Como as crianças japonesas crescem em casa e na rua

Como as crianças japonesas crescem em casa e na rua

Cada ano há menos crianças, e o dia a dia das que estão aí continua pedindo bastante.

Como essas crianças são educadas? O que elas costumam fazer no dia a dia? Qual o seu comportamento? A infância japonesa mistura um lar bem próximo, um dia escolar cheio e uma independência que ainda surpreende quem visita o país. O número de crianças japonesas está caindo a cada ano no Japão. Em 1º de abril de 2026, o país tinha 13,3 milhões de crianças com menos de 15 anos, cerca de 10,8% da população, na 45ª queda anual seguida. Um dos grandes responsáveis é a falta de interesse dos casais em terem filhos. Criar o primeiro filho até os 18 anos custa cerca de 21,7 milhões de ienes, segundo pesquisa de 2024 do Centro Nacional de Saúde e Desenvolvimento Infantil. Além disso, muitas crianças japonesas acabam sendo educadas para ser o sucessor da família. Muitas acabam não tendo individualidade ou sofrendo muita pressão dos pais e da sociedade. O governo japonês tenta contornar o problema por meio de subsídios e ajuda, mas o número de crianças continua caindo. Menino japonês sorrindo com capacete de papel kabuto e uma koinobori azul
Sumário 3

Como as crianças japonesas são criadas

Não devemos falar apenas dos problemas em criar filhos. Esse artigo é dedicado especialmente às crianças japonesas, que merecem destaque pelo grande esforço na sociedade. O Japão sempre espera que suas crianças tenham experiências e desenvolvam certas habilidades. Os pais japoneses que realmente se importam com seus filhos se esforçam para abrir tempo e desenvolver a mente da criança com brincadeiras, jogos e esportes. Até mesmo o entretenimento da TV japonesa costuma desenvolver a mente da criança com animações complexas como Detective Conan. As crianças são incentivadas desde pequenas a formar pares entre meninos e meninas, idosos e jovens e crianças de diferentes idades. O objetivo dessas atividades é criar uma relação social entre essas pessoas para contornarem os problemas que os adolescentes enfrentam. Infelizmente, isso nem sempre tem obtido bons resultados. Avós ao lado de uma menina de quimono colorido de Shichi-Go-San numa ponte vermelha de santuário Pesquisas indicam que as mães japonesas possuem uma relação harmoniosa com seus filhos. Enquanto as mães americanas costumam dar ordens, as mães japonesas tentam negociar o assunto com a criança. Isso parece ótimo, mas essa relação acaba moldando pessoas dependentes e sem preparo para enfrentar o mundo. Alguns pais são realmente ausentes, deixando seus filhos em creches ou até mesmo pagando pessoas para cuidar de seus filhos (famílias ricas costumam fazer isso). Outros simplesmente deixam seus filhos de 6 anos sozinhos em casa ou com os irmãos mais velhos. A relação entre irmãos acaba sendo algo bastante forte, muitos crescem com os cuidados de um irmão.

O comportamento das crianças no Japão

As crianças pequenas costumam ter bastante liberdade e são permitidas a fazer o que querem. Costumam ser barulhentas em lugares públicos. A maioria das crianças japonesas só aprendem disciplina nas escolas e não com os pais. Crianças sentadas juntas numa assembleia e duas meninas dobrando origami colorido na sala As crianças japonesas tendem a ser bem educadas. Se uma criança se comporta mal, muitas vezes os pais são culpados mais do que a criança. As mães japonesas geralmente não repreendem seus filhos e tentam treinar seus filhos tanto quanto possível por meio de encorajamento e louvor. Como punição, elas mostram seu desagrado com uma leve repreensão ou uma ameaça de exclusão. Algumas mães costumam deixar os filhos trancados do lado de fora da casa quando eles fazem algo errado. Dá para ver o apego dos filhos em querer voltar para dentro de casa, alguns estão dispostos a fazer qualquer coisa. Atitudes como essa são diferentes dos tradicionais castigos e surras que estávamos acostumados a levar. Desde a infância as crianças são ensinadas de que dentro é seguro e fora é perigoso. Deve ser por isso que alguns japoneses possuem medo de coisas diferentes ou de ir contra o sistema. Menina tocando tambor de festival, um bebê de yukata rosa e pré-escolares ouvindo um livro ilustrado As crianças no Japão também são independentes. Existem crianças com apenas 6 anos que já vão sozinhas para a escola a pé ou de ônibus local. Algumas mais velhas pegam trem sem adulto, até para visitar um parque temático. Claro que antes dessa independência, elas aprendem tudo com os pais e nas escolas.

Os problemas das crianças japonesas

Coisas como jogos, celulares e internet têm atrapalhado o desenvolvimento social e a comunicação das crianças japonesas. Uma pesquisa da Gakken com alunos do ensino fundamental colocou a televisão depois da escola em cerca de 77 minutos, a internet em 59 e os games em 58, bem ao lado do juku e das aulas extras. Os estudantes costumam ficar ocupados com atividades depois da escola. Alguns acabam se dedicando demais a algumas atividades ou deveres e esquecem da diversão e do tempo livre para aproveitar com os amigos. Apesar das atividades esportivas, a agenda depois da aula deixa menos brincadeira ao ar livre do que gerações anteriores davam como certa. Cinco meninas do ensino fundamental japonês de uniforme de costas com mochilas randoseru vermelhas O que mais chama atenção é o contraste. Em casa a criança japonesa ganha bastante liberdade, na escola aprende disciplina, e na rua já anda sozinha bem mais cedo do que a gente espera. Só que o número delas cai todo ano. As bandeiras de carpa ainda sobem no Dia das Crianças, e as mesmas crianças ainda limpam as salas que usam.
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Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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