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A dívida do Japão – O país está correndo risco?

goen - moeda de 5 ienes
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Um país de primeiro mundo como o Japão consegue proporcionar uma boa qualidade de vida a seus habitantes graças a uma economia grande e próspera. Mas, como todos os países do mundo, o Japão tem seus próprios problemas. E um dos problemas mais graves é a sua dívida nacional.

Dessa vez, não irei falar de algum problema social explícito ou que tem pouca atenção do público. Nesse artigo, falarei da situação econômica do Japão.

O Japão é um dos países mais desenvolvidos e mais influentes do mundo. No entanto, é também o país mais endividado do mundo, com uma dívida substancial de cerca de 233% do PIB sobre seus ombros.

Pra quem não sabe, o Japão está em primeiro lugar em dívidas. Sim, o Japão tem a maior dívida do mundo. Sua dívida pública está calculada em mais de 1 quatrilhão de ienes (US$: 9 trilhões e R$: 29 trilhões). O Japão corre o risco de entrar em uma severa crise econômica caso não consiga encontrar uma solução para esse problema.

De onde surgiu essa dívida enorme?

Primeiramente, vamos dar uma olhada em como o Japão ficou preso em dívidas, quando a economia subiu ao poder e à proeminência.

O Japão tornou-se uma potência econômica influente nos anos 80. Isso a custo de uma bolha econômica criada depois da Segunda Guerra. No entanto, as políticas econômicas do Japão colocaram o país numa dívida monstruosa.

O governo japonês não conseguia bater a meta de coleta de impostos graças à política de impostos e taxas de juros baixos. Ao mesmo tempo, o Banco do Japão emprestava bastante dinheiro a seus credores. Posteriormente, a bolha econômica que se criou nos anos pós-guerra, estourou.

O mercado de ações despencou, o preço das ações caiu e o Banco do Japão se viu numa enorme dívida. Companhias nacionais encontravam-se na mesma situação financeira. Porém, para evitar desemprego em massa, o governo deu suporte financeiro a essas companhias. O governo praticamente não deixou essas empresas falirem.

O governo japonês e o Banco do Japão forneceram crédito a juros baixos a essas empresas. Assim, elas dependiam de apoio financeiro. Mas isso acabou se tornando insustentável. Portanto, as instituições bancárias tiveram que ser consolidadas e nacionalizadas.

Graças a políticas populistas, o governo evitou de ajustar o preço dos impostos e dos juros e insistia em sustentar empresas quebradas. Consequentemente, isso só aumentou a dívida.

Ao longo de muitos anos, outras iniciativas de estímulo fiscal também foram usadas para ajustar a economia. Por causa dessas ações aprovadas pelo governo, o nível de dívida do Japão disparou para se tornar o mais alto do mundo.

Como o Japão ainda não quebrou?

O Japão ainda está em boas condições porque pode ajustar as taxas de juros a níveis baixos para que os valores de pagamento permaneçam baixos em relação ao nível geral da dívida. Ao mesmo tempo, o Japão tem a sorte de ainda atrair investidores de todo o mundo. Mesmo assim, a dívida é tão grande que chega assustar qualquer investidor.

Mais cedo ou mais tarde, a situação pode se tornar insustentável. A dívida é tão grande que chega a ser impossível a possibilidade do Japão conseguir pagar isso de uma vez.

Para reduzir o fardo, o Banco do Japão reduz a taxa de juros e compra títulos do governo para fornecer mais dinheiro ao sistema financeiro. Teoricamente, isso minimiza artificialmente o pagamento total dos juros. Como o saldo negativo do governo japonês é tão alto, a despesa de juros pode ser facilmente afetada pelo aumento da taxa.

O envelhecimento do Japão contribui pra isso?

A população do Japão está encolhendo e envelhecendo. Por isso, é altamente duvidoso que o país possa aumentar a poupança nacional. Assim, a única maneira de reduzir o prejuízo é ter investidores estrangeiros.

No entanto, o problema é que o constante envelhecimento da população japonesa afeta a economia. Mais pessoas envelhecidas, menos trabalhadores jovens pra fazer o PIB crescer. Grande parte da dívida do Japão é financiada através de poupanças dos cidadãos japoneses. Poupanças que são canalizadas através de fundos de pensão e seguro de vida.

O Japão é extremamente conservador quando se trata de dinheiro. Não se têm uma cultura de consumo em bens materiais. Essa tendência significa que o dinheiro do povo vai para a dívida japonesa. À medida que a população japonesa envelhece, as pessoas se retiram desses fundos e seguros. Consequentemente, torna-se cada vez mais difícil financiar a dívida dentro do país.

O Japão vai acabar dando calote?

O Japão poderia dar calote mas, do jeito que está, possui trilhões de ativos estatais que seriam vendidos no caso de inadimplência, portanto, um calote é improvável. O que se pode ver, é um desinvestimento de ativos estatais se as dívidas não puderem ser pagas. Algumas das companhias apoiadas pelo governo japonês valem trilhões de dólares, então não é como se o Japão fosse quebrar. Pelo menos, por enquanto…

Provavelmente, o governo japonês vai acabar imprimindo dinheiro. É uma solução a curto prazo, apesar de desvalorizar a moeda. Mas, na situação do Japão, antes isso do que dar calote na dívida.

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  1. Ae Thomas! Mandou bem de novo! Curtí muito o texto! Sério mesmo, bem informativo!

  2. Ótimo texto!
    Pessoalmente, acho provável que o Japão dê calote, igual os EUA tendem a fazer com sua dívida trilhonaria deixada pelo Obama.
    Vale citar que mesmo com as altas cargas de imposto/arrecadações obrigatórias, o Japão não consegue se pagar por diversos fatores já comentados no texto. O EUA estava com isso, e então, atualmente, o Trump viu que não há grandes saídas e resolveu cortar impostos mas não cortar gastos, o que só vai aumentar a dívida e… bem, “deixe calotear”, né? huashahuas
    Acho provável que a crise chegue em 7 até 15 anos no Japão, mas ela tende a passar em até 3 anos com novas empresas surgindo e o Estado japonês deixando parte do poder para a indústria privada que fornecerá serviços semelhantes aos do governo atualmente… bem, posso estar falando besteira, óbvio. Tudo previsto talvez por Mises.

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