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Em junho de 2025, o Japão executou Takahiro Shiraishi, conhecido mundialmente como o “assassino do Twitter”. Ele ficou famoso por atrair vítimas pela rede social, explorando a fragilidade emocional de pessoas com tendências suicidas. A execução aconteceu após quase oito anos dos crimes que chocaram o país e reacenderam debates sobre pena de morte, saúde mental e segurança digital.

Entre agosto e outubro de 2017, Shiraishi assassinou e desmembrou nove pessoas, oito mulheres e um homem, todas entre 15 e 26 anos. O caso veio à tona quando a polícia encontrou restos humanos em seu apartamento em Zama, província de Kanagawa. A investigação foi desencadeada após o desaparecimento de uma jovem, cuja comunicação com o criminoso foi rastreada até ele.

O método do assassino do Twitter

Shiraishi usava o Twitter para localizar alvos vulneráveis, geralmente pessoas que expressavam desejo de morrer. Ele se apresentava como alguém disposto a ajudar em um “suicídio assistido” e prometia morrer junto com a vítima. Era uma armadilha. Assim que ganhava a confiança, marcava encontros e levava as vítimas ao seu apartamento, onde as matava por estrangulamento.

Em vários casos, ele cometia abuso sexual antes ou depois do assassinato, e chegou a admitir que o principal motivo era prazer sexual e sensação de controle, não empatia ou desejo real de morrer com as vítimas.

Depois dos crimes, desmembrava os corpos com ferramentas compradas previamente, armazenava partes em caixas térmicas cobertas com areia para gatos — tentando disfarçar o odor da decomposição — e, em alguns casos, descartava partes como lixo doméstico. Os assassinatos foram cometidos em sequência, sempre com o mesmo padrão metódico de abordagem, execução e ocultação.

Perfil das vítimas

Até onde se sabe, Shiraishi assassinou nove pessoas, sendo oito mulheres e um homem, com idades entre 15 e 26 anos. Segundo relatórios, suas identidades são:

  • Mizuki Miura, 21 anos – assassinada em 23 de agosto de 2017
  • Kureha Ishihara, 15 anos – assassinada em 28 de agosto de 2017
  • Shogo Nishinaka, 20 anos – único homem entre as vítimas, morto em 30 de agosto de 2017
  • Hinako Sarashina, 19 anos – assassinada em 16 de setembro de 2017
  • Hitomi Fujima, 26 anos – assassinada em 24 de setembro de 2017
  • Akari Suda, 17 anos – assassinada em 28 de setembro de 2017
  • Natsumi Kubo, 17 anos – assassinada em 30 de setembro de 2017
  • Kazumi Maruyama, 25 anos – assassinada em 18 de outubro de 2017
  • Aiko Tamura, 23 anos – assassinada em 23 de outubro de 2017

Prisão e confissão

A prisão ocorreu em 31 de outubro de 2017. A polícia encontrou nove corpos desmembrados após seguir o rastro de uma das vítimas e usar um perfil falso para atraí-lo. Ao ser detido, Shiraishi confessou os assassinatos sem hesitação. Disse à polícia que agia por desejo sexual e que não tinha remorso.

Durante o julgamento, iniciado em setembro de 2020, os advogados tentaram alegar que algumas vítimas haviam consentido com os próprios assassinatos. O tribunal rejeitou essa defesa, afirmando que não houve consentimento real e que o réu manipulou pessoas em situação extrema de fragilidade mental. Em dezembro do mesmo ano, Shiraishi foi condenado à morte. Ele não recorreu da sentença.

Execução e resposta da sociedade

A execução foi realizada em Tóquio, por enforcamento, o método padrão no Japão. O Ministério da Justiça confirmou a morte de Shiraishi no dia 27 de junho de 2025. A decisão foi anunciada sem aviso prévio à população, como é comum no sistema penal japonês, onde os condenados só são informados no próprio dia da execução.

A repercussão foi imediata. Familiares das vítimas disseram sentir alívio, embora algumas organizações de direitos humanos tenham criticado o Japão por manter a pena de morte ativa. Especialistas em justiça criminal apontaram que, mesmo diante da crueldade do caso, o debate sobre transparência e reforma penal precisa continuar.

Apesar do Japão parecer ter julgamentos justos, infelizmente nem todos os casos terminam com justiça. Um dos casos mais terríveis e violentos do Japão Junko Furuta, terminou com os criminosos soltos e vivendo uma vida normal.

O impacto do caso

O caso do assassino do Twitter teve consequências duradouras. Redes sociais reforçaram políticas contra discurso suicida e conteúdos que incentivam automutilação. A segurança digital ganhou novos contornos, especialmente no Japão, onde a vigilância online ainda é considerada limitada frente à sofisticação de abusadores como Shiraishi.

Além disso, o caso reacendeu discussões sobre o tratamento dado a pessoas com sofrimento psicológico nas redes. A ausência de mecanismos eficientes de apoio foi um dos fatores que possibilitou os crimes.

No plano jurídico, o episódio reforçou críticas à justiça japonesa, sobretudo em relação à pena capital e à forma como confissões são obtidas. A execução, embora amplamente aceita pela população, também levou à comparação com outros casos controversos, como o de Iwao Hakamada, condenado erroneamente e libertado décadas depois.

O que esse caso nos ensina

Takahiro Shiraishi aproveitou brechas — humanas e digitais — para cometer crimes brutais. Sua execução fecha uma página sombria, mas deixa perguntas abertas. Como proteger quem sofre em silêncio nas redes? O sistema judicial está preparado para lidar com crimes digitais complexos? E, principalmente, como impedir que alguém transforme desespero em alvo?

Responder essas questões é tão importante quanto julgar os culpados.

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Kevin Henrique

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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