Animes para assistir antes de morrer: minha lista pessoal de obras marcantes

Dez animes que eu acho que mais gente devia dar uma chance, e mais dez que valem um fim de semana.

Eu já assisti muito anime ao longo dos anos e, de vez em quando, uma série aparece meio de surpresa e não sai mais da cabeça. Esta lista nasceu desses encontros. Não são os mais famosos, e nem todos são os meus favoritos. São títulos que eu volto a citar em conversa, e todos eles têm uma coisa em comum: uma história que sustenta o final. Se você está procurando algo um pouco diferente do top 10 de sempre, está no lugar certo.

Deixei os óbvios de fora de propósito. Você já conhece One Piece, Naruto e Dragon Ball. Esta lista pisa mais fundo nas séries que recebem menos atenção fora do Japão: thrillers bem pensados, dramas de crescimento, e algumas comédias que acertam em cheio mais do que deveriam. Chama de lista pessoal, porque é exatamente isso que é.

Steins;Gate

Um dos animes mais inteligentes que eu já vi. Ele mistura viagem no tempo, humor seco, tensão de verdade e um elenco de personagens com quem a gente se importa de verdade. Passado em 2010, em Akihabara, ele acompanha um grupo de amigos que, sem querer, transforma um micro-ondas num aparelho capaz de mandar mensagens de texto para o passado. O líder do grupo, Okabe Rintarou, acaba se enroscando com uma organização chamada SERN enquanto tenta proteger os amigos e, no fim das contas, o futuro da humanidade.

Okabe Rintaro e a equipe do laboratório em Akihabara em Steins;Gate

Eu não vou contar detalhes, mas aguente firme até o episódio 13 mesmo que o começo pareça lento. A primeira metade é preparação, e o retorno vem com juros. Quando o último episódio cai, o anime tem chance real de entrar na sua lista pessoal de todos os tempos.

Code Geass

Esse é famoso, mas é famoso por motivo. Cheio de ação e suspense, e daquele tipo de enredo que te faz clicar no próximo episódio às três da manhã. Eu terminei os 50 episódios em dois dias, e o anime entrou direto na minha lista de favoritos.

Sim, o estilo de animação divide gente, e sim, tem mecha. Nada disso importa quando a história engata.

A premissa: um jovem super inteligente chamado Lelouch, insatisfeito com o mundo em que vive (o Japão está ocupado por um império chamado Britannia), acaba ganhando o poder de dar a qualquer pessoa uma ordem absoluta. Ele usa esse poder para começar uma guerra de um homem só contra Britannia, e o resultado é um dos thrillers políticos mais espetaculares do meio.

Lelouch comandando suas forças em Code Geass

Detetive Conan

No Ocidente, esse anime é menos conhecido. Já no Japão, Detetive Conan é uma instituição de décadas, aparecendo com frequência no topo dos rankings semanais ao lado de One Piece. Por aqui, ele passa meio despercebido, o que é uma pena.

Aparência antiga, às vezes meio batida, e na superfície pode parecer desenho infantil. Nada disso é verdade. Eu já assisti a mais de 700 episódios e a todos os filmes com a minha família, e continuo encontrando casos novos que me surpreendem.

Pense nele como um procedural no espírito de CSI. O protagonista, Edogawa Conan, é uma criança por fora, mas na verdade é o adolescente Kudo Shinichi, encolhido por uma droga aplicada por uma organização criminosa. Ele vive com identidade falsa e resolve casos pelo Japão inteiro com a ajuda do tio, o detetive particular atrapalhado Mouri.

Conan Edogawa e os Detetives Mirins em Detetive Conan

Oreimo

Baseado numa série de light novels e com duas temporadas, esse aqui soa mais estranho no papel do que funciona na tela.

A premissa: Kyousuke Kousaka é um estudante comum do ensino médio que tem uma relação meio tensa com a irmã mais nova. Um dia ele descobre que a irmã é otaku de carteirinha, com um vício sério em eroge, e a partir daí os dois vão se aproximando de um jeito que nenhum dos dois esperava. Amizades, mal-entendidos e muita conversa esquisita de madrugada aparecem no caminho.

Apesar da premissa, o anime não é ecchi. Funciona como comédia com um centro emocional surpreendente.

Kyousuke e Kirino na capa visual de Oreimo

Tengen Toppa Gurren Lagann

Um dos melhores animes que eu já vi. Ignore o design de personagem datado e a premissa que soa como qualquer outro anime de robô gigante, porque este aqui quebra todos os clichês que toca. As lutas são totalmente exageradas, e a história tem o dom de fazer marmanjos chorarem às duas da manhã sem aviso.

