Energia Nuclear no Japão – Fatos e Curiosidades

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Olá pessoal, tudo bem? Quase todo mundo já ouviu falar que o Japão tem dependência das usinas nucleares. E neste artigo irei comentar um pouco mais sobre a energia nuclear e a relação que o Japão tem com este tipo de geração de energia que é um dos mais perigosos neste meio.

Um exemplo de seu perigo é o grande acidente de Fukushima que ocorreu após o tsunami do ano de 2011. Que após as várias precauções e medidas de proteção os riscos da radiação ainda afetam incrivelmente o local do acidente, tanto que partes ainda são totalmente isolados. Enfim, discutirei o assunto com mais calma no decorrer do artigo.



O Japão e sua indústria energética

O primeiro reator de energia nuclear comercial do Japão, iniciou seu funcionamento em 1966, e a energia nuclear tem sido uma prioridade estratégica nacional desde 1973. Isso ficou sob questionamento após o acidente de Fukushima em 2011, mas foi confirmado. Afinal não é uma situação que pode ser resolvida apenas pelo querer e fazer.

Até 2011, o Japão gerou em torno de 30% de eletricidade de seus reatores e esperava-se que aumentasse para pelo menos 40% até 2017. A perspectiva atual é de dois terços disso, de uma frota esgotada.

Hoje, 42 reatores são operáveis. Os dois primeiros reiniciaram em agosto e outubro de 2015, com mais sete tendo recomeçado desde então. 17 reatores estão atualmente em processo de reiniciar a aprovação. Isso nos deixa com um questionamento pesado sobre o porque deles estarem fazendo isto, mesmo depois do acidente nuclear de 2011.

Mesmo sendo o único país a ter sofrido os efeitos devastadores das armas nucleares, o Japão adotou o uso pacífico da tecnologia nuclear para gerar uma quantia substancial de sua eletricidade.

No entanto, depois do tsunami que matou 19.000 pessoas e que provocou o acidente nuclear de Fukushima, que apesar de não ter feito vítimas legais, deixou um trauma enorme na saúde mental e física das pessoas daquela área e um sentimento de pesar em todo o Japão e muita gente em todo o mundo.

E também com isso o sentimento público mudou de uma forma gritante, de maneira que houve protestos públicos generalizados exigindo que a energia nuclear fosse abandonada. O equilíbrio entre esse sentimento populista e a continuidade de fornecimento de eletricidade confiável e acessível está sendo discutido politicamente.

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Situação energética do Japão

A escassez de minerais e energia do Japão foi uma influência poderosa em sua política e história no século XX. Nos dias atuais depende das importações para mais de 90% de suas necessidades de energia primária. O que é extremamente pouco para um país do porte do Japão.

Quando se recuperou dos prejuízos da Segunda Guerra Mundial e cresceu em um tempo relativamente curto sua base industrial, ele necessitava das importações de combustíveis fósseis, especialmente do petróleo do Oriente Médio. Esta fragilidade geográfica e de commodities tornou-se instável devido ao choque do petróleo em 1973.

Naquela época o Japão já possuía uma indústria nuclear crescente, com cinco reatores em funcionamento. A reavaliação da política energética interna resultou em medidas para diversificar, em especial, um importante programa de construção nuclear. Uma grande importância foi voltada à redução da dependência do país das importações de petróleo.

No entanto, depois do acidente de Fukushima, em outubro de 2011, o governo tentou reduzir o papel da energia nuclear, mas não foi o bastante para satisfazer a população, o que resultou em perda dos cargos de grande parte dos políticos nas eleições.

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Governo depois do acidente de Fukushima

O novo governo adotou em 2014 o 4º Plano de Energia Básico, com uma progressão de 20 anos e afirmando que a energia nuclear é uma fonte de energia básica de carga básica e que ainda iria a ser utilizada com segurança para conseguir um fornecimento de energia para suas demandas. Além de ser uma medida de prevenção contra o aquecimento global.

Em 2015, o governo declarou que pretendia que as fontes de carga básica fornecessem 60% da energia até 2030, um terço disto seria de energia nuclear. A análise do Instituto de Pesquisa de Tecnologia Inovadora para a Terra estimou que os custos de energia seriam reduzidos em 20 bilhões de dólares americanos por ano comparado ao estado atual.

