O Japão chega para a Copa do Mundo de 2026 cercado por expectativa, mas também por ajustes importantes de última hora. Depois de garantir vaga com antecedência e confirmar seu status como uma das seleções mais organizadas da Ásia, os Samurais Azuis entram no torneio com um grupo traiçoeiro e com a pressão de finalmente transformar regularidade em campanha histórica.
Para quem acompanha a trajetória recente da equipe, não chega a ser surpresa. O futebol japonês evoluiu muito nas últimas décadas, algo que já aparece até quando olhamos para a história do futebol no Japão. Agora, o desafio é provar em campo que essa evolução também sustenta uma caminhada forte em um Mundial com 48 seleções.
Quais são os adversários do Japão no Grupo F?
Segundo a tabela oficial da FIFA, o Japão caiu no Grupo F e terá três adversários bem diferentes entre si: Holanda, Tunísia e Suécia.
- Holanda
- Tunísia
- Suécia
Pela programação publicada pela JFA, a estreia japonesa está marcada para 14 de junho de 2026, contra a Holanda. Depois disso, o time encara a Tunísia em 20 de junho de 2026 e fecha a primeira fase diante da Suécia em 25 de junho de 2026.
É um grupo pesado, especialmente porque Holanda e Suécia costumam oferecer muita intensidade física, enquanto a Tunísia tende a complicar jogos truncados. Ainda assim, o Japão chega como uma seleção plenamente capaz de disputar vaga no mata-mata. Não por acaso, foi o primeiro país não anfitrião a garantir presença no torneio.

Qual é a provável base do time?
Hajime Moriyasu ainda pode mexer em uma ou outra peça, mas a base do Japão para as primeiras partidas parece relativamente clara. A espinha dorsal deve girar em torno de Zion Suzuki no gol, uma defesa com Tomiyasu, Itakura, Hiroki Ito e Yukinari Sugawara, além de um meio com mobilidade e boa saída de bola.
Na frente, os nomes mais fortes continuam sendo Takefusa Kubo, Junya Ito, Keito Nakamura e Ayase Ueda. Se Moriyasu quiser um time mais agressivo desde o começo, Ueda aparece como referência de área, com Kubo tendo liberdade para flutuar e acelerar a criação.
Provável base japonesa
Zion Suzuki; Tomiyasu, Itakura, Hiroki Ito e Sugawara; Ao Tanaka, Daichi Kamada e Kubo; Junya Ito, Keito Nakamura e Ayase Ueda.
É uma equipe que combina velocidade pelos lados, transição rápida e bastante disciplina tática. Quem já leu nosso artigo sobre por que a seleção do Japão joga de azul no futebol sabe que o apelido Samurais Azuis não veio só pela cor da camisa: existe também essa ideia de time compacto, aplicado e difícil de quebrar.
Destaques, ausências e o peso do ataque
Se há um jogador capaz de mudar o tom ofensivo da equipe, esse nome é Takefusa Kubo. O meia-atacante da Real Sociedad chega como referência técnica, o atleta mais talentoso no um contra um e o nome que mais pode desequilibrar quando o Japão precisar criar contra blocos fechados.
Junya Ito continua sendo outra arma valiosa, principalmente pela aceleração e pela capacidade de atacar o espaço nas costas da defesa. Já Ayase Ueda, artilheiro do Feyenoord, oferece presença de área e finalização mais direta, algo importante em jogos de Copa que costumam ser decididos em poucas chances.
Entre as ausências, a mais sentida é a de Wataru Endo. O volante do Liverpool estava na convocação inicial, mas foi cortado por lesão poucos dias antes da estreia, de acordo com a FIFA. A perda pesa porque Endo dá equilíbrio, liderança e leitura defensiva. Outro desfalque notável é Kaoru Mitoma, que ficou fora da lista final por problema físico. Já Takumi Minamino também acabou ausente da convocação definitiva.
Esses cortes mudam a cara do time. Sem Endo e Mitoma, o Japão perde um pouco de experiência e explosão, mas continua com repertório suficiente para competir. O ponto central será transformar posse e organização em agressividade real perto da área adversária.

O experiente Yuto Nagatomo
Aos 39 anos, Yuto Nagatomo continua sendo a voz da experiência no elenco. Atualmente no FC Tokyo, o lateral traz para o grupo algo que nem sempre aparece na ficha técnica: bagagem de vestiário, leitura emocional de torneio curto e noção de como ajudar a equipe a se manter estável sob pressão.
Com passagens por clubes como Inter de Milão, Galatasaray e Olympique de Marseille, Nagatomo funciona quase como uma ponte entre gerações. Em um elenco cada vez mais europeu, ele segue representando a memória competitiva de quem já viveu muitos ciclos com a camisa do Japão.
Lista completa dos convocados do Japão
A lista final divulgada pela JFA para a Copa do Mundo de 2026 ficou assim:
Goleiros
Zion Suzuki, Keisuke Osako e Tomoki Hayakawa.
Defensores
Yuto Nagatomo, Shogo Taniguchi, Ko Itakura, Tsuyoshi Watanabe, Takehiro Tomiyasu, Hiroki Ito, Ayumu Seko, Yukinari Sugawara e Junnosuke Suzuki.
Meias e atacantes
Junya Ito, Daichi Kamada, Koki Ogawa, Daizen Maeda, Ritsu Doan, Ayase Ueda, Ao Tanaka, Keito Nakamura, Kaishu Sano, Takefusa Kubo, Yuito Suzuki, Kento Shiogai, Keisuke Goto e Shuto Machino.
O técnico é Hajime Moriyasu.
O Japão pode ir longe?
O Japão entra na Copa de 2026 com menos holofote do que algumas potências, mas com argumentos reais para incomodar. O grupo é difícil, as ausências atrapalham e a margem de erro é pequena, mas a seleção segue competitiva, organizada e com talento suficiente para sonhar alto.
Se Kubo assumir o protagonismo, se Ueda transformar volume em gol e se a defesa mantiver a solidez, os Samurais Azuis podem muito bem passar da primeira fase e voltar a alimentar a pergunta que muita gente faz há anos: quantas vezes o Japão já ganhou a Copa do Mundo? Por enquanto, a resposta ainda não mudou. Mas a expectativa de fazer história segue viva.
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