Os eventos de anime ainda valem a pena?

Se você gosta de animes, mangás, doramas, tokusatsus, filmes, séries, games e cosplay, com toda a certeza você já deve ter marcado presença em algum evento de anime. No Brasil, os eventos de animes começaram a fazer sucesso entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000, com a popularização da internet e com a exibição de animações japonesas em diversos canais de televisão, como a Rede Manchete, o Cartoon Network (no Toonami) e o Animax, que ajudaram na divulgação desse universo para o público jovem.

Você sabe o que é cosplay?

Em 2003, ocorreu a primeira edição do famigerado “Anime Friends”, considerado nos dias atuais um dos maiores eventos para o público otaku da América Latina, sendo realizado, costumeiramente, na cidade de São Paulo. Em 2001, isto é, 2 anos antes do primeiro Anime Friends, aconteceu a primeira edição do SANA (Super Amostra Nacional de Animes), em Fortaleza, Ceará. Inicialmente, ambos os eventos tinham como foco principal a exibição de estandes relacionados a cultura japonesa e a venda de mangás.

Com o passar dos anos e a consequente popularização, cada vez maior, dos games, dos quadrinhos americanos (HQ’s), do universo geek, das séries e filmes coreanos, do KPOP e do mundo nerd, esses grandes eventos foram deixando de lado a cultura japonesa, de modo que hoje em dia tornou-se até raro encontrar algo de cultura japonesa neles, principalmente quando falamos do SANA.

Neste artigo, discutiremos sobre a temática, tentando entender quais os principais motivos que levaram os organizadores de eventos de cultura japonesa a alterarem o público alvo, que hoje se constitui de um amontoado de pessoas com interesses que distoam, e muito, da proposta original.

Obs: Este artigo é um texto de opinião. Portanto, encare como uma visão pessoal do autor acerca do tema e não como uma verdade absoluta.

Clique aqui e leia o nosso artigo anterior sobre os eventos de anime!

Você sabe o que é cosplay?

Ainda são bons?

Particularmente, não tenho como opinar especificamente sobre todos os eventos de anime que existem no Brasil (são muitos), tendo em vista que só fui para o Sana. Contudo, ouço falar muito bem dos encontros que acontecem em São Paulo, sobretudo pelo fato de que é lá onde reside o maior contingente populacional japonês fora do Japão, além de que um grande número de jovens paulistas se interessam por animes e mangás.

O Sana (Super Amostra Nacional de Animes), por outro lado, é um evento que posso falar com mais propriedade, pois frequentei muitas das suas edições. O Sana veio diminuindo bastante o enfoque na cultura japonesa para dar mais espaço às atividades voltadas para o meio musical (como os DJ’s, mixadores e bandas nacionais), ao público geek e nerd, e, principalmente, a culinária e a cultura coreana. Esta mudança radical de enfoque de público gerou insatisfação nas pessoas que frequentavam as versões mais antigas do evento. Nesse sentido, podemos dizer que a qualidade dele caiu consideravelmente.

Num evento cujo foco deveria ser o Japão e os animes, encontramos coisas como DJ’s, funkeiros, youtubers de variedades, bandas de metal, salas temáticas de séries americanas e gincanas sem sentido. É claro que não devemos generalizar, mas aos olhos de quem frequentou a época de ouro dos eventos de anime, os atuais deixam muito a desejar quando o assunto é Japão e sua cultura.

Eventos de anime ou eventos de cultura pop?

Certa vez, quando participei de um desses encontros, fui a procura de mangás originais em japonês. Passei 3 dias procurando insistentemente algum mangá nativo (importado), sem sucesso. Esse fato me frustrou de tal maneira que, a partir desse dia, deixei de frequentar os grandes eventos “de anime”. Mas foi aí que percebí que esses eventos não existem mais, aliás, até existem, mas não são focados em animes. Se de um lado temos muita cultura pop americana, videogame, palestras sobre temáticas nerds, os animes e mangás foram esquecidos ou deixados de lado.

Funko pop – colecionáveis da cultura pop

Nos festivais dedicados exclusivamente ao Japão e nas bienais de livro encontramos, muitas vezes, mais mangás do que encontraríamos num evento “de mangá”, o que é bem bizarro.

Se os organizadores desejam atrair mais público ampliando o escopo para abarcar a “cultura pop” em geral, então que mudem o nome dos eventos…

A invasão do KPOP

Tomando o antigo lugar de destaque da cultura japonesa, as atrações coreanas se disseminaram como formigas num formigueiro, de modo que bandas coreanas, idol’s e astros de KPOP são convidados em maior número em comparação aos astros do JPOP (pop japonês).

K-pop vs j-pop – quais as diferenças? Mais popular?

Hoje vemos pessoas que jamais assistiram um anime frequentando assiduamente esses eventos, fazendo com que, cada vez mais, os estandes tenham que se adequar a esse público que admira o que vem da Coreia.

Não tenho nada contra os que gostam de KPOP. Mas penso que deveriam existir eventos exclusivos para isso. Nos dias atuais, o KPOP tem invadido os eventos de anime e mangá.

Conclusão

Essa foi minha visão a respeito dos atuais eventos de anime e cultura japonesa. Caso você discorde, deixe seu argumento nos comentários. Até a próxima!

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