Vinte e cinco episódios. Simon é um garoto que passou a vida inteira debaixo da terra. O amigo mais velho, Kamina, sonha com a superfície e arrasta Simon junto para a luz do sol. Eles esbarram numa guerra de robôs gigantes, e o que começa como uma aventura simples vira uma das histórias mais sinceras do gênero.

Simon pilotando o mecha Gurren Lagann

Uchuu Kyoudai (Space Brothers)

Forte no Japão, fácil de passar batido por aqui. Não é o anime mais popular no Ocidente, mas merece um público bem maior.

A premissa é pé no chão e silenciosamente viciante. Mutta é um adulto que acabou de perder o emprego e, num impulso, se inscreve para virar astronauta. A partir daí, o anime vira um estudo de personagem sobre segunda chance, rivalidade entre irmãos e o trabalho nada glamouroso de, de fato, chegar ao espaço. Você vai rir dele. E vai, sem aviso, se pegar emocionado numa cena de exercício de treinamento.

Mutta e Hibito em Space Brothers

Clannad

Uma comédia, um romance e uma maquininha quieta de lições de vida que vai roubar algumas horas de sono, garanto que. Adaptado de uma visual novel, o anime gira em torno da heroína principal, a Nagisa.

O anime tem duas temporadas, Clannad e Clannad After Story. A história começa quando Tomoya esbarra com Nagisa Furukawa, uma garota tímida um ano acima dele que repetiu de ano por causa de uma doença longa. O sonho dela é reativar o clube de teatro da escola, e, sem muito o que fazer, Tomoya decide ajudar. Pelo caminho ele conhece várias outras garotas, se mete nos problemas delas e, devagar, começa a amadurecer. O que vem depois é o motivo de o anime ter a reputação que tem.

Tomoya e Nagisa sob as cerejeiras em Clannad

Toaru Kagaku no Railgun

Parece simples, acerta mais forte do que o esperado. Duas temporadas, mais a série mãe Index de onde ele nasceu. Railgun se passa na Academy City, uma cidade-estado onde 80% da população são estudantes, a tecnologia está anos à frente do resto do mundo e a matéria-prima do currículo são poderes psíquicos. O anime acompanha Misaka Mikoto, uma esper de nível 5, o posto mais alto da cidade.

Misaka Mikoto disparando seu railgun na Academy City

Kiseijuu (Parasyte)

Estreou em 2014, baseado em um mangá do final dos anos 1980 e início dos anos 1990. A premissa: Izumi Shinichi é um estudante comum até um parasita tentar tomar o cérebro dele. Ele só consegue tomar a mão direita do garoto, e os dois ficam presos um com o outro. A partir daí, o anime vira uma história tensa, por vezes bem explícita, sobre um adolescente aprendendo a conviver com algo desumano dentro de si enquanto o resto do país é caçado por parasitas disfarçados de gente.

O anime é seinen, voltado para o público adulto, e tem uma das dinâmicas de protagonista mais interessantes do gênero.

Shinichi e Migi, o parasita em sua mão, em Kiseijuu

Nana

Um shoujo maduro com uma veia realista. No fundo, é uma história de amizade entre duas jovens que, por acaso, dividem o mesmo nome, e que vão tropeçando em romances, trabalhos e decisões ruins pelo caminho em Tóquio. A sinopse oficial:

Komatsu Nana se muda para Tóquio para seguir o namorado Shouji e correr atrás da vida que sempre quis. No trem, ela conhece Nana Osaki, a vocalista da banda punk rock Blast, que também está indo para Tóquio para tentar a vida como música. As duas acabam dividindo um apartamento, e o resto do anime é o que acontece quando esses dois sonhos bem diferentes se chocam.

Nana Osaki e Nana Komatsu na capa visual do anime josei Nana

Menções honrosas

Eu poderia ter dobrado esta lista sem esforço. Para não fugir do controle, ficam aqui mais dez animes que valem o seu tempo, sem ordem específica. Nenhum deles tem um texto acima, mas todo um deles é aposta firme para um fim de semana.

  • Zero no Tsukaima
  • Toradora
  • Fullmetal Alchemist
  • Bakuman
  • Tokyo Magnitude 8.0
  • Suzumiya Haruhi no Yuuutsu
  • Seto no Hanayome
  • Kokoro Connect
  • I's Pure
  • Golden Time

Se você assistiu algo desta lista e quer discutir comigo se merece estar aqui, essa é metade da graça. Deixa nos comentários a sua escolha, e me conta por que eu estou errado sobre ela. SQN, eu provavelmente estou certo, mas vale o debate.

Kevin Henrique

Sobre o Autor: Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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