Entrevista com Sarah, do Faleemjapones

Uma conversa sobre aprendizado de japonês, ensino e a experiência de viver no Japão.

Sarah é uma youtuber brasileira que fundou o canal Faleemjapones em 2011, e o projeto já se aproximava da marca de 100 mil inscritos em 2016.

É difícil encontrar canais brasileiros dedicados ao aprendizado de japonês. O canal da Sarah já reunia vários méritos entre os estudantes de japonês no Brasil.

O maior diferencial do canal é a forma de ensinar: leve, divertida e eficiente, sempre pensando nas dificuldades que os alunos podem enfrentar. Outro ponto forte é o carisma e o jeito da Sarah, porque ela consegue transmitir o que sente aos alunos, algo que faz falta em muitos professores mais robotizados.

Sarah também falava sobre abrir uma escola no futuro, e você vê mais coisas sobre isso logo abaixo.

Sumário 21

Perguntas da entrevista

Como foi sua infância?

Eu era uma criança muito ativa. Brincava na terra, adorava jogar bola, brincar de carrinho e de ensinar minhas bonecas a ler e escrever. Desde os 9 anos, fazia trabalhos voluntários em asilos, creches e escolas, ensinando os alunos a dançar, fazer algum artesanato ou até mesmo apenas conversar. Viajamos bastante em família e eu adorava conhecer coisas novas.

Como é a sua relação familiar?

Muito boa, melhor impossível. Meus pais sempre me deram suporte em absolutamente tudo e, como várias famílias de origem italiana, somos muito unidos.

Por que você quis se tornar professora?

Desde pequena, esse é o meu grande sonho, porque via meus pais, ambos educadores, corrigindo provas e preparando aulas com muito amor e dedicação. Daí cresceu a vontade. Com o tempo, fui percebendo que a profissão era ainda mais bonita do que eu imaginava.

Qual foi o motivo de você querer conhecer o Japão, aprender japonês e se tornar professora de japonês?

Na verdade, não foi bem uma escolha. Minha mãe foi convidada para trabalhar como diretora em uma escola brasileira lá e eu fui junto. O motivo de ter aprendido japonês foi para acompanhar as matérias, já que eu estudava em um colégio internacional, mas as aulas eram em japonês.

O motivo de ser professora de japonês é que várias pessoas me diziam que eu ensinava inglês de uma forma divertida e fácil de entender. Então resolvi levar isso para o japonês também, já que é uma língua superdifícil e qualquer ajuda já faz uma grande diferença. Tento fazer com que o difícil se torne misterioso e, com isso, prazeroso.

Foi difícil o seu aprendizado de japonês?

MUITO! Eu me dedicava muitas horas por dia a isso, inclusive nos fins de semana.

Existe algum motivo para você ter criado o canal Faleemjapones que não fosse apenas o ensino em si?

Sim. Em 2011, não havia nenhum canal ou quase nenhum blog relacionado à cultura e à língua japonesa. Já que eu queria ensinar, resolvi criar o blog e, depois, o canal no YouTube. Queria ensinar gratuitamente e gostava da ideia de que as aulas fossem de fácil acesso.

Quais são os seus hobbies?

Ler, viajar, ensinar qualquer coisa, comer!

Qual foi sua reação ao visitar o Japão pela primeira vez?

Achei tudo muito diferente e achei os lugares extremamente apertados.

Quando você vai para o Japão, do que mais sente falta do Brasil? E vice-versa?

No Japão, sinto muita falta da minha família e dos meus amigos. No Brasil, sinto falta da segurança, da pontualidade e das comidas.

Cada país tem coisas únicas, mas em algum momento você já pensou em odiar um deles? Como o Japão e o Brasil, por exemplo. Se sim, por quê?

Odiar é uma palavra muito forte, mas eu não era muito fã da frieza e do excesso de polidez dos japoneses. No Brasil, me irrita a falta de seriedade e o famoso jeitinho brasileiro. Acho que, antes de tudo, devemos ser honestos.

