Os 15 mangás mais longos que existem

Os 15 mangás mais longos que existem

Por volumes tankōbon — com Golgo 13 no topo e o porquê de One Piece e Conan ficarem de fora

Quem acompanha One Piece ou Detective Conan costuma achar que “mangá longo” começa e termina aí. A conta por tankōbon, porém, aponta para outra prateleira: séries que o Ocidente quase não cita, publicadas por décadas em revistas semanais e quinzenais, com centenas de volumes empilhados.

Este ranking reúne 15 mangás entre os mais extensos em número de volumes coletâneos. Os números se movem enquanto uma obra segue em publicação — use-os como ordem de grandeza, não como foto congelada para sempre. O critério é volume tankōbon (e sagas contadas de forma consolidada nas listas de referência), não “quanto tempo o anime durou”.

Pilhas de volumes de mangá, símbolo de séries com dezenas de tomos
Sumário 17

Ranking rápido: os 15 por número de volumes

Antes dos resumos, a tabela enxuta. Nomes em romaji e japonês aparecem como costumam circular entre leitores; a revista de origem ajuda a situar o público original.

# Mangá Volumes (aprox.) Autor(es) Status
1 Golgo 13 221+ Takao Saito / Saito Production Em publicação
2 Dokaben 205 Shinji Mizushima Encerrado (2018)
3 KochiKame 201 Osamu Akimoto Encerrado (2016)
4 Minami no Teiō 188+ Dai Tennōji, Rikiya Gō Em publicação
5 Cooking Papa 178+ Tochi Ueyama Em publicação
6 Ginga (Silver Fang) e saga 158+ Yoshihiro Takahashi Saga longa / sequências
7 Grappler Baki (franquia) 156+ Keisuke Itagaki Em publicação
8 Kinnikuman 150+ Yudetamago Em publicação
9 Hajime no Ippo 145+ George Morikawa Em publicação
10 JoJo's Bizarre Adventure 139+ Hirohiko Araki Em publicação
11 Edomae no Shun 133+ Shin Tsukumo, Terushi Satō Em publicação
12 Onihei Hankachō 128+ Takao Saito / Saito Production Em publicação
13 Kobo-chan 121+ Masashi Ueda Em publicação
14 Tsuribaka Nisshi 118+ Jūzō Yamasaki, Kenichi Kitami Em publicação
15 Kowashiya Gen 118+ Hoshino Hideki, Sadayoshi Ishii Em publicação

Sim: Golgo 13 lidera a contagem de volumes, e em 2021 o Guinness World Records reconheceu a série pelo recorde de tomos publicados para um único mangá — superando KochiKame, que por anos parecia intocável.

1. Golgo 13 — o teto atual de volumes

Takao Saito (1968–2021), depois Saito Production · desde 1968 · Big Comic (Shogakukan)

Duke Togo, o atirador conhecido como Golgo 13, aceita contratos de assassinato em episódios quase autônomos. A estrutura modular — missão, alvo, desfecho — ajudou a série a atravessar mais de meio século sem depender de um único arco interminável. Depois da morte de Saito, a produção seguiu com a equipe, mantendo o personagem no catálogo de mangá mais longevo ainda em circulação.

Arte relacionada a Golgo 13, mangá de ação de longa duração

2. Dokaben — beisebol em escala de maratona

Shinji Mizushima · 1972–2018 · Weekly Shōnen Champion (Akita Shoten)

Tarō “Dokaben” Yamada troca o judô pelo beisebol no ensino médio e carrega uma carreira esportiva que virou sinônimo de mangá de esporte no Japão. Com 205 volumes, a obra fechou em 2018 — e ainda assim fica só atrás de Golgo 13 na lista por tomos. Quem espera só o “clima shōnen atual” encontra aqui o ritmo de serialização clássica de Champion.

Capa ou arte de Dokaben, mangá de beisebol com mais de 200 volumes

3. KochiKame — a delegacia que virou monumento

Osamu Akimoto · 1976–2016 · Weekly Shōnen Jump (Shueisha)

Kochira Katsushika-ku Kameari Kōen-mae Hashutsujo (こちら葛飾区亀有公園前派出所) — “Esta é a delegacia em frente ao Parque Kameari, no bairro Katsushika” — é um daqueles títulos que já contam o cenário. No centro está Kankichi Ryotsu, policial de Tóquio que transforma o expediente em comédia de situações. Quase 2 mil capítulos e 201 volumes depois, a série encerrou a serialização em 2016 (com volumes finais posteriores). Por anos foi o modelo de “mangá interminável” da Jump — até a contagem de tomos de Golgo 13 puxar a dianteira.

Ilustração ligada a comédia e animação japonesa, no espírito de séries longas como KochiKame

4. Minami no Teiō — o demônio de Osaka

Dai Tennōji e Rikiya Gō · desde 1992 · Weekly Manga Goraku

Ginjiro Manda cobra juros absurdos e gira o enredo em torno de empréstimos e sobrevivência no bairro Minami, em Osaka. É seinen de tom popular, serialização semanal e dezenas de anos de continuidade — um tipo de sucesso doméstico que quase não chega às listas ocidentais de “must-read shōnen”, mas domina a contagem de volumes.

5. Cooking Papa — o pai que cozinha em segredo

Tochi Ueyama · desde 1985 · Morning (Kodansha)

Um assalariado cozinha muito bem e prefere que o escritório continue acreditando que a esposa prepara as refeições. O gag se repete, os pratos mudam, e a série atravessa gerações de leitores de Morning. Em volume, supera com folga a maior parte dos títulos de culinária que o público internacional conhece.