Paralelamente, foi divulgado que 43 projetos de energia a carvão foram planejados ou estavam em andamento. Assim como o renascimento da energia do carvão com um crescimento de 20% no consumo, as importações de GNL do Japão cresceram de cerca de US $ 20 bilhões em 2010 para US $ 70 bilhões em 2013.



Desenvolvimento do programa nuclear

Para não deixar detalhes em branco, apenas coloquei um resumo geral até agora da situação do Japão em relação ao tema, mas a partir de agora irei aprofundar nas questões e discutir melhor as mesmas de uma maneira mais completa mas procurarei manter o mesmo nível de facilidade na compreensão.

O programa de pesquisa nuclear teve início em 1954. A Lei Básica da Energia Atômica, que limita estritamente o uso da tecnologia nuclear a propósitos pacíficos, foi aprovada em 1955. Esta lei promoveu três princípios – métodos democráticos, gestão independente e transparência – que são o alicerce das atividades de pesquisa nuclear.

A inauguração da Comissão de Energia Atômica (JAEC) em 1956 ajudou no desenvolvimento e a utilização da energia nuclear, e com isso várias outras instituições sobre o tema foram criadas, logo depois.

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Primeiros passos para Energia Nuclear do Japão

O primeiro reator a produzir eletricidade no Japão foi um protótipo de reator de água fervente: o Japão Power Demonstration Reactor (JPDR), que funcionou de 1963 a 1976 e forneceu uma grande quantidade de informações para reatores comerciais posteriores. Creio que este faz participação especial na história do Japão.

O Japão importou seu primeiro reator nuclear comercial do Reino Unido, o Tokai 1 – um reator refrigerado a gás (Magnox) de 160 MWe construído pela GEC. Que iniciou seu funcionamento em julho de 1966 e continuou até março de 1998.

Após a conclusão desta unidade, somente reatores de água leve (LWRs) utilizando urânio enriquecido – ou reatores de água fervente (BWRs) ou reatores de água pressurizada (PWRs) – foram construídos. Logo em 1970, os primeiros três desses reatores foram concluídos e iniciaram seu funcionamento comercial.

Logo empresas japonesas já tinham conquistado a habilidade para construir essas unidades, pois compravam projetos dos EUA e tinham licença para administrar as etapas seguintes. Empresas como a Hitachi Co Ltd, a Toshiba Co Ltd e a Mitsubishi Heavy Industry Co Ltd desenvolveram a capacidade de projetar e construir LWRs por conta própria.



Medidas de melhoramento da Energia Nuclear no Japão

Como as tecnologias sempre avançam, os reatores precisavam melhorar pois pecavam em vários aspectos e necessitavam de constantes revisões para seu funcionamento. Logo o governo japonês adotou medidas para ajudar a desenvolver e melhorar esta tecnologia que tinha se tornado muito importante para o país.

E em 1975, o Programa de Melhoria e Padronização de LWR foi lançado pelo Ministério do Comércio Internacional e Indústria (MITI) e pela indústria de energia nuclear. Ele buscava padronizar projetos de LWR em três fases, até 1985.

Nas fases 1 e 2, os projetos existentes de BWR e PWR deveriam ser modificados para melhorar sua operação e manutenção. Na terceira fase do programa incluía o aumento do tamanho do reator para 1300-1400 MWe e mudanças importantes nos projetos. Estes seriam o Advanced BWR (ABWR) e o Advanced PWR (APWR).



Centros de pesquisa de Energia Nuclear no Japão

Com o mesmo objetivo da criação do programa, o governo japonês também criou alguns centros de pesquisa para ajudar nesse setor. O que mostra o interesse que ele tinha em avançar essa tecnologia e também a importância que a energia nuclear estava ganhando no país.

Um dos principais centros de pesquisa e ciclo de combustível até o final da década de 1990 foi a Power Reator e a Nuclear Fuel Development Corporation, mais conhecida como PNC. Suas atividades variavam, desde a exploração de urânio na Austrália até o descarte de resíduos de alto nível.

Mas após dois acidentes e da resposta insatisfatória da PNC, o governo em 1998 reconstituiu a PNC como o mais completo Instituto de Desenvolvimento do Ciclo Nuclear do Japão (JNC), cujo objetivo era concentrar-se no desenvolvimento de reatores de regeneração rápida, reprocessamento de combustível de alta combustão entre outras.