Existe algo que você pretende fazer em um futuro próximo e que tire um pouco o seu foco do ensino de japonês?

Eu também ensino português para estrangeiros e inglês. Mas acho que, daqui para frente, tudo vai continuar focado no ensino de alguma língua, já que é o que eu amo fazer. Pretendo, no futuro, levar grupos para conhecer o Japão, explicando na nossa língua materna coisas sobre a cultura e a história do país.

Quais são seus objetivos atuais?

Estamos abrindo nossa escola, então meu maior objetivo no momento é conseguir tempo e investimento para abrir uma escola física em São Paulo, de modo que eu possa oferecer um ótimo espaço e um bom material para os meus alunos.

Sarah, por favor, nos diga como serão o curso e as aulas que você pretende administrar.

Os cursos têm como diferencial esse ensino mais dinâmico, misturando informações sobre a cultura e a vida atual no Japão. É um curso bem personalizado: ensinamos realmente o que o aluno precisa ou quer estudar. Como as aulas são online, tenho vários alunos no Japão e em outros países, como Canadá e Estados Unidos. Inclusive, algum morador de lá pode cair na sua turma!

Você pretende ter uma escola presencial ou online?

As duas! Se tudo der certo, ainda este ano já vamos abrir nosso espaço físico!

Se for presencial, você vai se apresentar como dona e apenas administrar, ou dará aulas normalmente?

Vou dar aulas normalmente, mas também vou cuidar bastante da parte pedagógica da escola como um todo. Eu me apresentaria como diretora e professora, acho. Apesar disso, não acho que a forma como me apresento mudaria alguma coisa.

Como serão as turmas?

No momento, as turmas têm no máximo 4 alunos. Com um espaço físico, talvez esse número aumente um pouco, mas não muito.

E quanto ao preço? Será acessível?

Fizemos várias pesquisas de preço e tentamos deixar o valor na média ou até abaixo dela, especialmente nas turmas em grupo.

Qual é a idade mínima para participar do curso?

Não temos idade mínima nem limite de idade.

Você acha que o seu curso vai se diferenciar dos outros existentes? Se sim, por quê e em quais pontos?

Como disse antes, gostamos de ensinar de um jeito dinâmico e divertido, buscando sempre coisas fora das apostilas para sair um pouco da rotina, como trabalhar com músicas e séries, por exemplo. Outro diferencial são os professores formados no Japão. Sabemos muito sobre como é a vida lá e o que seria melhor fazer em certas ocasiões. Acredito que poderíamos ajudar não só no aprendizado da língua, mas também servir como um guia de sobrevivência no Japão.

O que você tem a dizer para as pessoas que estão pensando em aprender japonês ou que já começaram a estudar?

Não desistam, de verdade. O começo é duro, nada é fácil. Porém, com muita dedicação, é possível chegar a qualquer lugar!
Cheguei no Japão sem nem saber como se dizia obrigada e consegui chegar a um nível de fluência, mesmo sem ser descendente. É possível! Basta força, garra e vontade! Boa sorte!!! <3

Como vimos, Sarah é uma pessoa muito extrovertida e comunicativa. Ela sempre faz o máximo para responder às dúvidas de todos.

Foi a primeira vez que entrevistei alguém, e admito que foi muito bom e proveitoso. Espero melhorar cada vez mais como escritor e também aprender muito mais sobre o Japão e outros assuntos de interesse meu e dos leitores.

Algumas respostas refletem o momento em que a entrevista foi feita.

Kevin Henrique

Sobre o Autor: Kevin Henrique

Especialista com mais de 10 anos de experiência em cultura asiática, com foco no Japão, Coreia, Animes e Jogos. Autodidata, escritor e viajante focado em ensinar japonês, dicas de turismo e curiosidades envolventes e profundas.

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