Coleção de mangás empilhados, referência visual a séries com dezenas de volumes

6. Ginga (Silver Fang) — cães, sequências e legado

Yoshihiro Takahashi · desde os anos 1980 · Jump e, depois, outras revistas

Ginga: Nagareboshi Gin e as sequências da saga dos cães guerreiros formam um bloco enorme quando a lista consolida a obra do autor. Mesmo quem só conhece o clássico da Jump costuma se surpreender com o tamanho total da linha no tempo. É um bom exemplo de como “um título” e “uma franquia serializada” podem empurrar o contador de tomos para cima.

7. Grappler Baki — a busca por Yujiro

Keisuke Itagaki · desde 1991 · Weekly Shōnen Champion

Baki Hanma treina e luta para se aproximar do nível do pai, Yujiro, frequentemente tratado como o homem mais forte do planeta dentro da ficção. A franquia se desdobra em arcos e subtítulos, e a soma de volumes a coloca no pelotão de elite. Lutas exageradas, oponentes com estilos bem marcados e uma motivação familiar que o texto original do site já destacava com clareza: força como caminho (torto) para reconhecimento.

8. Kinnikuman — heróis e torneios sem pressa

Yudetamago · desde 1979 · Jump e retornos posteriores

Paródia de super-heróis e puro espetáculo de luta, Kinnikuman voltou e se estendeu o bastante para figurar entre as maiores contagens de volumes ainda ativas. Quem só viu o pico nostálgico dos anos 1980 subestima o quanto a marca continuou engordando a estante.

9. Hajime no Ippo — boxe, volume após volume

George Morikawa · desde 1989 · Weekly Shōnen Magazine

Ippo Makunouchi sai do bullying e do trabalho com a mãe para o ringue, sob a sombra (e o empurrão) de Takamura. Décadas depois, a série segue como referência de mangá de boxe: treinos, categorias, rivalidades e o hábito shōnen de nunca encerrar “só mais um round”. Na prática, ultrapassa em tomos muita obra que o público trata como sinônimo de lonjura.

Capas e volumes de mangás clássicos de longa serialização

10. JoJo's Bizarre Adventure — gerações Joestar

Hirohiko Araki · desde 1987 · Jump e Ultra Jump

Em vez de um único protagonista eterno, Araki troca de geração, poder e tom a cada parte — de Hamon a Stands e além — sem largar o fio da família Joestar. A soma das partes coloca JoJo bem acima de 100 volumes, com fãs contando “partes” tanto quanto tomos. Popular no Japão e no exterior, ainda assim fica atrás de vários seinen e esporte-manga pouco exportados.

11. Edomae no Shun — peixe, temporada e rotina

Shin Tsukumo e Terushi Satō · desde final dos anos 1990 · Weekly Manga Goraku

Drama de peixaria e culinária de Edo/Tóquio, com o ritmo de serialização que as revistas de entretenimento adulto sustentam por anos. Não costuma aparecer em “top mangá” ocidentais, mas a contagem de volumes explica por que listas só de Jump enganam o leitor curioso.

12. Onihei Hankachō — investigação no Japão feudal

Takao Saito e equipe · desde 1993 · Comic Ran e afiliados

Adaptação em mangá do universo de Onihei, o caçador de criminosos do período Edo. Outra obra ligada ao ecossistema Saito Production, reforçando como certos estúdios e autores japoneses tratam longevidade como modelo de negócio editorial, não como acidente.

13. Kobo-chan — tiras diárias, dezenas de tomos

Masashi Ueda · desde 1982 · Yomiuri Shimbun e coletâneas

Comédia familiar em formato de tira, com milhares de strips ao longo das décadas. A conversão para volumes tankōbon gera uma pilha respeitável — e lembra que “mangá longo” também pode ser humor doméstico no jornal, não só shōnen de batalha.

Volumes de mangá alinhados em prateleira

14. Tsuribaka Nisshi — a comédia da pescaria

Jūzō Yamasaki e Kenichi Kitami · desde 1979 · Big Comic Original

Hamasaki e o chefe Aoyama vivem o contraste entre vida corporativa e obsessão por pescar. Sucesso de longa data em Big Comic Original, com dezenas de volumes e adaptações — outro caso em que o Japão consome por décadas o que o restante do mundo mal cataloga.

15. Kowashiya Gen — demolição como ofício

Hoshino Hideki e Sadayoshi Ishii · desde 2003 · Weekly Manga Times

Gen é especialista em demolição; a série mistura trabalho braçal, drama e serialização semanal típica de revistas de mangá para adultos. Entrar no top 15 por volumes com uma obra do século XXI mostra que a “corrida dos tankōbon” não parou nos clássicos dos anos 1970.

Estante cheia de mangás, metáfora para coleções de séries longas

E One Piece e Detective Conan?

Ficam de fora do top 15 por volumes — e isso é o ponto. One Piece e Detective Conan são gigantes de popularidade, capítulos semanais e impacto cultural, mas a fila de tomos acima de ~110–120 está entupida de beisebol, culinária, yakuza de bairro, tiras de jornal e ação de revista adulta. “Mais longo” e “mais famoso no Brasil” raramente são a mesma lista.

Se a curiosidade for tempo de tela em vez de papel, o caminho natural é o ranking de animes mais longos e o caso extremo de Sazae-san.

Consegue imaginar acompanhar 200 volumes de uma única série? Você já encarou alguma dessas maratonas — ou ficou só no time One Piece/Conan? Conta aí.

Fontes e Links Úteis

Sobre o Autor

Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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