Procurando animes na mesma vibe de Charlotte e Angel Beats? Aquele ritmo que começa na escola, solta uma ação e, no meio do caminho, te faz pensar na vida — sem ser qualquer “anime triste” jogado no mesmo saco.
Eu pessoalmente gosto muito de Charlotte. Os personagens grudam, e o começo brincalhão deixa espaço para o soco do final. Yuu Otosaka usa a posse por cinco segundos para ir bem na prova até Nao Tomori puxá-lo para o conselho estudantil da Hoshinoumi. Se ainda não viu, a lista espera.
Sumário 9
Parecido de verdade, não só triste
Quando escolho um título “como Charlotte”, olho três coisas. Primeiro, o poder ou a condição é incompleta: a posse do Yuu começa em cinco segundos e some quando a adolescência acaba. Segundo, tem escola e um grupo pequeno — o conselho da Hoshinoumi, não um exército de heróis. Terceiro, a piada vem antes do soco. Jun Maeda escreveu o original e o P.A. Works desenhou; é o mesmo pulmão de Angel Beats.
Bonitinho demais ou terror de serial killer mudam o ar. Os oito abaixo tocam pelo menos dois desses eixos.
Nagi no Asukara
Nagi no Asukara, ou A Lull in the Sea, é uma série de 2013 do P.A. Works. A história se passa num futuro em que o mundo está coberto de água e as pessoas vivem em cidades subaquáticas.
Quando a cidade debaixo d’água começa a desaparecer, um grupo de amigos precisa enfrentar a diferença entre o próprio mundo e o “mundo da superfície”. Não é batalha de poder como Charlotte, mas o estúdio empurra amizade, distância e amadurecimento com o mesmo peso. A tela é bonita; o tema, não.

Clannad
Se você segue o sangue de Charlotte, o nome que aparece logo é Clannad. Mesma Key, mesmo Jun Maeda. A Kyoto Animation começa no colégio, nas brincadeiras lentas de Tomoya e Nagisa, e só depois desce o peso da família e do tempo.
Não tem conselho de superpoderes. Tem o hábito de deixar a piada ocupar a sala até o After Story virar a chave. Quem saiu de Charlotte e Angel Beats costuma cair aqui por esse motivo — e o caminho cruza o das listas de animes tristes, sem ser só isso.

Glasslip
Outra turma de amigos, desta vez com um vislumbre do futuro. É mais slice of life do que Charlotte, e o P.A. Works de 2014 empurra o mesmo ar de escola por outro ângulo.
Glasslip fala de amizade, namoro e de andar junto com o que ainda está embaçado. O “poder” fica no que se vê, não no que se luta — e isso encosta na posse incompleta do Yuu. Faz sentido para quem quer romance e cotidiano no mesmo copo.

Anohana
Um grupo de amigos tenta se reconciliar com a morte de uma deles. É daqueles que apertam o peito. Vale a sessão mesmo assim.
Os personagens são desajeitados, as falas se cruzam, e a história é contada com cuidado. Não há batalha de habilidade. O que sobra de Charlotte no final — a parte de quem ficou — cabe melhor num antigo ponto de encontro do que num conselho estudantil.

Shigatsu wa Kimi no Uso
Um pianista talentoso para de tocar depois da morte da mãe. Your Lie in April chega pela música e só depois pela emoção.
O violino da Kaori puxa o Kousei de volta ao palco. No lugar do poder, o instrumento; no lugar do conselho, o concurso. Mesmo assim, “talento não é só bênção” aponta para o mesmo lado da habilidade de Charlotte. Quem gosta de anime de música costuma achar esta porta.

Angel Beats!
Como Charlotte, Angel Beats! trata de vida e morte. Só que o palco é uma escola do pós-vida. Tem tiro, tem anjo, e no meio ainda cabem comédia e banda.
É o mesmo autor. Jun Maeda escreveu os dois e o P.A. Works desenhou os dois. Angel Beats veio em 2010; Charlotte é o original seguinte, com menos gente e mais tempo em cima de uma pessoa. O hábito de misturar drama, emoção e slice of life é o mesmo pulmão.

Erased
Boku dake ga Inai Machi. Satoru Fujinuma usa o “Revival” para voltar uns minutos — e depois cai na infância para tentar impedir que alguém desapareça. Não é horror de assustar por assustar.
O nervoso de proteger alguém com um poder que não resolve tudo é o que puxa para Charlotte. Tem menos piada de colégio e mais mistério. Não é história de exibir habilidade; é história de usar a habilidade e ainda assim não alcançar todo mundo.

Plastic Memories
Plastic Memories se passa num mundo em que androides com emoção, os Giftia, vivem cerca de nove anos. Tsukasa Mizugaki entra no departamento de recolhimento da SAI, o setor que busca quem está no fim do prazo. A parceira é a Isla, que até então só servia chá.
Em Charlotte a habilidade também tem data para sumir. Os nove anos do Giftia são o mesmo tipo de relógio. Não é colégio de superpoder, mas é “ser especial por pouco tempo” — e o que fica é memória.

Os oito não são uma prateleira de anime para chorar. São poder incompleto, tempo curto e um grupo que tenta segurar o outro. Se a próxima sessão depois de Charlotte tiver que ser uma só, comece por Angel Beats e Clannad. Se quiser voltar no tempo, Erased; se quiser o prazo em si, Plastic Memories.
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