Japão executa homem responsável por massacre

O “Massacre de Akihabana”. Assim ficou conhecido o assassinato de sete pessoas que foram esfaqueadas por um homem chamado Tomohiro Kato, de 39 anos. O crime aconteceu 8 de junho de 2008 na cidade de Akihabara, em Tóquio. O homem recebeu a condenação há 14 anos e foi executado no dia 26 de julho de 2022. Essa foi a primeira vez que o país cumpriu com esse tipo de pena neste ano. O massacre foi em uma área considerada popular por causa da região de comércio de eletrônicos, games e produtos de animes.

Na época o autor dos crimes estava com 25 anos, ele alugou um caminhão e atropelou várias pessoas. Após o ato de covardia ele saiu do veículo e começou a esfaquear pessoas de forma aleatória. Uma semana antes do massacre Tomohiro havia perdido o emprego durante o período de demissões coletivas em uma fábrica.

A execução dele foi ordenada pelo ministro da Justiça, Yoshihisa Furukawa. Este afirma que cerca de 80% dos japoneses apoiam a pena de morte em casos como esse. “Considerando que os crimes brutais nunca cessam, é necessário impor a pena de morte àqueles que cometeram crimes extremamente graves e brutais”, relata.

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Local aproximado do Massacre de Akihabana

Execução

O Japão realiza execução por enforcamento. Além da execução do responsável pelo Massacre de Akihabara, o último caso nesse respeito foi de três condenados em dezembro de 2021. Segundo dados japoneses, as execuções são realizadas com pouca frequência no Japão.

Contudo, no ano de 2018, 15 pessoas foram condenadas à morte. 13 delas estavam ligadas com um culto apocalíptico denominado Aum Shinrikyo – mesmo nome do autor do massacre. Ele planejou atacar as pessoas com gás sarin no metrô de Tóquio no ano de 1995. Neste dia 15 pessoas morreram e outras 5,5 mil ficaram feridas.

O Japão possui a pena de morte, mas em casos mais graves. Porém, outros países da Ásia adotaram a punição até mesmo para situações que não envolveram crime hediondo ou assassinato. Um grupo de direitos humanos no Japão, a filial japonesa da Anistia Internacional, se opõe à pena de morte. Para eles, essa forma de repreensão é um regresso para o Japão visto que cerca de 70% dos países proibiram a pena de morte ou deixaram de usá-las.

Pena de morte

A pena existe desde o século IV, sobe influência chinesa. No período Nara, esse tipo de castigo começou a ser menos usual. A explicação seria com os ensinamentos budistas, que estavam bem presentes na época. No período Heian, a pena foi completamente abolida.

A pena de morte ficou sem ser usada por cerca de 346 anos. Pouco depois, no período Kamakura, a pena de morte passou a ser mais cruel, por meio de queima, fervura e crucificação. No período Muromachi, os métodos ficaram ainda mais severo. Algumas formas de execução usadas nesse período eram crucificação invertida, empalamento por lança, serragem e desmembramentos de bois e carroças. A pessoa poderia ser morta até mesmo por crimes mais simples e até mesmo familiares e amigos do condenado poderiam sofrer com a punição junto com ele.

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Imagem: jus.com.br

Essa pena de morte durou por todo o período Edo e início do Meiji. Nessas eras se destacaram o confucionismo, o que resultou em penas mais fortes devido a ofensas feitas aos senhores. A tortura também começou a ser usada para confissões. No ano de 1871, a prática foi abolida – na verdade todo e qualquer tipo de tortura como forma de punição. A medida foi tomada por conta da reforma do código penal. Dois anos depois os números de penas de morte diminuiu e as formas de execução aceitas foram decapitação e enforcamento.

No fim da década de 80, houve o anulamento de quatro condenações com pena de morte. Segundo informações do jornal britânico The Times, a pena de morte foi suspensa em 17 de setembro de 2009. Mas, não houve um anuncio oficial por parte governamental.

Mortes sigilosas

As execuções japonesas são sigilosas. No ano de 2021, 26% das pessoas do corredor da morte estavam com mais de 70 anos de idade. Dessas, duas estavam presas a mais de 40 anos. Isso porque o período que dura entre a condenação e a execução podem durar muitos anos, até décadas. As pessoas que estão prestes a morrer são avisadas poucas horas antes da execução. Já os parentes só tem acesso após a morte. Somente em 2017 que os nomes de executados começaram a ser divulgados.

O local onde as mortes são realizadas não é conhecido, mas é chamado de ‘Casa da Morte’. O prisioneiro tem direito de chamar uma entidade religiosa antes de sua execução. Em uma sala próxima existe uma escultura de Kannon – deusa da misericórdia.

Fotos do local onde a execução é realizada são proibidas, mas em 2010, o ministro da época, Keiko Chiba, convidou jornalistas até a sala a fim de abrir uma discussão sobre o sistema de punição. Ele era contra a pena de morte.

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