoko; não dá para subir os andares.
A prefeitura planeja uma reconstrução em madeira, com base em medições de 1932 e no Kinjō Onkoroku, o compilado de registros do domínio Owari. O cronograma dessa obra muda; o que está estável para o visitante é o aviso no site oficial: a torre de menagem e algumas estruturas não recebem entrada.
Palácio Hommaru, o motivo de entrar
O Hommaru é a residência e o escritório do daimyo refeitos com hinoki, ferragens e fusuma pintados de novo por artesãos. Não é um “anexo”: com o tenshu fechado, é o interior que justifica o ingresso. A entrada no palácio está incluída no bilhete do recinto; o último acesso é às 16h, e o caminho do portão principal ou do portão leste leva cerca de dez minutos a pé. Quem chega só no fim da tarde perde a sala e fica com o pátio.
Tira-se o sapato na entrada. Não há ar-condicionado nem banheiro dentro do palácio: a iluminação é baixa de propósito, para lembrar o Edo, não um museu climatizado. Flash é proibido. As salas principais — genkan, omote shoin, taimenjo, jōrakuden — seguem o protocolo da época; o jōrakuden foi o pavilhão em que o terceiro xogum, Iemitsu, se hospedou.

Kinshachi, pedra Kiyomasa e a kaya de seis séculos
Os golfinhos que não são golfinhos
Os kinshachi no cume são o símbolo da cidade. Em português muita gente chama de golfinhos dourados; o bicho é um shachi, híbrido de tigre e peixe, amuleto contra incêndio. Os do telhado atual são réplicas. O que restou das peças históricas fica exposto no Nishinomaru Okura Jōhōkan, o pavilhão de tesouros no antigo depósito de arroz — também incluído no ingresso, com último acesso às 16h.
A pedra Kiyomasa e a árvore kaya
Perto da porta leste do Hommaru há um bloco enorme, do tamanho de uns oito tatames, conhecido como pedra Kiyomasa. A tradição diz que Katō Kiyomasa a transportou. O próprio recinto corrige: aquele trecho da muralha foi de Kuroda Nagamasa. Kiyomasa de fato construiu o tenshudai; a lenda colou o nome na pedra errada. No Ninomaru ainda há a estátua dele puxando a pedra — o mito, em bronze.
No Nishinomaru, logo depois do portão principal, está a kaya (榧), árvore de mais de 600 anos, monumento natural. Sobreviveu ao bombardeio com marcas de queimadura no tronco. Não se chega perto: a proteção impede o acesso à base.

Jardim Ninomaru e o resto do recinto
O jardim Ninomaru era o sítio residencial do daimyo depois que a família saiu do Hommaru. É o trecho mais quieto do passeio: água, pedras e um desenho de jardim de daimyo classificado como lugar de beleza cênica. Torres de canto e portões restaurados fecham o perímetro. O tempo útil no recinto, sem pressa, fica entre uma hora e meia e duas horas e meia se o Hommaru estiver com fila curta.
Ao sul dos portões, o Kinshachi Yokocho concentra restaurantes de Nagoya-meshi em duas zonas: Yoshinao, junto ao portão principal, e Muneharu, junto ao portão leste. Não faz parte do ingresso do castelo; é o lugar de hitsumabushi ou misokatsu depois de devolver o sapato.
Horário, ingresso e como chegar
O recinto abre das 9h às 16h30. A última entrada pelos portões é às 16h; Hommaru e Nishinomaru Okura encerram o acesso à mesma hora. Fecha de 29 de dezembro a 1º de janeiro, com exceção possível em eventos.
| Item | Agora | A partir de 1º de outubro de 2026 |
|---|---|---|
| Adulto (individual) | 500 ienes | 1.000 ienes |
| Até o chūgaku (9º ano) e abaixo | gratuito | gratuito |
| Hommaru e Nishinomaru Okura | incluídos no ingresso | incluídos no ingresso |
A estação mais próxima é Nagoyajo (M07), na linha Meijo do metrô — o antigo nome Shiyakusho mudou em janeiro de 2023. A saída 7 deixa a uns cinco minutos do portão. Na Tsurumai, a parada é Sengencho (T05). O ônibus turístico Me-guru também para no castelo. Quem vem da estação JR Nagoya troca para a Meijo; o percurso urbano é curto, diferente de um castelo de monte como o de Gifu, que pede teleférico ou trilha.
O bilhete combinado com o jardim Tokugawaen existe no caixa. Pagamento no recinto aceita iene, cartão e IC de transporte. Valores de grupo, idoso residente e estacionamento mudam com a mesma revisão de 2026: confira o quadro do dia no site do castelo antes de sair do hotel.
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