A boa relação dos japoneses com seus animais de estimação

Tradicionalmente conhecido pelo amor e respeito aos animais, o Japão também possui leis e cuidados que protegem os pets.

A boa relação com os pets vai muito além da que conhecemos no Ocidente. Ter um animal de estimação em países do Oriente, como o Japão, é mais que dar carinho e amor para o bichinho, o país também é conhecido por ter os animais como símbolo cultural e religioso.

Cães da raça Shiba Inu, por exemplo, são populares no Japão como símbolo de boa sorte aos donos e aos moradores do local. A raça também conhecida como “raposinha do Japão” é uma das mais antigas e populares do Oriente. Estudos mostram desenhos primitivos datados de 300 a.C. já com a presença desses animais. Considerados um tesouro nacional do Japão, os cães Shiba Inu são apreciados pela coragem, gentileza, ousadia e bondade. 

Já o gato tem como principal símbolo o popular Maneki Neko (também conhecido como Gato da Sorte), um gato culturalmente famoso no Japão pelo seu aspecto sentado, sempre com uma das patas levantada. Ele é considerado um amuleto para atrair boa sorte, proteção, felicidade, prosperidade e saúde.

O amor pelos animais é tanto que, na Província de Yamaguchi, há o Templo dos Gatos (Unrinji). O templo surgiu a partir de uma lenda local que conta a história de um gato que ficou no túmulo do seu tutor após a morte. A crença ainda conta que o triste miado do animal só parou de ser ouvido após um monge construir o santuário em sua homenagem. O local exibe mais de 700 esculturas de felinos, e é muito visitado pelos que creem na lealdade dos bichanos.

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Leis valorizam Pets no Japão

De forma mais prática, o país valoriza os animais em todos os âmbitos, e para ter um pet no Japão, é preciso ter respeito e cumprir as obrigações locais. De modo a reduzir os abandonos de animais, o parlamento japonês implantou leis que obrigam os comerciantes de cães e gatos a colocarem microchips nos animais. O microchip, que possui cerca de 2 milímetros, contém informações como o nome do vendedor, nomes, endereço e contato dos donos, raça do animal, nome do animal, cor, gênero, entre outras informações diretamente enviadas para um banco de dados do governo japonês. O país, que resgata cerca de 72 mil cães e gatos abandonados ou perdidos por ano, implantou a medida para que os tutores dos animais possam ser identificados em caso de abandono ou achados caso o animal tenha se perdido. 

A lei também protege os animais filhotes na hora de serem comercializados. Cães e gatos precisam ter no mínimo 56 dias de vida antes de serem separados de sua mãe. A decisão foi tomada após especialistas concluírem que animais retirados muito cedo do leito materno tendem a ser mais violentos e agressivos ao longo da vida.

A valorização e o respeito pela vida dos animais no Japão é um assunto levado a sério; as leis contra maus tratos aos animais têm punições duras e severas quando descumpridas, podendo chegar até a cinco anos de reclusão e multa de até ¥5 milhões (cerca de 195 mil reais).

Além das medidas legais para valorizar a vida dos animais, os protetores de instituições especializadas em direito dos animais defendem que os novos tutores façam um teste de consciência antes da adoção ou compra do pet. É defendido que uma avaliação completa do local seja feita, observações como permissão para ter animais no local e condições da moradia são levadas a sério. Também é analisado se os donos possuem tempo hábil para cumprir as obrigações como visitas ao veterinário e passeios frequentes. Outro fator importante é a condição econômica dos novos proprietários; caso o animal cause algum dano material, é necessário saber se os tutores possuem os valores para arcar com os custos da indenização. 

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Existem mais pets que crianças no Japão

Estima-se que hoje os animais de estimação já tenham superado em número a quantidade de crianças no Japão, tornando-os parte fundamental em muitos lares japoneses. Os animais começaram a ter importância nas famílias japonesas nas décadas de 60 e 70, época conhecida como Mai Hoomu (do inglês My Home), onde se popularizou o desejo por casas e pelo estilo de vida parecido com o dos estadunidenses. O aumento de lares com animais fez com que diversos serviços e itens fossem criados exclusivamente para os bichinhos. Segundo pesquisa de 2020, realizada pela seguradora de animais Anicom Insurance, estima-se que os gastos com cães no Japão tiveram aumento anual de 13%, já com gatos o aumento foi de 3,9%. Dentre os principais custos, estão alimentação, higiene e cuidados veterinários como consultas e tratamentos.  

Entre os serviços oferecidos para os pets japoneses, estão os restaurantes próprios para animais. Esses estabelecimentos contam com comida especializada e exclusiva para os bichinhos, cardápio especial em datas comemorativas e até bolo de aniversário. Há também serviços como banho e relaxamento em fontes termais, resorts de luxo exclusivos para os animais, profissionais responsáveis por cuidar do bichinho enquanto o dono está ocupado, taxi dog, entre outros.

Outros serviços não tão comuns no Brasil também são oferecidos no país. Os rituais budistas para os pets são feitos após a morte do bichinho. Orações e ritos cerimonialistas são realizados para que os animais possam fazer a passagem de acordo com a crença. Há também famílias que buscam os templos no 49º dia após a morte do animal, dia este que, segundo as crenças budistas, é o dia em que as orações para a reencarnação dos mortos são feitas.

Os japoneses também são grandes adeptos dos produtos para os pets. É comum andar pelas ruas de Tóquio e encontrar animais em carrinhos de bebê ou usando roupas de grife. Produtos como cama de cachorro, arranhadores para gatos e brinquedos também são populares no país.

Segundo pesquisas realizadas pela Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio e pela Associação Veterinária de Animais de Pequeno Porte do Japão, o bom tratamento aos animais domésticos tem dado resultados. A longevidade média de cães atingiu o recorde de 13,2 anos, e 11,9 anos para os gatos. Os bons cuidados citados acima e visitas constantes ao médico veterinário são responsáveis pela alta longevidade dos bichinhos no país oriental.

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