Mas logo ocorreu uma fusão da JNC e da JAERI em 2005, que foi responsável pela criação da Agência de Energia Atômica do Japão (JAEA), que é atualmente uma importante organização integrada de P & D nuclear. Papel que desempenha até os dias atuais.

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Mudanças na política energética

Por causa do acidente de Fukushima o governo foi obrigado a cessar grande parte de duas atividades envolvendo a energia nuclear, isto por causa da pressão da própria população e também de pressão exterior pois este acidente, em conjunto com a tragédia que aconteceu no país depois do terremoto que houve se tornaram notícias no mundo inteiro.

Por esses e vários outros motivos o governo teve de fazer diversas mudanças para que o país não sofresse de uma crise energética de escalas gigantescas. E algumas delas irei explicar a partir de agora.

Julho de 2011, o Conselho de Energia e Meio Ambiente (Enecan ou EEC) foi criado pelo gabinete do Gabinete do Partido Democrático do Japão (PDJ) como parte da Unidade Nacional de Política para dirigir o futuro energético do Japão até 2050.

Este órgão teve como propósito, ajudar a Política Nacional se concentre na dependência futura da energia nuclear. E sua primeira recomendação foi que a contribuição da energia nuclear para a eletricidade fosse direcionada a 0%, 15% ou 20-25% para o médio prazo.

Já a Comissão de Energia Atômica (JAEC) e o Conselho Central do Meio Ambiente aparentaram  estar sob o comando do Enecan em 2011, e em 2012 foram restaurados ao status anterior. Enquanto isso, grandes empresas japonesas como Mitsui e Mitsubishi começaram a investir pesadamente na capacidade de produção de GNL.



Acontecimentos recentes

Em junho de 2015, o Plano de Geração de Eletricidade do governo até 2030 foi aprovado. Este foi nuclear em 20-22% em 2030, renováveis ​​22-24%, LNG 27% e carvão 26%. O objetivo é reduzir as emissões de CO2 em 21,9% até 2030 em relação ao nível de 2013 e melhorar a taxa de autossuficiência em energia para 24,3%, de 6,3% em 2012.

Em julho do mesmo ano, o governo aprovou o Livro Branco de Energia do ano fiscal de 2014. Nele mostrou que a percentagem de energia vinda de combustíveis fósseis cresceu de 62% para 88% ao longo de quatro anos.

Nele mostrou também que o aumento do custo de combustível devido a paralisações nucleares foi de 2,3 biliões de JPY em 2011, JPY 3,1 biliões em 2012 e JPY 3,6 triliões em 2013 ( até março de 2014). As despesas com energia doméstica aumentaram em média 13,7% nos quatro anos.

Em julho de 2017, o gabinete aprovou o projeto de Conceito Básico sobre o Uso de Energia Nuclear, desenvolvido ao longo de dois anos pela JAEC, incluindo consulta pública. Ele descreve oito atividades prioritárias para atingir as metas básicas para o uso seguro da energia nuclear, promovendo seus benefícios.

Minha opinião

Eu sinceramente não acho que as usinas nucleares sejam um perigo para a sociedade. Eu criticaria muito mais os países que utilizam a energia nuclear como forma de demonstrar poder, assim como a Rússia ou os EUA e seus arsenais atômicos com o propósito único de servir como armas de guerras.

Fora que o Japão não costuma ser negligente quando o assunto é infraestrutura e segurança, eles estão sempre desenvolvendo tecnologias para saciar suas necessidades, sejam elas em infraestrutura comercial, urbana, doméstica ou industrial. Eles estão sempre buscando melhorar, diferente de países negligente que só pensam em obter dinheiro.

Além de tudo isso, não é como se o Japão fosse rico em recursos naturais como o Brasil, pelo contrário, os recursos são extremamente limitados tanto quanto suas planícies. Para quem não sabe o Japão é um país predominantemente montanhoso, o que explica sua necessidade por espaço já que as planícies são escassas.

As opiniões divergem sobre este assunto, deixe a sua aí nos comentários e vejamos se discordamos ou concordamos. Mas antes se lembre que o acidente só ocorreu por causa do tsunami gigantesco que atingiu o Japão na época, que matou milhares de pessoas. E não foi o terremoto a causa do estrago feito nas unidades da usina.

Bem, é tudo por este artigo. Caso tenha alguma dúvida, sugestão, crítica ou outro do gênero basta deixar o seu comentário. No mais, obrigado a você, meu caro leitor, por ler este artigo até aqui e até o próximo.

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